“O Open de Portugal em golfe tem de deixar um legado em Cascais”
Paulo Spranger

“O Open de Portugal em golfe tem de deixar um legado em Cascais”

Presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes garante avaliações públicas do impacto económico e social do torneio e quer aproximar o golfe das escolas, dos jovens e das famílias do concelho.
Publicado a
Atualizado a

O regresso do Open de Portugal ao DP World Tour, entre 2027 e 2029, é visto pela Câmara de Cascais como uma oportunidade para reforçar a projeção internacional do concelho e criar impacto real na economia local. Nuno Piteira Lopes, presidente da autarquia, compromete-se a tornar públicos, após cada edição, os resultados alcançados na hotelaria, restauração, comércio e emprego. Defende ainda que o torneio só será plenamente bem-sucedido se deixar um legado para os cascalenses, em particular para crianças e jovens.

Grandes eventos internacionais trazem visibilidade, mas também exigem retorno público. Que metas se compromete a apresentar para medir o impacto deste torneio na hotelaria, na restauração, no comércio local e na criação de emprego?

O regresso do Open de Portugal ao DP World Tour é uma oportunidade muito importante para Cascais. Estamos a falar de um dos grandes circuitos internacionais de golfe.

Temos referências internacionais relevantes: um torneio do DP World Tour representa, em média, cerca de 7,6 milhões de dólares de impacto económico direto e mais de quatro mil dormidas em hotel. São dados de referência do circuito, não uma previsão fechada para Cascais, mas dão-nos uma dimensão clara da oportunidade.

O compromisso que assumo é que, após cada edição, Cascais fará uma avaliação do impacto económico e social do torneio, com resultados públicos relativos às dormidas, à restauração, ao comércio e ao emprego.

O objetivo é que o efeito ultrapasse os quatro dias de competição. Queremos que jogadores, equipas, espectadores e empresários conheçam Cascais, regressem e recomendem o destino.

O acordo para o período entre 2027 e 2029 permite trabalhar com uma perspetiva de médio prazo. Após cada edição, vamos avaliar os resultados e melhorar. É assim que gerimos em Cascais: medimos, avaliamos e melhoramos.

Como evitar que este regresso seja visto apenas como um evento para visitantes e praticantes de elite? Que medidas vai Cascais promover para aproximar o golfe das escolas, dos jovens e das famílias do concelho?

Os primeiros beneficiários deste evento têm de ser os cascalenses. Um torneio desta dimensão só cumpre plenamente o seu propósito se aproximar o golfe de quem cá vive, em particular das crianças e dos jovens.

Vamos trabalhar para que o evento tenha uma componente de aproximação às escolas, aos clubes, aos jovens e às famílias, criando oportunidades de contacto com o golfe e com os valores associados à modalidade.

Um dos grandes méritos deste compromisso de três anos é permitir construir, de forma progressiva, um verdadeiro legado local em torno do evento, nas escolas, nos clubes e na relação dos cascalenses com o golfe.

Considera que o regresso do Open de Portugal ao principal circuito europeu confirma a capacidade de Portugal — e, em particular, de Cascais — para receber grandes competições internacionais e reforçar a sua posição no turismo desportivo de qualidade?

Estamos a falar de um torneio transmitido em 172 territórios, com um alcance potencial de 572 milhões de lares, segundo dados da organização. Como o circuito controla a sua própria produção televisiva e integra conteúdos do destino em todos os dias de transmissão, esta montra não se esgota na semana da competição: projeta Cascais ao longo de todo o ano.

O golfe tem aqui uma importância particular. O turista de golfe fica, em média, 70% mais tempo no destino e consome duas a três vezes mais por dia do que o turista convencional. Além disso, o efeito prolonga-se: mais de metade dos golfistas europeus com menos de 45 anos afirma ter maior probabilidade de visitar um destino que recebeu uma prova do circuito.

A nossa estratégia não é procurar apenas mais visitantes; é atrair os visitantes certos: os que ficam mais tempo, têm melhor comportamento de consumo e regressam.

Cascais é a marca territorial mais valiosa do país e este evento está alinhado com o posicionamento do concelho como destino de excelência para o turismo, o desporto e os grandes acontecimentos internacionais.

Mas há uma leitura que vai além de Cascais. Este regresso só foi possível porque as instituições cooperaram: Turismo de Portugal, autarquia, entidades regionais de turismo e Federação Portuguesa de Golfe. Quando o país trabalha em rede, Portugal consegue competir ao mais alto nível. Cascais tem orgulho em ser palco dessa demonstração.

Diário de Notícias
www.dn.pt