Pedro Proença: “Estamos aqui para desafiar o futebol”
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Pedro Proença: “Estamos aqui para desafiar o futebol”

Presidente da FPF apresenta plano estratégico até 2032 com mudanças nas competições, criação de uma licenciatura de futebol e destaca legado de Cristiano Ronaldo na execução dos eixos programáticos.
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A Federação Portuguesa de Futebol apresentou o novo Plano Estratégico com horizonte até 2032, um documento que define a visão para o desenvolvimento do futebol nacional na próxima década e que reforça a continuidade do modelo de governação integrada e modernização estrutural do ecossistema do futebol português. O plano abrange todas as vertentes da modalidade — futebol, futsal, futebol de praia — articulando o trabalho entre federação, associações distritais, liga, clubes e estruturas técnicas, com o objetivo de garantir crescimento sustentado e competitividade internacional permanente. Contempla a apresentação de 366 medidas, sendo que até 2028 terão de estar implementadas 258. A Federação anunciou que 65 delas já iniciaram a fase de execução o ano passado.

“Nós estamos aqui para desafiar o futebol. Vamos mexer nos modelos competitivos. Os clubes das ligas profissionais entrarão nas Taças de Portugal numa fase mais tardia. A taça e a Supertaça vão ter uma nova roupagem. Queremos entrar nos mercados internacionais e por isso não fechamos a porta a novos modelos e a novos desafios”, referiu o presidente da FPF, Pedro Proença, sobre a possibilidade destas competições terem os jogos decisivos noutras geografias, como a Arábia Saudita.

Durante a apresentação, o líder federativo destacou que o futebol português vive um momento de afirmação dentro e fora do campo e que o novo ciclo estratégico pretende consolidar essa posição através de uma organização mais preparada, inovadora e próxima da sociedade. “Queremos ser a 5ª maior marca, com o objetivo de subir no ranking masculino e consolidar a subida no feminino. Devemos também capitalizar o ativo Cristiano Ronaldo para trazer novos jogadores”.

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Proença sublinhou também que a federação deve olhar simultaneamente para o rendimento desportivo, para a formação humana e para o impacto social do jogo, defendendo que o sucesso futuro depende da capacidade de criar um sistema sólido desde a base até às seleções nacionais. “A marca Cristiano Ronaldo funde-se completamente com o futebol português. Todos esperamos inda que o Cristiano jogue ujm par de anos. As duas marcas estão fundidas e trabalharão em conjunto. Mas o importante é perceber qual o legado que se vai deixar. O Cristiano tem um papael preponderante na geoestratégia e nas organizações que vão ser os próximos 3 campeonatos do mundo”,continuou o presidente da FPF.

Entre as prioridades estratégicas está o reforço do sistema de formação e da produção de talento, aprofundando a ligação entre academias, clubes e conhecimento científico aplicado ao treino. E por isso, Pedro Proença anunciou a criação de uma licenciatura em futebol que deverá ter início dentro de 2 anos e meio. “Temos uma aposta clara do que deve ser o conhecimento técnico e académico. A FPF Academy já está licenciada, por isso dizemos que a primeira licenciatura em futebol vai acontecer em Portugal. Já temos a 5ª fase do projeto da Cidade do Futebol em andamento para receber os futuros alunos”, continuou. 

O dirigente realçou que Portugal deve continuar a ser reconhecido mundialmente não apenas pelos resultados, mas pela qualidade do seu modelo formativo.

O crescimento estrutural do futebol feminino assume um papel central no plano. A federação pretende aumentar significativamente o número de praticantes, reforçar a profissionalização das competições e criar novas oportunidades para atletas, treinadoras e dirigentes. Pedro Proença salientou que o desenvolvimento do futebol feminino não é um projeto paralelo, mas uma dimensão essencial do futuro do futebol português, devendo atingir níveis de visibilidade, estabilidade e competitividade europeia comparáveis aos das restantes estruturas.

AFP

O documento reforça igualmente a modernização organizacional e tecnológica, incluindo digitalização, utilização de dados e valorização mediática das competições nacionais através das plataformas próprias da federação. A reorganização empresarial das unidades especializadas — comercial, infraestruturas, academia, fundação e eventos — pretende tornar a gestão mais ágil, diversificar receitas e potenciar a valorização do produto futebol. Para Pedro Proença é também importante “ter uma magistratura de influência em relação aos problemas com a segurança e nas alterações dos regulamentos disciplinares. Não é possível ter um futebol de melhor qualidade se não fizermos um investimento na arbitragem e na própria disciplina. Iremos intervir quando tivermos de o fazer, às vezes de uma forma mais pública, outras de uma forma mais privada”.

O plano integra ainda metas sociais e ambientais, promovendo inclusão, igualdade de oportunidades e responsabilidade comunitária. O presidente da federação referiu que o futebol deve ser um agente ativo de coesão social e educação, capaz de gerar impacto positivo para além dos resultados desportivos.

Com este Plano Estratégico até 2032, a FPF assume o compromisso de consolidar um modelo sustentável, competitivo e inclusivo, preparado para formar jogadores, profissionais e cidadãos. A mensagem final da apresentação foi clara: continuar a vencer hoje, mas sobretudo preparar quem vencerá amanhã, garantindo que o futebol português permanece uma referência internacional pela sua organização, valores e capacidade de inovação. “A marca da FPF vai exportar a sua imagem em termos internacionais através do Portugal Football Summit”, concluiu, afirmando que o plano estratégico agora apresentado será sempre “revisitado anualmente”.

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