Rui Borges fecha plantel do Sporting e encerra dúvidas sobre Suárez: “Está focado e convocado”
TIAGO PETINGA

Rui Borges fecha plantel do Sporting e encerra dúvidas sobre Suárez: “Está focado e convocado”

Treinador confirmou Ioannidis para a visita ao Rio Ave, assumiu as “dores de crescimento” de uma equipa jovem e deixou elogios a Hjulmand e João Virgínia
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Rui Borges considera que o plantel do Sporting está fechado, embora não afaste totalmente a possibilidade de surgirem movimentações inesperadas até ao final do mercado. Na antevisão da visita ao Rio Ave, marcada para esta sexta-feira, às 20.15 horas, na quarta jornada da I Liga, o treinador confirmou ainda a convocatória de Luis Suárez e a recuperação de Fotis Ioannidis.

“Em relação ao plantel fechado, sim, à partida, estará fechado. Há sempre surpresas, mas espero bem que não as haja, porque os jogadores do Sporting são sempre pretendidos e é natural que se fale deles. Agora, para nós, está fechado”, afirmou Rui Borges.

O treinador leonino foi igualmente taxativo quando questionado sobre o futuro de Luis Suárez, depois das dúvidas que têm rodeado a permanência do avançado colombiano em Alvalade. “É um não assunto. Já o esclareci, está a treinar bem, está focado e está convocado para o jogo de amanhã. É tão simples quanto isto. Falei com ele como falo com todos os outros”, garantiu.

Rui Borges assegurou também não se sentir incomodado por continuar a trabalhar com jogadores que tiveram um papel importante no clube, mas que poderão sair antes do encerramento do mercado. “Não me incomoda. Têm tido um comportamento excecional. Quando fechar o mercado, se continuarem a ser jogadores do Sporting, será com todo o gosto. São grandes jogadores a quem devemos muito, porque deram sempre tudo pelo Sporting e marcaram a história do clube”, declarou. “São jogadores que estão à procura de novos desafios e é uma questão, mais do que para mim, para eles também, de verem rapidamente a sua situação resolvida”, acrescentou o técnico.

No capítulo médico, Fotis Ioannidis está recuperado e integra as opções para Vila do Conde. “Em relação ao posto médico, o Ioannidis treinou toda a semana, por isso está apto e está convocado para o jogo. É só mesmo o João Simões, o Salvador Blopa e o Nuno Santos, são os três que estão no boletim”, revelou Rui Borges.

O treinador abordou também as mudanças entre os guarda-redes, com a chegada de Kaique e a saída de João Virgínia. Rui Borges deixou uma mensagem de agradecimento ao guarda-redes português, destacando a postura mantida durante a passagem por Alvalade. “Em relação ao João, deixar aqui uma palavra de boa sorte. Teve um grande comportamento ao longo do tempo que esteve no Sporting. Exemplar no dia a dia, muito importante para o grupo também, apesar de não ter sido o guarda-redes titular. Teve sempre um grande compromisso e uma grande capacidade de trabalho”, afirmou. “Deixar um agradecimento grande e desejar-lhe a maior sorte do mundo. Sobre a mudança, teve muito a ver com o momento em si. Ele também procura e quer jogar e merece isso”, acrescentou.

Quanto a Kaique, o técnico explicou que o Sporting já acompanhava o jogador. “O Kaique foi uma oportunidade, olhávamos há algum tempo para ele e pensamos que poderá ter um futuro muito bom.”

Rui Borges mostrou-se igualmente confiante no potencial de Zekri, jovem lateral-esquerdo contratado pelos leões. “O Zekri é um miúdo que, apesar da sua tenra idade, já tem muitos jogos numa primeira divisão. Tem capacidade técnica e alguma maturidade, apesar dessa idade”, analisou. “Um miúdo super motivado, percebe para onde vem, percebe que vai crescer também, porque tem um grande lateral-esquerdo, dos melhores do mundo, a lutar pela sua posição. É alguém que perspetivamos um grande futuro”, completou.

Nestory Irankunda foi outro dos reforços em destaque. O treinador reconheceu que os primeiros dias de trabalho têm servido para conhecer melhor o extremo australiano, mas acredita que o jogador poderá adquirir um papel relevante ao longo da temporada. “Tem sido desafiante também conhecê-lo mais a nível do campo. Tem dado boas sensações e acredito mesmo que será um jogador muito importante ao longo da época, até pelas suas características”, afirmou. Rui Borges juntou Jesse Derry ao processo de crescimento dos jovens jogadores: “Este tempo tem-nos ajudado também, o Jesse também tem vindo a crescer naquilo que é um melhor entendimento da equipa e o que é pedido para a sua posição. Tem sido um desafio muito bom. Muito feliz por vê-los crescer e ver que são dois miúdos que querem aprender rápido, tornar-se mais uma solução para o treinador e ajudar a equipa.”

O técnico explicou ainda as diferenças entre Irankunda e Flávio Gonçalves, considerando que ambos oferecem soluções distintas ao Sporting. “O Flávio não é um extremo de raiz, é um jogador de jogo interior, mais do que exterior. O Irankunda dá-nos as duas coisas: é potente, é mais extremo nato, dá-nos jogo exterior, aceleração, jogo mais vertical, potência”, detalhou. “O Flávio dá-nos um jogo mais pausado e associativo. Foi nesse entendimento também que quisemos acrescentar coisas diferentes ao plantel”, acrescentou.

A saída de Morten Hjulmand e as declarações do presidente Frederico Varandas sobre o antigo capitão também foram abordadas. Rui Borges recusou alimentar a polémica e deixou elogios ao internacional dinamarquês. “Em relação ao Morten, é um não assunto. Não deixa de ser um grande profissional, foi sempre o nosso capitão. É natural que o mercado mexa muito com os jogadores, não só no Sporting”, disse. “Estamos mais focados no Rio Ave e esperar que o Morten tenha muita sorte porque a merece, não só como atleta mas como homem”, reforçou.

Rui Borges admitiu que a saída de jogadores importantes obrigou a equipa a alterar algumas das suas características, mas rejeitou a ideia de que faltem soluções para controlar o ritmo das partidas. “O futebol é isto: é a adaptação àquilo que queremos dentro daquilo que são as dinâmicas e perceber as características individuais que temos. Não vão dar um jogo tão pausado, vão dar um jogo diferente. Dão-nos mais objetividade em alguns momentos do jogo que não tínhamos antes”, explicou. “Tudo isso é um crescimento que vamos ter enquanto equipa. Estou feliz com o meu plantel e com as características que tem. Sei bem daquilo que são as dores de crescimento — e não me vou agarrar a isso — quando digo que temos dores de crescimento e precisamos de ter este tempo”, prosseguiu.

O treinador lembrou que alguns dos reforços ainda se encontram em adaptação. Doumbia chegou da segunda divisão italiana, Sergi Altimira não atuava habitualmente como médio defensivo no Betis e Flávio Gonçalves foi promovido da equipa B, enquanto Rodrigo Zalazar já possui maior experiência no futebol português. “O crescimento vai acontecer e nós vamos nos adaptando também às características deles e a própria equipa também”, afirmou Rui Borges. “O Morita dava umas coisas, o Doumbia vai dar outras, mas diferentes. O Morita tinha 30 anos e este tem 21 ou 22, por isso o crescimento vai ter que existir ao longo do tempo.” O rejuvenescimento do plantel não reduz, segundo o treinador, a capacidade do Sporting para continuar a lutar pelos principais objetivos.

Rui Borges enquadrou a aposta em jogadores jovens na estratégia seguida pelo clube. “Sobre a média de idades, é perceber o projeto Sporting. Não é de agora, é de sempre. A média de idades dos reforços penso que anda à volta dos 21 anos. É uma equipa jovem. Tínhamos uma equipa mais madura, mas faz parte e para mim é desafiante. Eu gosto enquanto treinador”, afirmou. “Vamos continuar a ser um Sporting forte, com maior ou menor dificuldades, vamos tê-las, isso não me preocupa, faz parte do crescimento e do desafio”, garantiu.

Rui Borges lembrou que o Sporting tem sido competitivo nas últimas temporadas, independentemente da idade dos jogadores, e atribuiu à equipa técnica e à estrutura a responsabilidade de acelerar o crescimento dos reforços. “Se estão aqui é porque têm qualidades. Resta-nos a nós, enquanto treinadores e estrutura, fazê-los crescer e adaptar-se o mais rapidamente possível à exigência de lutar por tudo”, sublinhou. “E essa maturidade tem que se ir ganhando; quem ganhar mais rápido, mais oportunidades tem. Por isso, para mim, zero problema, pelo contrário: super motivante e desafiante em poder fazer crescer uma equipa nova dentro da exigência de um campeão”, acrescentou.

Relativamente à Liga dos Campeões, o treinador valorizou a terceira presença consecutiva dos leões na competição e estabeleceu como objetivo a continuidade do clube entre a elite europeia. “Sobre o objetivo para a Champions, realçar aquilo que têm sido os três anos de Sporting seguidos na Champions, continuar este crescimento e mantermo-nos entre os melhores da Europa. Queremos estar lá e bater-nos com os melhores. Isso é que nos tem que motivar”, declarou.

Antes da viagem a Vila do Conde, Rui Borges deixou vários avisos sobre as dificuldades que o Sporting encontrará diante do Rio Ave, equipa que considera forte fisicamente e perigosa nos duelos. “Um adversário difícil. Uma equipa muito competitiva, forte nos duelos e muito pragmática. É a segunda equipa com mais duelos ganhos e o jogador com mais duelos ganhos é o avançado. Isso demonstra bem a capacidade de bola longa e de ganhar o primeiro duelo”, analisou.

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