Os mercados de previsão desportiva nos EUA estão a faturar como nunca
Em agosto e setembro não começam apenas muitas provas desportivas – começa também o mercado de previsão dessas mesmas competições. E este ano esses mercados estão maiores do que nunca, nomeadamente nos Estados Unidos, motor da economia mundial em geral e do setor em particular, com um volume diário de negociações consistentemente na casa dos milhares de milhões, duas bolsas dominantes e uma série de bolsas menores que procuram conquistar uma quota de mercado.
“Estamos a viver uma espécie de superciclo nos mercados de previsão”, disse ao CNBC, um canal de negócios, JB Mackenzie, vice-presidente e diretor-geral de futuros e mercados de previsão da Robinhood, na sequência do jogo entre New England Patriots e Seattle Seahawks que abriu uma nova temporada da NFL, a liga norte-americana do futebol local, numa desforra do Super Bowl de 2026.
“O outono pode ser crucial, especialmente para as plataformas mais recentes, este ciclo da NFL, sobretudo, é a chave para muitas empresas”, acrescentou Seni Thomas, CEO da EDGE Markets, uma empresa de tecnologia financeira que opera em apostas desportivas e mercados de previsão.
As bolsas maiores, Polymarket e Kalshi, já estão em intensa atividade promocional. A primeira lançou um anúncio com LeBron James, ícone do basquetebol que recebe 15 milhões anuais da plataforma, Eli Manning, antigo quarterback dos New York Giants, e Derek Jeter, lenda dos New York Yankees, como parte de uma campanha de marketing para a época de futebol americano. A empresa apresentou também um novo produto para a sua plataforma nos EUA, que permite aos utilizadores conversar, partilhar e negociar em conjunto na plataforma.
Já a Kalshi registou um volume recorde de 2,3 mil milhões de dólares negociados no primeiro dia da nova época do futebol americano universitário e lançou um recurso para que os especuladores que participaram nos mercados da temporada da NFL de 2025 possam acompanhar o seu desempenho antes do início da temporada. A empresa também expandiu as parcerias com equipas desportivas individuais antes da época dos playoffs da MLB, a liga de basebol.
As plataformas estão a investir cada vez mais em desporto, mesmo enquanto travam batalhas judiciais com estados de todo o país que alegam que os contratos de eventos desportivos equivalem a jogo e, portanto, deveriam estar sob a sua jurisdição reguladora, em vez da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), o órgão fiscalizador de Wall Street.
“Operamos de acordo com as regulamentações da CFTC e continuaremos a fazê-lo”, disse Ari Borod, presidente de desenvolvimento de negócios desportivos da Polymarket, em agosto, antes de anunciar uma parceria com os New York Yankees. “Trabalharemos com as partes interessadas para oferecer um produto seguro e fiável”, acrescentou.
Entre as menores, a atividade também segue a todo o vapor. “Implementar todos estes desportos é um grande desafio”, explicou Thomas Chippas, CEO da Rothera, uma plataforma de mercado de palpites desenvolvida numa joint-venture entre o Susquehanna International Group e a Robinhood. “Estamos no ar apenas desde a última semana de maio, por isso avançamos o mais rápido e prudentemente possível”, frisou. A Rothera viu o volume de vendas disparar 286% após entrar em funcionamento a tempo do Mundial da FIFA.
