Novas regras no futebol: "Tem de haver coerência", alerta Nandinho
Nandinho aprova as novas medidas destinadas a reduzir as perdas de tempo e aumentar a fluidez dos jogos, mas considera fundamental que sejam aplicadas de forma coerente e sem deixar abertas formas alternativas de provocar interrupções deliberadas.
As alterações às Leis do Jogo para 2026/27 reforçam o combate às demoras nas substituições, reposições de bola e assistência a jogadores, procurando aumentar o tempo efetivamente jogado.
“Tudo o que seja melhorar o jogo, para que o jogo tenha mais dinamismo, não haja tantas paragens, para que o tempo útil do jogo seja maior” merece a concordância de Nandinho, que lembra que os adeptos querem assistir a um espetáculo e que as interrupções constantes acabam por quebrar o ritmo.
Entre as medidas está o limite de dez segundos para um jogador substituído abandonar o terreno de jogo depois de indicada a substituição, ressalvadas as exceções previstas. Caso demore deliberadamente mais do que esse período, a entrada do substituto fica condicionada durante o minuto seguinte de jogo.
Também passam a existir mecanismos mais apertados contra atrasos deliberados em lançamentos laterais e pontapés de baliza, podendo o árbitro iniciar uma contagem visual de cinco segundos quando considerar que a reposição está a ser injustificadamente retardada.
Outra das medidas determina, em determinadas circunstâncias, que um jogador de campo assistido dentro do relvado permaneça fora durante um minuto depois de o jogo recomeçar, existindo exceções previstas nas Leis do Jogo.
Nandinho concorda com o princípio, mas aponta aquilo que considera uma brecha: as interrupções provocadas por guarda-redes que alegadamente se deixam cair para permitir ao treinador transmitir indicações à equipa. “Se um guarda-redes se atirar para o chão, o guarda-redes é obrigado a interromper o jogo, porque não pode sair do campo”, observa. O treinador apresenta, por isso, uma proposta própria: quando não existir uma razão evidente para a assistência ao guarda-redes e a interrupção for entendida como uma forma de parar deliberadamente o encontro, a equipa deveria ficar durante um minuto sem um jogador de campo.
Nandinho considera que esse jogador poderia ser o capitão. “É o responsável da equipa dentro do campo”, argumenta, acreditando que a possibilidade de jogar temporariamente em inferioridade numérica faria treinadores e guarda-redes pensarem duas vezes antes de utilizarem uma alegada lesão para criar uma pausa tática.
Esta solução é uma proposta pessoal de Nandinho e não integra as atuais Leis do Jogo.
O treinador ressalva igualmente que uma verdadeira lesão ou um choque que obrigue à assistência do guarda-redes não poderia ter qualquer consequência disciplinar deste género.
“Quando há um choque entre o guarda-redes e um jogador, aí é obviamente um caso que é natural, é normal, aí faz todo o sentido e ninguém tem que ser penalizado”, esclareceu.
Nandinho admite, aliás, que os próprios treinadores podem beneficiar de uma interrupção. Uma equipa que esteja a atravessar um período de dificuldades pode aproveitar uma pausa para receber indicações e reorganizar-se.
Ainda assim, considera que o interesse do jogo deve prevalecer. “Desta vez pode-me penalizar a mim, da próxima vez vai-me beneficiar”, afirmou, defendendo regras iguais para todos.
O treinador mostra também reservas em relação às pausas para hidratação quando as condições climatéricas não as justificam. Aceita-as quando existem temperaturas elevadas ou condições particularmente exigentes para os jogadores, mas considera contraditório criar medidas para aumentar o tempo útil e, simultaneamente, introduzir interrupções quando não são necessárias. “Ou somos coerentes ou não somos”, resume Nandinho.
Para o treinador, o sentido das mudanças é positivo: reduzir as perdas de tempo, aumentar a continuidade e proporcionar mais futebol aos adeptos. O desafio, entende, está agora em garantir que as regras são aplicadas com a mesma lógica em todas as situações e que não surgem novas formas de contornar aquilo que pretendem combater.

