A apresentação dos convocados da Seleção Nacional para o Mundial foi feita nos mesmos moldes de outras convocatórias. São anunciados os nomes um a um e o selecionador, neste caso Roberto Martínez, sujeita-se depois às perguntas dos jornalistas sobre quem vai, quem não vai e devia ir.Desta vez o prato forte foi a ausência de nomes como António Silva ou Ricardo Horta, que foram notícia em Portugal e pouco mais, não só devido à sua parca dimensão internacional, mas também à falta de rasgo criativo da Federação Portuguesa de Futebol nestas apresentações. Como se pode ver pelo impacto obtido por outras congéneres com mais noção de marketing e de que o futebol também se joga fora das quatro linhas, que apresentaram vídeos que andam a ser partilhados mundo fora.Veja-se, por exemplo, o caso de Espanha. O facto de Luis de la Fuente ter decidido não levar nenhum jogador do Real Madrid foi notícia a nível mundial, o que se explica pela dimensão “galáctica” do clube. A questão de se, na realidade, o clube tem atualmente algum jogador espanhol que mereça uma presença na La Roja é algo que me ultrapassa, mas um facto indiscutível é que as notícias sobre esta convocatória espanhola foram para além disto, graças à participação do Rei Felipe VI no vídeo de apresentação. “Porque a seleção espanhola não pertence só aos que estão em campo”, diz o monarca..O regresso da Noruega a um Mundial, após 28 anos de ausência, também contou com um apoio de peso, o rei Harald V, que deixou uma mensagem de orgulho e unidade nacional em torno de Erling Haaland e do resto da equipa..Existem outros exemplos dignos de registo, como a França, ou a Escócia, que em vez de um rei tem o jedi Ewan McGregor, e a Chéquia, onde o nome dos jogadores foram revelados pelos seus familiares, ou o Uzbequistão e o Senegal, que criou um filme épico digno de Hollywood. Mas a minha favorita é a apresentação de Inglaterra, que decidiu brindar-nos com um verdadeiro tributo à sua cultura, em particular dos anos de 1960 e 1970, décadas em que os Três Leões viveram em glória graças ao Mundial de 1966, que organizaram e ganharam. E, em vez de Carlos III, decidiram pedir ajuda a outros reis... os Beatles..Pode ser que venhamos a ser ainda mais surpreendidos, pois a revelação das convocatórias ainda não terminou. E pode ser que para a próxima os convocados de Portugal sejam anunciados de forma mais criativa.