Ricardo Machado considera que a preparação portuguesa permite encarar a competição com confiança.
Ricardo Machado considera que a preparação portuguesa permite encarar a competição com confiança.Foto: Federação Portuguesa de Canoagem

"Não prometemos medalhas, mas temos barcos para lutar pelos lugares da frente"

Ricardo Machado, presidente da Federação Portuguesa de Canoagem assume a ambição para os Mundiais de Poznań, que começam esta quarta-feira, mas lembra que a prioridade passa por Los Angeles 2028. 
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Portugal chega aos Campeonatos do Mundo de canoagem de velocidade de Poznań, na Polónia, com o peso dos resultados alcançados nos últimos anos, mas também com a ambição de voltar a estar entre as principais potências da modalidade. Ricardo Machado, presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, não foge às expectativas criadas pelo desempenho dos atletas nacionais e admite que há embarcações com capacidade para discutir as medalhas, embora coloque como prioridade a obtenção de pontos importantes para o apuramento olímpico.

"Não fugimos dessa responsabilidade", garante, reconhecendo que os resultados recentes colocaram a fasquia elevada. Mas, numa competição particularmente relevante para o ranking de qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, há também contas que ultrapassam aquilo que acontecer no pódio em Poznań. "O objetivo principal é amealhar o maior número de pontos possível, para que possamos chegar ao fim do próximo ano e ter o maior número de barcos em termos de quotas de apuramento olímpico", explica Ricardo Machado.

A ambição por medalhas existe, naturalmente, sobretudo porque Portugal apresenta atletas e embarcações que já provaram ser capazes de competir com os melhores do mundo. O presidente da Federação prefere, porém, não transformar expectativas em promessas. "Nunca prometemos medalhas porque achamos que não podemos prometer aquilo que não depende só de nós", sublinha.

Ricardo Machado considera que a preparação portuguesa permite encarar a competição com confiança. "O nosso trabalho está feito, todas as condições que tiveram em termos de preparação foram dadas e os atletas estão num bom momento de forma", assegura, antes de recordar que os adversários fizeram exatamente o mesmo. Por isso, a pressão que acompanha a seleção é encarada com naturalidade. "É uma pressão positiva, é a pressão daquilo que têm sido os resultados deles e do seu trabalho."

A seleção portuguesa apresenta-se em Poznań com 16 atletas e com duas missões distintas. Se uma parte da equipa está preparada para discutir desde já os primeiros lugares, outra representa a aposta no futuro, sobretudo no setor feminino. "Temos aqui um grupo de atletas que objetivamente vai lutar pelos lugares da frente, é esse o objetivo deles e o nosso, não há que fugir a isso", assume Ricardo Machado, que destaca depois a presença de "atletas muito jovens" a quem a Federação pretende proporcionar competição e experiência internacional.

É uma renovação que o dirigente considera indispensável para prolongar a regularidade internacional da canoagem portuguesa. E o K4 masculino é apontado como exemplo dessa transição, juntando atletas mais jovens a outros mais experientes. Uma embarcação particularmente importante na avaliação da força de uma seleção. "Costumamos dizer que é no K4 que se mede a potência de um país", afirma.

Comité Olímpico de Portugal

A competitividade é, porém, extrema e as diferenças medem-se em frações de segundo. Ricardo Machado lembra que, no último Mundial, seis ou sete embarcações terminaram separadas por apenas meio segundo. É por isso que o presidente da Federação admite todos os cenários para o K4 português, incluindo a possibilidade de voltar ao lugar mais alto do pódio. "Podem renovar o título de campeões do mundo, como podem ficar fora das medalhas. É uma luta muito difícil, mas estaremos lá, com toda a certeza estaremos na luta."

Se há um nome incontornável quando se fala das possibilidades portuguesas, esse nome é Fernando Pimenta. Ricardo Machado acredita que o canoísta continua a desafiar o tempo e a demonstrar capacidade para permanecer entre a elite internacional. "O Fernando é um superatleta. Acho que não há adjetivos para aquilo que ele tem conseguido e para a longevidade que tem conseguido manter na sua carreira", elogia.

O dirigente destaca ainda a capacidade de Pimenta para competir em diferentes distâncias e disciplinas, considerando-o "dos atletas mais polivalentes do mundo" e "um ídolo em termos da canoagem mundial". 

Poznań será igualmente um momento de avaliação para a estratégia portuguesa rumo a Los Angeles. Depois destes Mundiais, a Federação fará contas ao desempenho das diferentes embarcações e às possibilidades de cada uma no processo de qualificação. "No final iremos reunir com a equipa técnica e ver quais são efetivamente os barcos que estão em condições de poder lutar pelas vagas para o próximo ano e fazer a definição de objetivos para a próxima época", revela o presidente.

A intenção é conseguir o maior número possível de quotas através do ranking global e evitar depender das poucas vagas que ficarão disponíveis posteriormente através da qualificação europeia. 

A capacidade de Portugal para se manter regularmente entre os melhores, apesar de competir com países dotados de mais recursos, não resulta, segundo Ricardo Machado, de uma fórmula secreta. "A palavra principal é trabalho. É um trabalho de longa data, um resultado que vem de há muito tempo", responde.

O presidente da Federação começa por destacar aquilo que é feito nos clubes e o contacto que a canoagem portuguesa mantém há muitos anos com algumas das melhores seleções e métodos de trabalho internacionais. Portugal recebe regularmente equipas estrangeiras em estágio, uma realidade que permitiu aos treinadores nacionais acompanhar a evolução da modalidade ao mais alto nível. A isso junta-se, segundo Ricardo Machado, a existência de alguns dos melhores construtores de barcos do mundo.

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