Poder estudar sem deixar de jogar futebol. Federação e BPI oferecem mais 20 bolsas universitárias
A dupla carreira e a importância de criar oportunidades e condições para que as jogadoras de futebol possam prosseguir os estudos sem deixarem de lado o sonho e o objetivo de serem jogadoras volta a unir a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Fundação "la Caixa" do BPI na atribuição de Bolsas de Estudo. As candidaturas para a atribuição de mais 20 bolsas universitárias a outras tantas futebolistas abriram hoje e terminam no dia 28 de novembro. Nas três primeiras edições foram atribuídas 49 bolsas.
"Queremos que as futebolistas possam ambicionar uma carreira desportiva de sucesso sem terem de colocar de lado a sua formação académica. Acreditamos que preparar o futuro passa também por proporcionar ferramentas e condições para que cada jogadora possa desenvolver todo o seu potencial, dentro e fora do campo", disse Sofia Teles, diretora da Federação Portuguesa de Futebol, destacando a parceria com o BPI no crescimento e promoção do futebol feminino em Portugal.
No arranque da 4.ª edição do Programa de Bolsas, esta terça-feira, dia 27 de outubro, na Cidade do Futebol, a dirigente defendeu que estes programas são fundamentais e ajudam a formar mais mulheres no futebol: "Vamos continuar a trabalhar para que mais jovens jogadoras consigam alcançar os seus sonhos e objetivos."
A ligação entre o BPI e a FPF iniciou-se em 2018 com um acordo alargado de patrocínio às seleções nacionais e o naming à principal competição feminina de futebol, a Liga BPI. "Queremos que as futebolistas não tenham de escolher entre o alto rendimento e a formação académica e que se possam preparar para a vida profissional depois do futebol. Ao fim de três edições concluídas e de quase meia centena de bolsas atribuídas, as bolseiras demonstraram que é possível conciliar a competição com os estudos, com enorme mérito”, afirmou Constança Macedo, diretora Executiva de Comunicação e Marca do BPI.
Existe um gabinete de apoio ao estudo em cada estágio da seleção
Presente no painel Formar para vencer, juntamente com José Mendes (diretor geral da FPF Academy), Ana Sá Costa (diretora de patrocínios do BPI) e Rita Fontemanha (ex-jogadora do Sporting), José Paisana (selecionador da seleção feminina sub-18), admitiu que a realidade atual nada tem a ver com o antigamente. "Hoje em dia é dada atenção ao estudo e existe um gabinete de apoio ao estudo em cada estágio da seleção, com um professor que ajuda as atletas a estudarem e a prepararem-se para testes por exemplo", revelou o técnico, confessando que as jogadoras sentem-se mais apoiadas e motivadas para o treino, sabendo que podem ter uma carreira desportiva e preparar uma carreira académica.
E Rita Fontemanha concordou que "o Desporto é a maior escola da vida", como disse José Mendes, mas é importante que as futebolistas percebam que é crucial ter formação académica no pós-carreira e não só porque há muitas atletas que não vivem do futebol. "É desafiante, implica gestão de tempo, mas é possível estudar e jogar ao mesmo tempo", disse a ex-jogadora do Sporting, que deixou de jogar em maio, aos 32 anos.
A gestão do tempo e das expectativas
No painel O futuro também se joga, as jogadoras Rita Melo (Sp. Braga), Laura Luís (Racing Power) e a selecionadora sub-16, Susana Bravo falaram da importância de gerir tempo, agenda e expectativas para serem bem sucedidas tanto na sala de aula como num campo de futebol e na vida. Para a selecionadora, "o sonho desportivo e a formação académica seguem lado a lado" graças também ao suporte familiar e ao facto das escolas estarem mais disponíveis para colaborar neste projetos de dupla carreira.
"Sempre gostei muito de estudar, era um bocadinho obsessiva com o estudo e por vezes a minha mãe tinha de me tirar os livros, depois o futebol feminino foi-se tornando algo mais sério e era importante para mim poder conciliar os estudos e o futebol", contou Rita Melo, jogadora do Sp. Braga e bolseira do programa, estando a estudar Gestão na Faculdade de Economia do Porto. Para ela, a falta de tempo e a colisão entre as avaliações académicas e os estágios e clube e seleção são o maior obstáculo, mas nunca a impediram: "Sempre senti a necessidade de conciliar com os estudos. A carreira é curta e muda muito rápido."
Laura Luís tem um mestrado em Gestão Desportiva e uma licenciatura em Educação Física, além de estar a tirar o curso de treinadora de futebol nível UEFA, além de jogar futebol profissionalmente no Racing Power da Liga BPI. Sente-se um exemplo, mas diz que mais importante do que investir na sua própria formação enquanto jogadoras e enquanto mulher, é poder servir e exemplo a uma nova geração de futebolistas mulheres, para que nunca desistam dos sonhos no campo e fora dele.
Andreia Faria, jogador do Al Nassr com licenciatura em Gestão e mestrado em Finanças, e Pauleta, capitã do Benfica com licenciatura e Mestrado em Química e um mestrado, enviaram mensagens por meio de vídeos, a encorajar ao estudo.
isaura.almeida@dn.pt

