Lista de 23 consensual. Sem lesionados a história podia ser outra

Técnicos analisam e aprovam escolhas de Santos. Mas André Almeida, Pizzi e Daniel Carriço também mereciam um lugar

Rui Patrício, Anthony Lopes, Eduardo, Vieirinha, Cédric, Pepe, Ricardo Carvalho, Bruno Alves, José Fonte, Eliseu, Raphael Guerreiro, William Carvalho, Danilo, João Moutinho, Renato Sanches, Adrien, André Gomes, João Mário, Rafa, Quaresma, Nani, Cristiano Ronaldo e Éder. Estes são os 23 de Fernando Santos para o Euro 2016. Carlos Dinis assina por baixo mas Manuel José e Henrique Calisto mudavam um ou dois num grupo que vale 322 milhões de euros, segundo o site Transfermarkt.

Manuel José concorda na "totalidade" com os 23 de Santos, mas não acha que a lista seja "consensual", pois "há sempre clubites, amizades e interesses financeiros a mover as opiniões". Para o ex-treinador de Sporting e Boavista, se fosse para fazer justiça à grande época que fez, André Almeida merecia uma chamada. "No Mundial 2014 fui contra a convocatória dele, porque na altura não se justificava. Agora talvez trocasse o Cédric por ele. Uma coisa é ser titular indiscutível no Benfica e outra é jogar de vez em quando no Southanpton, embora o Cédric seja um bom jogador", disse Manuel José ao DN, já depois de André Almeida reagir e dizer que "faz parte da lista dos muitos milhões que apoiarão a seleção". Para o antigo técnico, mesmo na questão de Éder, "que é o patinho feio desta seleção", o selecionador fez bem. "Foi um jogador importantíssimo no Lille e merece o benefício da dúvida dos portugueses. Penso que é a melhor opção, até porque Postiga está em final de carreira", disse.

Manuel José também deixava Tiago de fora, apesar de ser "uma pena" não ter "um jogador da qualidade dele a 100%". Mas numa competição tão curta "é muito importante que os jogadores estejam bem fisicamente e com ritmo, e o Tiago infelizmente só tem 25 minutos nas pernas em quatro ou cinco meses".

No entanto, talvez desse uma oportunidade a Daniel Carriço (ganhou ontem a Liga Europa). Até porque "a classe e a experiência de Ricardo Carvalho podem não dar para a prova inteira". E o central do Sevilha, embora "não sendo alto e possante, seria uma boa opção para o substituir", na opinião de Manuel José.

Dilema vai continuar no onze

Carlos Dinis, "depois de conhecer todas as condicionantes", leia-se lesões de Danny, Fábio Coentrão e Bernardo Silva, "não faria outra lista". E "talvez só fizesse uma ou outra alteração se alguns dos lesionados, ou Tiago, estivessem aptos. Mas com este cenário esta era a minha lista".

Segundo o ex-selecionador das seleções jovens da federação, "obviamente" que as lesões condicionaram as escolhas. "O critério principal de escolha é sempre a qualidade e, depois, o momento dos jogadores. E há sempre imprescindíveis, jogadores que mesmo não estando a 100% têm de ir porque de uma forma ou de outra são mais-valias", explicou, considerando "que esta é uma boa lista para jogar em 4x4x2". Dinis lembrou que o dilema da escolha vai continuar até ao primeiro onze inicial, principalmente no meio-campo: "Há muitas e boas opções. Não sei como está o Moutinho fisicamente, mas jogar com o meio-campo do Sporting não será descabido. Penso que o João Mário jogará de certeza na posição que fez no Sporting, depois há Danilo, que fez uma época muito boa, e William, que esteve intermitente. E ainda Adrien, que fez a melhor época de sempre e dá garantias."

O técnico elogiou o discurso do selecionador na divulgação da lista, sobretudo sobre a gestão do grupo: Santos informou que vai dar liberdade aos jogadores durante o estágio e o Euro 2016, exigindo responsabilidade e entrega. "Eu sei o que é estar um mês fechado a ver as mesmas caras 24 horas por dia, não é fácil. Entendo o discurso e defendo-o. É uma decisão inteligente da parte de Fernando Santos", disse.

Já para Henrique Calisto, antigo selecionador do Vietname, "tirando um ou outro jogador que talvez ponderasse levar, a lista é a esperada" mesmo "na questão do Renato Sanches". "Foi uma lista facilitada por fatores condicionantes e de exclusão, como as lesões de três selecionáveis e ainda o Tiago."

Para o treinador, "é sempre possível fazer juízos de valor sobre as escolhas" e "questionar se Pizzi e André Almeida não mereceriam ir". Mas, segundo Calisto, "as escolhas têm de ser entendidas não só pelo lado do jogador mas também pelas necessidades da equipa, modelo, estilo de jogo e ideia que o treinador tem para a equipa".

E a ideia de Fernando Santos perece ser a de "pôr Portugal a jogar num 4x4x2 híbrido, com Ronaldo solto na frente". Por isso, Calisto entende a chamada de Éder, mesmo que "a seleção não vá jogar com um avançado de raiz e fixo na área". Mas "sem dúvida que o futuro do ataque nacional passará por André Silva", diz.

Calisto antevê que o meio-campo será o que mais dúvidas vai colocar a Santos durante o Euro 2016, pelo "excesso" de boas opções: "Tudo depende de como estiver João Moutinho. João Mário joga de certeza."

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