Nandinho defende uma utilização mais humana do VAR e considera que a tecnologia não deve retirar aos árbitros a capacidade de interpretar o contexto de cada lance. A posição surge na sequência do lançamento, esta terça-feira, pela UEFA, da plataforma Clear Line, uma base de dados destinada a promover maior uniformidade nas decisões de arbitragem e na aplicação das Leis do Jogo nas competições europeias. A ferramenta reúne mais de 150 situações e pretende fornecer referências aos árbitros sobre diferentes decisões, incluindo a utilização do videoárbitro, mantendo o princípio de que o VAR deve intervir perante erros claros e evidentes.Questionado sobre a necessidade de evitar que a tecnologia transforme o futebol num exercício excessivamente rígido, Nandinho concorda com essa preocupação e recupera uma proposta que apresentou há alguns anos. “Coloquei uma questão. Por que razão não estava junto aos árbitros que estão a analisar o VAR um ex-jogador de futebol, que tem um conhecimento profundo, que tem mais sensibilidade?”, recordou o treinador.A ideia de Nandinho passa por recorrer à experiência de antigos futebolistas para ajudar a interpretar determinados movimentos, sobretudo dentro da área, onde a existência de contacto nem sempre significa, na sua perspetiva, que tenha sido o defesa a provocar a infração.Antigo extremo, Nandinho utiliza a própria experiência como exemplo. “Eu conseguia sacar tantos penáltis, que era eu que os sacava, não eram as defesas que o faziam, era eu que os provocava”, explicou.Para o treinador, é precisamente este conhecimento dos movimentos dos jogadores que pode acrescentar uma perspetiva diferente à análise das imagens. Uma repetição permite identificar um contacto, mas nem sempre será suficiente para compreender quem o procurou ou de que forma nasceu.Nandinho deixa, porém, claro que não pretende entregar qualquer poder de decisão aos antigos jogadores. A responsabilidade continuaria a pertencer aos árbitros, funcionando o ex-futebolista apenas como elemento de apoio.“Não é ser ele a tomar a decisão, mas ajudar no entendimento”, esclareceu. “Acho que faria todo o sentido. É a minha opinião.”O treinador também defende maior ponderação nas situações de bola na mão dentro da área, entendendo que é necessário analisar toda a dinâmica da jogada e não apenas verificar se a bola atingiu ou não o braço do defesa.Como exemplo, aponta uma situação em que a bola atinge o braço quando segue em sentido contrário à baliza e não existe uma ocasião iminente de golo. “Há lances que têm que ser ajuizados com mais cuidado e mais sensibilidade”, sustentou.Nandinho não coloca em causa a existência do VAR. Pelo contrário, entende que a tecnologia pode continuar a ser uma ferramenta importante para reduzir erros de arbitragem. O que defende é que as imagens não substituam a interpretação do jogo nem transformem todos os contactos em decisões automáticas.Uma visão que acompanha a preocupação manifestada pela UEFA em preservar o papel do árbitro e reservar a intervenção do VAR para situações em que exista evidência suficientemente clara para alterar uma decisão tomada no relvado..Nandinho conduz Al Muharraq ao bicampeonato de futebol do Barhein