O Sporting tem o tricampeonato encaminhado, continua invicto no Nacional de Andebol e está nos quartos de final da Liga dos Campeões. E não há quem olhe para os leões sem falar na família Costa - o pai e treinador Ricardo Costa, antigo jogador da seleção, e Martim e Kiko Costa, laterais. Esta terça-feira o destaque era tal que se dava como provável pelos jornais alemães Bild e Sport.de que existisse para breve uma proposta do Flensburgo, vencedor de três Bundesligas e das últimas duas Ligas Europeias, para a contratação dos três. Kiko já tinha sido nome apontado mas para o Barcelona, pelo jornal Mundo Deportivo, nesta caso para retocar o plantel em 2027/28.O contrato até 2030 dos irmãos com o Sporting pode não ser suficiente para travar a saída, pois existem cláusulas de rescisão acima dos 500 mil euros, pelo que o DN pôde apurar. Ainda assim, um possível anseio de mudança de ares não acontece só pelo aumento salarial associado, que poderá levar os irmãos para o milhão de euros anual, mas principalmente pela progressão como jogadores em ligas mais competitivas. Hoje os irmãos Costa estão num patamar onde nunca outro jogador português chegou: são colocados pela imprensa desportiva especializada da Europa no lote de dez melhores jogadores da modalidade, mesmo tendo em conta que Luís Frade, por exemplo, já ganhou três Ligas dos Campeões e cinco campeonatos pelo Barcelona.Martim, de 23 anos, foi considerado o melhor lateral-direito do Mundial de Sub-19, onde Portugal foi quarto e o mais forte lateral-esquerdo no Europeu de sub-20 (em ano de prata para as Quinas). Em elites, foi nomeado melhor lateral-esquerdo no Europeu e dividiu o topo dos goleadores com Mathias Gidsel (54 golos), numa campanha que terminou com o 7.º lugar para Portugal. Nesse ano de 2024, foi eleito o melhor jovem da Taça EHF. No último Mundial, em 2025, integrou o 7 ideal da competição como central, posição que é habitualmente de Rui Silva. Foi tal o destaque individual na histórica campanha até ao 4.º lugar que a organização destacou o lateral noutra posição. .Kiko, nascido em Espinho, tem, como o irmão, três campeonatos conquistados (um no FC Porto, dois no Sporting), cinco Taças de Portugal (uma no FC Porto, quatro no Sporting) e três Supertaças pelos leões, mas, dois anos mais novo, já colecionou semelhantes destaques individuais. Foi o melhor ponta-direita, com 16 anos, a jogar no Europeu de Sub-19, onde Portugal foi 6.º, e ganhou o prémio de melhor lateral-direito no Europeu de Sub-20 de 2022. Em elites, foi o melhor jovem do Mundial de 2025, no qual Portugal foi 4.º classificado. Já neste ano de 2026, foi o melhor jovem, melhor lateral-direito e terceiro melhor marcador do Europeu (Portugal foi 5.º). Inevitavelmente, os dois melhores resultados em Europeus e Mundiais mostram que Portugal está, como nunca esteve, perto de uma final internacional e o sonho, esse, é alavancado pelos laterais, irmãos de 23 e 21 anos, formados no Colégio dos Carvalhos, hoje Colégio Internato Claret, antes de seguirem para o FC Porto, rumando depois ao Sporting como parte da negociação com o treinador e pai, Ricardo Costa.O Diário de Noticías revisitou a infância dos irmãos, de diferentes personalidades, mas com um traço comum: o andebol. “O Martim esteve no Colégio até ao 12.º ano, o Kiko entrou com 6 ou 7 anos no andebol e depois ficou a estudar até ao 10.º, antes de irem para Lisboa. O Martim sempre foi mais metódico, autónomo. O Kiko é um jogador mais criativo, mais imprevisível e sempre meteu o andebol à frente de tudo, às vezes tínhamos de o avisar um bocadinho [risos]”, pormenoriza Raúl Martins, que foi treinador de futebol do pai e professor de Educação Moral Religiosa e Cristã dos irmãos no percurso escolar.Nenhum se portava mal, garante. O antigo seminarista, que pretendeu ser missionário, destaca que “sempre acompanhou o desporto” e que o sucesso escolar anda ao lado dessa atividade. Explica a razão para o Colégio dos Carvalhos ser um viveiro de talentos. Ricardo Costa saíra de lá, tal como Eduardo Filipe. “Não me viam como padre, professor. Têm noção de que os professores fazem parte de uma comunidade quase familiar. Levamo-los aos jogos, vemos os treinos deles”, vinca, concretizando: “Temos sorte pela possibilidade de estes miúdos virem para cá estudar, porque não podemos recrutar. Tivemos grandes treinadores, desde o professor Magalhães a Luís Graça. Mas a diferença é que nos intervalos de almoço, do meio da manhã, eles pegam na bola e vão praticar para o recreio. É como se trouxéssemos a rua para a escola. Não precisam de fazer quilómetros para irem treinar ao fim do dia. Estão a divertir-se e respiram andebol.”Raúl elogia Ricardo Costa por nunca ter sido “obcecado” com o desenvolvimento dos filhos, considerando “natural o foco para o andebol”, porque tanto Ricardo como a mãe Cândida foram internacionais. “O Kiko, então, só via andebol. E ainda, para mais, via o irmão também”, revela, confidenciando que os dois “jogaram sempre acima do escalão para terem desafios apropriados” e que o pai Ricardo, “que também é canhoto”, foi decisivo para ensinar a Kiko “a melhor forma de deambular para ser um grande lateral-direito.”Apesar de haver ginásio para “melhorar competências físicas”, Raúl identifica que os irmãos sempre se destacaram “pela ginástica de pensamento”, mais do que por serem “portentos físicos”. No andebol que é hoje “joia da coroa” no Colégio, “todos querem ser como eles.” Agora o plano, diz, é que a Associação Desportiva dos Carvalhos, criada em 2021, chegue à I Divisão. Está em primeiro na Divisão de Honra, a caminho do objetivo. “O FC Porto e outros clubes vieram sempre abastecer-se aqui, tal como no Águas Santas ou no Gaia, recrutando a partir dos 14 ou 15 anos. Mas agora queremos ter uma equipa com jovens do clube nos seniores e na I Divisão”, retrata, confessando que é “sportinguista”, mas que “sempre torceu pelos vários miúdos que estão no FC Porto”.Considera que a saída dos leões se pode justificar para os irmãos “melhorarem as performances”, além de serem “muito novos.” Já adolescentes, na formação do Porto, Kiko e Martim prosseguiram os estudos no Colégio até rumarem a Lisboa. São vizinhos e “visitam regularmente o espaço e vêm ver muitos jogos dos miúdos”. “Têm o grande mérito de não se esquecer de onde vieram”, elogia Raúl Martins, orgulhoso dos laterais que fazem Portugal e o Sporting sonhar que é possível chegar, no final deste mês, a umas históricas meias-finais da Liga dos Campeões, mesmo tendo em conta que o adversário é o poderoso Aalborg, da Dinamarca.Um hábito crescente de lutar com tubarões Oandebol português anda a rondar a presença na meia-final da principal prova de clubes. O Sporting, em 2024/ 2025, chegou aos quartos de final e este ano defronta os dinamarqueses do Aalborg, duas vezes finalista vencido da prova nos últimos cinco anos, ou seja a tarefa leonina é hercúlea. Ainda assim, o crescimento do andebol, também visível na seleção nacional, é inegável nos últimos dez anos e tem já contas importantes a fazer em termos de títulos. Mesmo que não na principal prova europeia, onde têm dominado espanhóis, alemães e franceses, todos com ligas totalmente profissionais. Em 2021/22, o Benfica venceu o Magdeburgo numa final four realizada no MEO Arena, em Lisboa, conquistando a Liga Europeia, a segunda maior prova do Velho Continente, que antes de 2021 era conhecida como Taça EHF. É nessa prova que o 2.º classificado do campeonato português, o FC Porto, vai enfrentar, a 28 de abril, o MT Melsungen, da Alemanha, em busca de uma meia-final com contornos históricos para os dragões que, antes do atual Sporting dominador, chegaram perto dos melhores oito lugares da Liga dos Campeões.Na terceira prova da hierarquia europeia, a antiga Taça Challenge e desde 2020 denominada Taça EHF, Portugal teve dois vencedores, o Sporting por duas vezes (2009/10 e 2016/17) e o ABC de Braga numa ocasião (2015/16). No entanto, esta competição não tem comparação com as outras duas, pelo que o Madeira SAD e Sporting da Horta, que em Portugal não têm discutido títulos, tivessem perdido uma final da prova cada um, enquanto ABC e Benfica foram finalistas derrotados em duas ocasiões.Além das conquistas de Benfica, ABC e Sporting, um dos grandes feitos do andebol português a nível de clubes foi protagonizado pelo ABC de Braga quando em 1993/94 atingiu a final da Liga dos Campeões, perdida para os espanhóis do CB Cantábria, num período em que os minhotos eram um grande da Europa do andebol, afinal entre 1992 e 2001 estiveram por cinco vezes nos quartos de final. Em 1970/71, na então denominada Taça dos Campeões Europeus, o Sporting ainda chegou às meias-finais (perdidas para os alemães do Gummersbach), lugar a que agora ambiciona repetir na Champions. Antes, em 1960, o FC Porto esteve nos quartos de final. Por sua vez, a seleção nacional conseguiu a primeira participação olímpica em 2020 (9.º lugar), foi quarto no Mundial de 2025 e quinto no Europeu de 2026. .Martim Costa eleito melhor jovem andebolista europeu de 2023/24.Kiko Costa: “Trocava o título de Melhor Jovem do Mundial de andebol pela medalha de bronze”.Sporting vira eliminatória e apura-se para quartos da Liga Europeia de andebol