Leozinho, destaque do Athletico-PR trocou o futsal pelo futebol do campo aos 24 anos.
Leozinho, destaque do Athletico-PR trocou o futsal pelo futebol do campo aos 24 anos. Foto: DR

Sensação do Brasileirão, Athletico-PR desafia gigantes com 'Príncipe do Futsal', goleador e veterano renegado

Recém-promovido à primeira divisão, clube paranaense faz campanha de destaque no regresso à elite, segue na perseguição a Palmeiras e Flamengo e conta com um plantel recheado de histórias curiosas.
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Um ex-jogador de futsal, um veterano renegado por gigantes brasileiros e um goleador que, até há pouco tempo, estava "perdido" no leste europeu. Leozinho, Stiven Mendoza e Kevin Viveros são alguns dos protagonistas improváveis do Athletico Paranaense, clube que, apesar da eliminação na Copa do Brasil após goleada do Vitória (4 x 0), é a sensação do Brasileirão: passadas 21 rodadas, ocupa a terceira posição do torneio no regresso à elite do futebol brasileiro - atrás apenas dos dois suspeitos do costume, o Palmeiras, de Abel Ferreira, e o Flamengo, de Leonardo Jardim.

Comandado por Odair Hellmann, o Furacão, como é carinhosamente apelidado, tem feito jus à alcunha nesta temporada e vai fazendo tremer o terreno de alguns dos maiores clubes do país. Principal clube em ascensão no futebol brasileiro neste século, o Athletico alcançou resultados expressivos nos últimos anos, chegando a duas finais da Taça Libertadores (2005 e 2022), conquistando duas Taças Sul-Americanas (2018 e 2021), uma Taça do Brasil e outras campanhas de destaque. Não por acaso, já é considerado por muitos o 13.º grande clube do futebol brasileiro, juntando-se aos quatro de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos), aos quatro do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama), além da dupla mineira (Atlético Mineiro e Cruzeiro) e da gaúcha (Internacional e Grémio).

Há dois anos, no entanto, justamente no centenário da equipa paranaense, um choque parecia colocar este estatuto em causa: o rebaixamento à segunda divisão, escalão com o qual o clube não convivia desde 2012. Bem estruturado financeiramente e há muito apontado como exemplo de gestão no futebol brasileiro, o Furacão não desiludiu na Série B, garantiu o regresso imediato à elite e manteve a base da equipa que conquistou o acesso. O resultado está à vista. O Athletico voltou à primeira divisão sem perder competitividade e é hoje o principal "intruso" na luta entre os clubes mais poderosos do país.

Num momento em que muitos especialistas identificam uma "espanholização" do futebol brasileiro - numa comparação à hegemonia de Real Madrid e Barcelona em Espanha com o domínio recente de Palmeiras e Flamengo -, o Athletico surge como o principal candidato a incomodar a dupla, mesmo estando ainda a dez pontos da equipa comandada por Abel Ferreira. Nas últimas dez temporadas, apenas Corinthians (2017), Atlético Mineiro (2021) e Botafogo (2024) conseguiram conquistar o Brasileirão sem serem Palmeiras ou Flamengo, que somam sete dos últimos dez títulos nacionais.

Na surpreendente campanha até ao momento, o Furacão conta com jogadores conhecidos do futebol brasileiro e europeu, mas também com outros que chamam a atenção pelas suas trajetórias. Entre os nomes mais sonantes está Luiz Gustavo, médio de 39 anos com longa passagem pela seleção brasileira e por clubes como Bayern de Munique, Wolfsburg, Olympique de Marselha e Fenerbahçe. O lateral-direito Gilberto, ex-Benfica, também é titular de Odair Hellmann. Mas é no trio ofensivo que estão as histórias mais curiosas.

Pelo lado direito atua Leozinho, que aos 24 anos tomou uma decisão pouco comum: trocou o futsal pelos relvados. Até então ala do Magnus Sorocaba, um dos principais clubes da modalidade no Brasil, o carioca de Petrópolis chegou a ser eleito o melhor jovem jogador do futsal brasileiro e, não por acaso, recebeu a alcunha de "Príncipe do Futsal". Dezoito anos antes, em 2005, foi justamente Falcão, o "Rei do Futsal" e quatro vezes eleito pela FIFA o melhor jogador da modalidade, quem tentou fazer o mesmo caminho. A aventura no São Paulo, porém, durou apenas alguns meses.

Leozinho iniciou a transição para o futebol de onze com a camisola do modesto Hercílio Luz, de Santa Catarina, passou depois pelo Ituano e chegou ao Athletico em 2025. Se já tinha deixado boas indicações na época passada, vive agora o melhor momento da carreira. Desde o Mundial de 2026 soma três golos, duas assistências e uma coleção de dribles plásticos que fazem dele um dos primeiros grandes casos de sucesso de um atleta que trocou o futsal pelos relvados já numa fase adiantada da carreira.

Ao lado de Leozinho brilham dois colombianos. No flanco esquerdo aparece o experiente Stiven Mendoza, de 34 anos, dispensado por gigantes brasileiros como Corinthians e Santos e com passagens por Bahia e Ceará. Hoje é uma das principais armas ofensivas da equipa e já marcou cinco golos nesta edição do Brasileirão. Na referência do ataque está, porém, o grande nome da campanha: Kevin Viveros, de 26 anos.

Se há três anos Mendoza era perseguido por adeptos do Santos pelas más atuações e Leozinho ainda dava os primeiros passos no futebol profissional, Viveros vivia uma aventura frustrada no Sarajevo, da Bósnia-Herzegovina, onde nunca conseguiu adaptar-se ao frio nem às diferenças culturais. Regressou então à Colômbia para relançar a carreira, primeiro no La Equidad e depois no Atlético Nacional, antes de rumar ao Athletico ainda durante a campanha de acesso na segunda divisão.

Desde então, "El Tren", como é conhecido, provou ser um goleador nato. Nesta temporada lidera a lista de melhores marcadores do Brasileirão, com 12 golos e duas assistências. Contratado por cinco milhões de dólares, já viu o Athletico recusar propostas próximas dos 20 milhões. A aposta do Furacão é manter o trio ofensivo até ao fim da temporada e continuar a incomodar Palmeiras e Flamengo na luta pelos primeiros lugares. Por enquanto, o "intruso" segue firme no retrovisor dos favoritos. A próxima prova será no domingo (9), frente ao Santos de Neymar, que luta na parte de baixo da tabela. Vale a pena espreitar.

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