Mbappé perde contratos publicitários na China após polémica sobre Mao Tsé-Tung
Kylian Mbappé está no centro de uma polémica na China, onde várias marcas anunciaram esta terça-feira, 27 de outubro, o fim das parcerias comerciais com o futebolista francês. A decisão surge depois da divulgação de um vídeo em que o avançado do Real Madrid parece referir-se a Mao Tsé-Tung, antigo líder chinês, como um "ditador". A autenticidade das imagens, contudo, não foi confirmada, de acordo com a Reuters.
No vídeo, que começou a circular nas redes sociais na segunda-feira (26), Mbappé é ouvido a comentar uma montagem humorística em que o seu rosto aparece sobreposto ao de Mao, fundador da República Popular da China, falecido em 1976. O jogador teria descrito a montagem como a mais engraçada que viu de si próprio, referindo-se à figura retratada como "um tipo que acho que é um ditador chinês".
Entre as empresas que anunciaram o fim imediato da colaboração com Mbappé estão a Mengniu e a Shanghai Milkground Food Tech, do setor dos laticínios, e a fabricante de bebidas Eastroc Beverage. As marcas afirmaram ter "tolerância zero" perante declarações ou comportamentos que considerem ofensivos para o povo chinês.
A polémica chegou também à televisão estatal chinesa, que suspendeu as transmissões dos jogos e eventos relacionados com a liga espanhola e com Mbappé, segundo o jornal chinês The Paper, citado pela Reuters. Os anúncios publicitários protagonizados pelo internacional francês foram igualmente retirados.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais chinesas. Na manhã desta terça-feira, quatro dos dez assuntos mais pesquisados na plataforma Weibo estavam relacionados com Mbappé, com alguns utilizadores a defenderem um boicote ao jogador. O jornal Global Times, ligado ao Estado chinês, criticou as alegadas declarações, defendendo que não é aceitável beneficiar comercialmente do mercado chinês sem respeitar o país.
As montagens que colocam o rosto de Mbappé sobre imagens de líderes políticos e militares tornaram-se populares na Internet durante a disputa do Mundial 2026, numa referência à influência que o jogador alegadamente exerce nas equipas por onde passa.
Numa entrevista ao jornal francês L'Équipe, no mês passado, no entanto, o avançado já tinha criticado algumas dessas imagens, considerando que as comparações com ditadores revelavam falta de consciência política e humana.
Questionado sobre a polémica, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que palavras e comportamentos que ofendam os sentimentos do povo chinês encontrarão naturalmente oposição na sociedade. O Real Madrid e a La Liga ainda não se posicionaram sobre o assunto.

