Pedro Pichardo nasceu para saltar e só assim se explica a enorme facilidade com que o português mais uma vez se apurou para a final do triplo salto. Na verdade o atleta do ATL-Etica de Itália só precisou de um salto a 17,16 metros para garantir um lugar entre os 12 finalistas e assim ter a oportunidade de lutar por engrandecer o medalheiro pessoal e coletivo de Portugal. A final é este sábado (20h17, RTP2).Quando aterrou na caixa de areia deixou-se ficar como se estivesse descontraído na praia, uma imagem que tanto mostra a facilidade do apuramento em si como desafia os adversários a fazer mais e melhor. Andy Díaz, também nascido em Cuba e naturalizado italiano, saltou 17,06m e promete ser o seu maior rival que procura entrar no pódio dos mais medalhados do atletismo português.Uma lista liderada por Fernanda Ribeiro, a mais titulada do atletismo português, com 12 medalhas, incluindo o ouro olímpico em Atlanta 1996 , mais cinco medalhas em Mundiais (incluindo o ouro nos 10 mil metros em Gotemburgo 1995) e sete medalhas em Europeus (pista coberta e ar livre). Seguem-se Nelson Évora e Naide Gomes, com 11 pódios internacionais (Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus). A lenda do triplo salto, que no final do mês de julho se sagrou campeão nacional com 42 anos, arrecadou quatro medalhas em Mundiais (incluindo o ouro em Osaca 2007) e seis em Europeus além do título olímpico em Pequim2008.Naide Gomes arrecadou medalhas no salto em comprimento e no pentatlo, tendo sido campeão mundial em ambas, em 2008 e 2005 respetivamente.Rui Silva aparece na lista dos mais medalhados em 3.º lugar, com dez pódios, segundo informação da Federação Portuguesa de Atletismo. O mestre do meio-fundo conquistou um bronze olímpico, mais quatro pódios em Mundiais (um ouro nos 1500m em Lisboa 2001) e seis Europeus (ar livre e pista coberta). Logo a seguir aparece Pedro Pichardo com nove. O triplista campeão olímpico em Tóquio2020 é o único com seis ouros por Portugal e procura igualar Rui Silva no 3.º lugar do medalheiro individual e global. O bicampeão mundial (2022 e 2025) e duplo medalhado olímpico (ouro em Tóquio2020 e prata em Paris2024), têm ainda três títulos europeus (2021, 2022 e 2023), além de ter sido vice-campeão mundial indoor em 2022 e vice-campeão europeu em Roma2024.Rosa Mota, Carla Sacramento, Patrícia Mamona e Francis Obikwelu têm seis cada, enquanto Manuela Machado e Auriol Dongmo tem cinco cada. (ver tabela).O sonho do recorde mundialHá mais de uma década entre os melhores do mundo no salto triplo, Pichardo almeja mais um ouro europeu antes de atacar a qualificação para Los Angeles2028 e tentar igualar Viktor Saneev, o único com três medalhas olímpicas no triplo salto.E sem esquecer o sonho de bater o recorde do Mundo do triplo salto, os 18,29 metros estabelecidos, em 1995, pelo britânico Jonathan Edwards. “Estamos a trabalhar para passar os 18,30m pelo menos... acho que é possível chegar até os 18,50m”, confessou Pedro Pichardo, em agosto de 2024, ao site Olympics.com, revelando assim o desejo de “deixar um legado para lá das medalhas”. Será que o consegue em Birmingham após meses de muitas indefinição a nível desportivo e pessoal com a rescisão unilateral de contrato com o Benfica, a mudança para Itália e avisos sobre deixar de competir por Portugal? Segundo ele, tudo é possível, desde que estejam reunidas as seguintes condições: “O primeiro é estar bem fisicamente. Depois a cabeça tem que acompanhar o corpo, depois o ambiente... não pode estar muito calor, nem muito frio. Sem vento também... e a pista tem que ajudar.”O triplista, que em 2025 se tornou no primeiro atleta de Portugal a conquistar duas medalhas de ouro em campeonatos mundiais de atletismo soma nove pódios internacionais e sendo que três são de prata, um delas conquistada nos Europeus de Roma2024, onde fez a melhor marca como português (18,04 metros). O melhor salto e recorde pessoal ainda é aquele que fez por Cuba, em Havana, em 2015, antes de se naturalizar português, quando saltou 18,08 metros. .Fatoumata Diallo: "Não ponho limites aos meus objetivos. Quero uma medalha nos Jogos Olímpicos".Em conflito com o Benfica, Pichardo passa a competir pelos italianos do ATL-Etica