Messi despede-se da Argentina numa noite preparada para celebrar um génio
JUAN IGNACIO RONCORONI/EPA

Messi despede-se da Argentina numa noite preparada para celebrar um génio

Capitão joga esta terça-feira no Monumental de Buenos Aires, no último encontro pela seleção. Estádio cheio e homenagem aos campeões do mundo transformam a despedida num acontecimento nacional.
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Lionel Messi despede-se esta terça-feira da seleção argentina, numa noite que Buenos Aires preparou para ser muito mais do que um jogo de futebol. A Argentina recebe o Benim, no Estádio Monumental, a partir das 20.00 locais — meia-noite de quarta-feira em Portugal continental —, naquele que será o 208.º e último encontro do capitão pela Albiceleste, encerrando uma ligação de mais de duas décadas à camisola que acabou por lhe dar a consagração definitiva.

O Monumental, casa do River Plate e estádio maior do país, estará lotado para receber cerca de 85 mil espectadores. Os bilhetes esgotaram em cerca de hora e meia, numa procura que confirma a dimensão emocional de uma despedida há muito antecipada, mas que a Argentina nunca quis imaginar tão próxima. Messi anunciou o adeus à seleção a 31 de agosto, depois do vice-campeonato mundial conquistado no verão, e a Associação de Futebol Argentino organizou uma última noite em casa para o seu capitão.

A cidade de Buenos Aires montou uma operação especial de segurança e mobilidade em redor do Monumental e da Cidade Universitária, onde decorrerá a Fan Fest oficial “Gracias, Leo”. O espaço, situado a poucos minutos do estádio, terá transmissão em direto do encontro, zonas de restauração, atividades para adeptos e uma oportunidade para fotografias junto dos grandes troféus conquistados pela Argentina: o Mundial, a Copa América e a Finalíssima. A linha D do metro de Buenos Aires prolongará o horário de funcionamento para facilitar a saída do público no final da partida.

A homenagem começará antes do apito inicial. A AFA convidou os campeões do mundo de 2022, acompanhados pelas respetivas famílias, para uma celebração que pretende reunir a geração que devolveu ao país o título mundial 36 anos depois do triunfo de 1986. Ángel Di María, um dos grandes companheiros de Messi neste percurso, estará entre as figuras chamadas a partilhar a noite, tal como vários jogadores que ajudaram a transformar uma equipa tantas vezes ferida em finais perdidas numa seleção vencedora.

Lusa

A própria camisola foi pensada como peça de memória. Messi utilizará uma versão especial do equipamento argentino, com pormenores dourados no emblema, no nome e no número 10, concebida para assinalar a derradeira apresentação do futebolista com as cores celestes e brancas. “Último jogo… uma camisola para a vida”, escreveu o avançado ao revelar o modelo.

O adversário será o Benim, 89.º do ranking mundial, numa partida amigável que encerra uma série de três jogos da Argentina nesta janela internacional. A equipa orientada por Lionel Scaloni venceu a Bolívia por 4-0 e o Burkina Faso por 7-0, encontros em que Messi não participou, reservando a presença do capitão para a despedida perante o seu público. A seleção africana, treinada pelo alemão Gernot Rohr, chega a Buenos Aires consciente de que estará no outro lado de uma noite histórica, mas com o objetivo de competir.

Messi deixa a seleção como o jogador com mais internacionalizações e o melhor marcador da história da Argentina: 207 jogos, 125 golos e 68 assistências. Estreou-se em 2005, com apenas 18 anos, num encontro frente à Hungria marcado pela expulsão poucos segundos depois de entrar, e atravessou todas as fases possíveis de uma carreira internacional: da desconfiança e das comparações permanentes com Diego Maradona à condição de símbolo consensual de um país.

Pelo caminho, viveu derrotas que pareciam definir uma geração, como a final do Mundial de 2014 e as finais da Copa América de 2015 e 2016, antes de encontrar a resposta que faltava. A Copa América de 2021, no Brasil, quebrou uma espera de 28 anos por um grande título argentino; seguiu-se a Finalíssima de 2022 e, meses depois, a conquista do Mundial no Qatar, numa final épica frente à França que o colocou definitivamente no centro da história do jogo. Voltaria a vencer a Copa América em 2024 e despede-se depois de ter conduzido a Argentina até à final do Mundial de 2026.

Não são apenas os títulos, os recordes ou os oito prémios de melhor jogador do mundo que explicam a dimensão de Messi. O seu génio foi sempre o de fazer parecer simples aquilo que os outros nem chegam a imaginar: receber entre linhas, acelerar com a bola colada ao pé esquerdo, descobrir um passe onde não existia espaço ou decidir uma final sem perder a serenidade. Foi um futebolista de números extraordinários, mas também de gestos irrepetíveis, capaz de transformar a inteligência num espetáculo e a pressão num lugar de criação.

A Argentina despede-se do jogador que levou uma geração a acreditar de novo, que completou o legado que lhe era exigido e que, entre lágrimas, vitórias e tropeços, passou de prodígio a património nacional. Esta noite, no Monumental, haverá um jogo frente ao Benim. Mas será sobretudo a última celebração de Lionel Messi com o país que fez dele um dos maiores génios da história do futebol.

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