Um pelotão em Itália e quatro fugitivos. Assim vão as big five

Barcelona (Espanha), Manchester City (Inglaterra), Paris SG (França) e Bayern Munique (França) fogem da concorrência e já vão pensando em encomendar as faixas de campeão à entrada para 2018. A Série A é o único campeonato em que a luta pelo título está ao rubro, com poucos pontos a separarem os primeiros classificados. Pouca sorte para o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Manchester United de José Mourinho e Mónaco de Leonardo Jardim

Barça sem derrotas. Irá fazer história?

A saída de Neymar para o Paris Saint-Germain e a impotência perante o Real Madrid nas duas mãos da Supertaça de Espanha anteviam uma temporada sofrida por parte do Barcelona, mas o que se tem visto é precisamente o contrário. Os catalães lideram o campeonato com nove pontos de avanço sobre o primeiro perseguidor e 14 sobre o grande rival Real Madrid, que tem menos um jogo. Sob o comando técnico de Ernesto Valverde e a liderança em campo de Lionel Messi - melhor marcador da Liga com 15 golos -, os blaugrana têm o melhor ataque da prova, mas é no capítulo defensivo que têm impressionado, com a defesa menos batida dos principais campeonatos europeus. À passagem da 17.ª jornada, o Barça ainda não perdeu, e além de estar bem encaminhado para reconquistar o título espanhol, pode fazer o que ninguém consegue desde 1931-32, quando a prova tinha apenas 18 jornadas: terminar sem derrotas. Os culé estiveram perto de alcançar esse feito nos tempos de Pep Guardiola, em 2009-10, mas foram derrotados num jogo. O avanço do Barcelona sobre a concorrência também se deve ao mau arranque dos clubes de Madrid. O campeão em título, o Real de Cristiano Ronaldo - apenas quatro golos para amostra -, não tem conseguido manter o desempenho que valeu duas Ligas dos Campeões consecutivas nas derradeiras temporadas. Também o vice-líder Atlético tem tido problemas em manter a regularidade das últimas épocas, muito por culpa da quebra de rendimento do principal craque, Griezmann.

Manchester City segue imparável

Depois de uma vitória alcançada apenas nos últimos 20 minutos no terreno do Brighton e de um empate caseiro diante do Everton, nada fazia prever o que estava para vir para o Manchester City: 17 (!) vitórias consecutivas e 13 pontos de avanço sobre o principal perseguidor, o vizinho Manchester United. Não tem dado hipóteses à concorrência a equipa de Pep Guardiola, que já venceu em Stamford Bridge e em Old Trafford e não mostrou grandes dificuldades para golear em casa o Liverpool (5-0) e o Tottenham (4-1). Só um autêntico terramoto pode impedir o primeiro título do técnico catalão em Inglaterra. Resta saber se os citizens, que contam com o melhor ataque das big five e têm Bernardo Silva no plantel, vão conseguir superar os 95 pontos do Chelsea de José Mourinho (2004-05) e igualar a campanha invicta do Arsenal de 2003-04.

Lutar pelo segundo lugar parece ser o destino desta época do special one, que não tem acompanhado o ritmo do rival, apesar dos progressos em relação à temporada anterior, concluída na 6.ª posição. Também envolvidos numa batalha intensa pelos primeiros quatro lugares - que dão acesso à fase de grupos da Champions - está o campeão Chelsea de Eduardo, Liverpool, Tottenham e Arsenal. A Premier League terá hoje a sua mítica jornada de Boxing Day, com o aliciante de se ficar a saber se Harry Kane (Tottenham) consegue igualar ou superar Lionel Messi como melhor marcador do ano civil. O inglês tem 53 golos e está a um do argentino.

Super PSG a passear e Jardim a ver

Depois de o Mónaco de Leonardo Jardim ter interrompido a hegemonia do Paris Saint-Germain, o clube da capital não olhou a gastos para reforçar o plantel com Neymar (222 milhões de euros) e Mbappé (180 milhões), e vai traduzindo esse investimento em supremacia no campeonato gaulês. Com a primeira volta já decorrida, a equipa de Unay Emery domina em toda a linha: lidera com nove pontos de avanço sobre os perseguidores Mónaco e Lyon, tem o melhor ataque (média de três golos por jogo) e a melhor defesa da prova. Não obstante, tem em Edinson Cavani o máximo goleador não só da Liga francesa como das cinco principais da Europa, com 19 remates certeiros. Apesar do poderio demonstrado internamente e na Liga dos Campeões - onde o confronto com o Real Madrid vai constituir uma autêntica prova de fogo -, há relatos de vários maus relacionamentos no seio do plantel - Neymar e Cavani protagonizam o mais mediático - e o técnico espanhol aparentemente não tem garantida a continuidade no clube que tem Antero Henrique como diretor desportivo, falando-se até na possibilidade de vir a ser substituído por André Villas-Boas. A assistir a tudo isto, com alguma impotência, está o campeão em título, de Leonardo Jardim, João Moutinho e Rony Lopes. A nove pontos da liderança, o objetivo realista do conjunto monegasco deverá ser, salvo uma hecatombe em Paris, manter o 2.º lugar que ocupa presentemente, em igualdade pontual com o Lyon, e que dá acesso direto à Champions.

Nápoles lidera com a Juventus à espreita

A Juventus é hexacampeã e principal candidata ao título, mas é o Nápoles de Mário Rui que lidera o campeonato italiano. Sem festejar desde os tempos de Diego Maradona, em 1989-90, o emblema napolitano começou a época com oito vitórias consecutivas na Série A, mas começou neste mês com uma derrota diante da vecchia signora, que não começou muito bem mas que tem vindo a encurtar distâncias. As recentes vitórias sobre Nápoles e Roma constituíram um sinal inequívoco de que o hepta pode mesmo vir a ser uma realidade no final da temporada para os bianconeri. Quem também começou muito bem, mas tem estado a perder gás, é o Inter de Milão de João Mário e João Cancelo. Os nerazzurri estavam a dar sinais de retoma da crise em que caíram no pós-Mourinho, ao concluir as primeiras 15 jornadas sem qualquer jornada e com o capitão Mauro Icardi num grande momento de forma - artilheiro da prova, com 17 golos. Contudo, o conjunto orientado por Luciano Spalletti perdeu nas duas últimas jornadas, diante de Udinese e Sassuolo, e foi atirado para o 3.º lugar. Resta saber se se trata de uma crise momentânea ou se a equipa onde militam os dois internacionais portugueses ainda vai a tempo de recuperar o trono perdido em 2010.

Um pouco mais atrás, no quarto posto (mas com um jogo a menos), está a Roma, sempre um clube a ter em conta quando se fala em luta pelo título, embora já sem o eterno capitão Francesco Totti e sem festejar o scudetto desde 2000-01.

Até em obras o Bayern dispara para o hexa

Mesmo com um começo de época que deixou a desejar - isto é, para os padrões de exigência dos adeptos bávaros - e uma mudança de treinador que ditou a saída de Carlo Ancelotti e o regresso do até então reformado Jupp Heynckes, o Bayern Munique conseguiu atinar e disparar rumo à conquista do sexto campeonato consecutivo. O principal perseguidor, o Schalke 04, está já a 11 pontos - e Borussia Dortmund, Bayer Leverkusen, Leipzig e Borussia M"gladbach a 13. O emblema da Baviera, que poderá fazer regressar Renato Sanches do Swansea, em janeiro, venceu nove das últimas dez partidas, ainda que sem mostrar a tal apetência para triturar os adversários que vinha a exibir nos últimos anos. Desta série de nove triunfos em dez jogos, quatro foram pela margem mínima e apenas uma por mais do que três golos de diferença. Vai valendo a consistência defensiva de uma equipa que tem a melhor defesa da competição. Quem, por outro lado, começou bem mas foi perdendo gás foi o Borussia Dortmund. A formação amarela somou 19 pontos nas primeiras sete jornadas, mas apenas três nas oito que se seguiram. A crise ditou uma chicotada psicológica: saiu Peter Bosz, ex-técnico do Ajax contratado no verão para substituir Thomas Tuchel, entrou Peter Stöger, que tinha sido despedido do Colónia após um arranque de temporada para esquecer. O que é certo é que a mudança surtiu efeitos, uma vez que o Dortmund venceu os dois jogos antes da paragem de inverno.

Exclusivos