Portugal faz história em Taranto: 32 medalhas e um lugar entre os melhores do Mediterrâneo
Portugal despediu-se dos Jogos do Mediterrâneo de Taranto com o melhor resultado da sua ainda curta história na competição. Foram 32 medalhas — 16 de ouro, sete de prata e nove de bronze —, um registo que colocou a Equipa Portugal no oitavo lugar do medalheiro, atrás de Itália, Turquia, Grécia, França e Espanha.
Os números permitem uma leitura que vai bastante além do recorde absoluto de pódios. Portugal conquistou metade das medalhas no lugar mais alto do pódio, um dado que revela uma capacidade de transformar finais e oportunidades de medalha em vitórias. Num evento dominado pela anfitriã Itália, que terminou com 224 medalhas, 74 das quais de ouro, Portugal conseguiu instalar-se no grupo da frente de uma competição que reuniu 26 países.
A progressão portuguesa nas três participações nos Jogos do Mediterrâneo é clara. Na estreia, em Tarragona 2018, Portugal conquistou 24 medalhas — três de ouro, oito de prata e 13 de bronze — e terminou no 13.º lugar do medalheiro. Quatro anos depois, em Orã, na Argélia, elevou o máximo para 25 medalhas. Agora, em Taranto, chegou às 32, mais sete do que na edição anterior e mais oito do que na estreia.
Mas existe outro número ainda mais expressivo. Em Tarragona, apenas três das 24 medalhas foram de ouro. Em Taranto foram 16 em 32. Ou seja, Portugal não se limitou a aumentar o número de pódios: multiplicou por mais de cinco o número de títulos conquistados relativamente à estreia.
A comparação internacional ajuda a perceber a dimensão, mas também os limites, do resultado. Itália esteve num patamar completamente diferente, com 224 medalhas, enquanto a Turquia terminou com 111 e a Grécia com 71. França e Espanha também ficaram à frente de Portugal. Ainda assim, o sexto lugar coloca a delegação portuguesa imediatamente atrás de países com uma dimensão demográfica, tradição e profundidade desportiva muito superiores.
É precisamente aí que o balanço de Taranto ganha maior significado. Portugal dificilmente pode competir com Itália, França, Espanha ou Turquia em volume de atletas, estruturas e número de modalidades com tradição internacional. Pode, porém, aumentar a eficácia da participação. E os 16 ouros mostram que, quando os portugueses chegaram às decisões, conseguiram vencer com uma frequência assinalável.
A diversidade das medalhas é outro dos sinais positivos. O sucesso português não ficou concentrado numa única modalidade nem exclusivamente nos atletas que habitualmente ocupam o primeiro plano do desporto nacional.Canoagem, ciclismo, natação, atletismo, judo, karaté e futebol, entre outras modalidades, contribuíram para o resultado global, alargando a base de sucesso da missão portuguesa.
O atletismo foi particularmente importante na reta final. José Carlos Pinto venceu os 5000 metros e Omar Elkhatib sagrou-se campeão dos 400 metros, com 44,92 segundos, novo recorde dos Jogos e uma marca que fez dele apenas o segundo português a correr a distância abaixo dos 45 segundos. Patrícia Silva, nos 1500 metros, e Irina Rodrigues, no lançamento do disco, também chegaram ao ouro.
Houve igualmente resultados com um significado que ultrapassa a simples contabilidade. A seleção feminina sub-18 de futebol conquistou a primeira medalha portuguesa da modalidade nos Jogos do Mediterrâneo e fê-lo com o ouro, ao derrotar a anfitriã Itália por 4-0 na final.
Ana Rita Oliveira também escreveu história ao conquistar o ouro no kumite de +68 kg, garantindo a primeira medalha portuguesa no karaté em Jogos do Mediterrâneo. No final da competição, foi escolhida, juntamente com Omar Elkhatib, para transportar a bandeira portuguesa na cerimónia de encerramento.
A participação portuguesa terminou desportivamente esta quinta-feira com Mariana Machado a ser quinta classificada na meia-maratona, depois de já ter conquistado a medalha de prata nos 10.000 metros.
Os resultados de Taranto devem, ainda assim, ser analisados no contexto próprio dos Jogos do Mediterrâneo.Não estamos perante Jogos Olímpicos nem Campeonatos do Mundo e a densidade competitiva varia consideravelmente entre modalidades. Nem todos os melhores atletas dos países participantes estiveram presentes e uma medalha conquistada nesta competição não pode ser automaticamente projetada para Los Angeles 2028.
Mas o inverso também seria injusto. Ganhar 16 provas numa competição multidesportiva internacional e terminar no oitavo lugar entre 26 países é um indicador relevante da capacidade competitiva portuguesa, sobretudo quando o resultado é comparado com o passado recente.

