Paul Seixas já é nome a decorar pelos portugueses, mas também pelos fãs de ciclismo no mundo. O atleta de 19 anos da Decathlon CMA CGM alcançou na quarta-feira mais uma proeza ao ganhar a Flèche Wallonne, prova de um dia na Bélgica que antecede a Liège-Bastogne-Liège. Naturalmente, quem se sagra vencedor no Mur d’Huy é atleta apontado à vitória na Decana, no monumento destinado às Ardenas, que decorre no domingo. Num sprint desenfreado, em inclinações temíveis, fez diferenças e garantiu a vitória, sendo, portanto, rival de Tadej Pogacar e Remco Evenepoel para domingo, ambos já com vitórias neste mesmo monumento e que não estiveram na Flèche Wallonne. Seixas tornou-se o mais novo de sempre, em 90 edições de corrida, a ganhar a Flèche e deu sequência ao embalo que já conseguira com três vitórias de etapa e domínio no País Basco.Com Pogacar partilha a curiosidade de ter conquistado no mesmo local, com diferença de sete anos, a primeira vitória como profissional. Foi na Fóia, na Volta ao Algarve, que o esloveno despontaria para o mundo, com quatro Voltas a França, um Giro, dois Mundiais e 12 monumentos conquistados. Pode estar a caminho o futuro rival do atual dominador do ciclismo, sendo que a ligação de Paul Seixas a Portugal não se fica pela vitória na Fóia. Em 2022, enquanto se mostrava habilidoso na bicicleta para o ciclocrosse, passando, com sucesso, por lama, gravilha e estrada para ser campeão nacional de cadetes, o Programa Raízes, numa emissora radiofónica de Lyon, dava conta de que o apelido do jovem derivava do seu avô paterno, que já o trouxe a Portugal algumas vezes. O pai, Emanuel, antigo vice-campeão francês de karaté, é quem mais o acompanha na carreira, mas até agora, a própria equipa, a Decathlon, já desafiou o talento que tem em mãos a dizer algumas palavras na língua de Camões. No Algarve, manteve-se o conforto com o idioma do país onde nasceu, mas já revelou em várias entrevistas que quer aprender português. “É perfeito. É a minha primeira vitória profissional e ser em Portugal tem um significado especial”, disse em fevereiro, quando dedicou o triunfo à ascendência familiar.Franzino como um grande trepador deve ser, o título mundial de contrarrelógio de 2024 em juniores foi o cartão de apresentação e a prova de que é um ciclista completo, sendo potencialmente a maior pérola da nova geração. Foi terceiro nos últimos Europeus e a equipa que levou Jean-Christophe Péraud e Romain Bardet aos pódios na Volta a França não confirmou se é já este ano que Seixas vai estrear-se no Tour. Há pressão para que o jovem seja chamado e tente desafiar os 41 anos de jejum francês, desde Bernard Hinault, em vitórias da Volta a França. O mediatismo de Paul Seixas é tal que houve quem dissesse que o presidente francês Emmanuel Macron tivesse intercedido por uma possível manutenção do ciclista na equipa com a qual tem contrato até 2027. O rumor começou a ser lançado quando a UAE percebeu o talento que ali estava e tentou requisitá-lo, rompendo o contrato com uma indemnização choruda. Em França, estima-se que o orçamento da Decathlon possa chegar aos 40 milhões de euros para garantir que o jovem está seguro e acompanhado por colegas para a montanha. Seixas, ainda adolescente afastou-se de Lyon, da zona urbana, e passou a treinar junto às subidas de Anse. Carrega a esperança francesa e antepassados portugueses, acreditando que pode ser um dos maiores no ciclismo. .Ciclismo. Paul Seixas é o mais novo de sempre a vencer a Flèche Wallonne.Volta ao Algarve. Paul Seixas vence a segunda etapa e Juan Ayuso é o novo líder