Foi no sufoco, mas, na quarta partida à frente do Vasco da Gama, Pedro Emanuel conseguiu a primeira vitória no comando da equipa carioca ao bater o Independiente Medellín (Colômbia), na madrugada da última quinta-feira, 30 de julho, e carimbar a classificação para os oitavos de final da Taça Sul-Americana. O triunfo dá confiança ao português para aquela que será, até aqui, a semana mais exigente desde que desembarcou em São Januário, com três partidas decisivas em apenas oito dias.No sábado (1) e na quarta-feira (6), o clube cruzmaltino enfrenta o Fluminense nos jogos de ida e volta dos oitavos de final da Taça do Brasil. A maratona termina no domingo (9), com uma difícil visita ao Bahia, quinto classificado do Brasileirão. É justamente no campeonato que está o principal objetivo de Pedro Emanuel à frente do novo clube: livrar o Vasco do fantasma do descenso.Desde 2008, o Gigante da Colina já proporcionou quatro vezes ao sofrido adepto um desgosto que, nos 110 anos anteriores desde a sua fundação (em 1898), nunca havia acontecido. Naquele ano, ocorreu a primeira queda à segunda divisão, seguida por novos rebaixamentos em 2013, 2015 e 2020. Este último foi ainda mais doloroso, afinal, ao contrário das ocasiões anteriores, em que o Vasco regressou logo à elite, o clube ainda amargou mais uma época no segundo escalão antes de voltar em 2022.Desde então, campanhas perigosas e medianas marcaram a vida dos vascaínos na Série A. Após um 17.º lugar em 2023, seguiram-se a 10.ª e a 11.ª posições, respetivamente, nos últimos dois anos. E se viver em constante perigo tem virado quase uma realidade normal para o adepto vascaíno, o jejum de títulos também já faz parte da rotina nas últimas décadas.A última taça de relevância erguida por um dos clubes mais portugueses do Brasil foi em 2011, quando venceu a Taça do Brasil. Desde então, além das três quedas, o clube ainda viu o maior rival, o Flamengo, tornar-se numa das maiores potências do país, com três conquistas da Taça Libertadores e outros tantos títulos nacionais. Para piorar, Fluminense e Botafogo, os outros dois principais rivais do Vasco no Rio de Janeiro, também levantaram a taça do principal torneio da América do Sul.Pedro Emanuel tenta ainda quebrar um histórico pouco animador dos treinadores portugueses em São Januário. Em 2020, surfando na onda do sucesso de Jorge Jesus no rival Flamengo, a direção do clube foi buscar Ricardo Sá Pinto para o comando técnico, mas o treinador durou apenas 77 dias no cargo e deixou o Vasco após 15 partidas, com três vitórias, seis empates e seis derrotas.Anos depois, em 2024, foi a vez de Álvaro Pacheco desembarcar no Rio para comandar o Gigante da Colina, numa passagem ainda mais breve. Em menos de um mês no clube de São Januário, Pacheco obteve um aproveitamento de apenas 8,3%, com três derrotas e um empate em quatro jogos, deixando a Cidade Maravilhosa sem deixar saudades ao adepto cruzmaltino.No início do trabalho, Pedro Emanuel, apesar de ter garantido a presença da equipa nos oitavos de final da Taça Sul-Americana, ainda luta para tirar o Vasco da zona de descenso do Brasileirão. Passadas 20 jornadas do campeonato, o clube ocupa uma incómoda 18.ª posição e o português, nos dois primeiros jogos pela competição, ainda não conseguiu vencer adversários diretos.Na estreia contra o Vitória (13.º classificado), a equipa foi derrotada por 1-0. Depois, teve um empate frustrante por 1-1 com o Mirassol (14.º) em casa. Apenas Remo e Chapecoense encontram-se abaixo do Vasco na tabela, enquanto o Grémio, comandado por outro treinador português, Luís Castro, fecha a zona de descenso.Por isso, por mais que o adepto vascaíno esteja com expectativas altas para esta semana de Taça do Brasil - especialmente por se tratar de um clássico e de um torneio em que, no ano passado, o Vasco bateu na trave ao perder a final para o Corinthians -, a verdadeira missão de Pedro Emanuel no País do Futebol continua a ser afastar o fantasma do rebaixamento do clube carioca. Se conseguir manter o Vasco longe da "degola", como chamam no Brasil, nas próximas jornadas, o português já terá cumprido grande parte do seu trabalho, especialmente num ano em que outros gigantes do futebol brasileiro, como Grémio, Santos, Internacional e São Paulo, também rondam a zona em que ninguém quer ficar..No Monaco, Filipe Luís quer acabar com a má sina dos treinadores brasileiros na Europa.Missão 2030: as joias do futebol brasileiro que querem ser o presente e o futuro da seleção