Marco Silva avisa antes do Gil Vicente: "Estamos longe, longe, longe do que queremos"
Marco Silva está satisfeito com a evolução do Benfica, mas não deixa que os últimos resultados alimentem qualquer sensação de missão cumprida. Na antevisão à receção ao Gil Vicente, este domingo, às 18h00, no Estádio da Luz, o treinador encarnado deixou claro que a equipa continua em construção e avisou que "há batalhas muito duras por vir".
Três meses depois de ter sido apresentado como treinador do Benfica, Marco Silva fez um primeiro balanço e começou por recordar a goleada (4-0) sobre o Moreirense, na quarta-feira. "A equipa tem muito a melhorar. Dei os parabéns à equipa no último jogo, em mais um relvado difícil, e fizemos uma exibição acutilante", afirmou, destacando especialmente a atitude dos jogadores quando o Benfica perdia a posse de bola.
"Fiquei muito satisfeito com a reação à perda da bola. Os nossos avançados são os primeiros a pressionar", salientou. Mas rapidamente travou qualquer entusiasmo excessivo: "Temos batalhas muito duras por vir."
Marco Silva reconheceu que o processo está longe de concluído. Há jogadores recém-chegados ainda a assimilar as ideias da equipa e uma defesa bastante diferente da temporada anterior. "Há muito ainda por melhorar e dinâmicas e isso só é possível com a mente aberta", explicou. Numa outra resposta foi ainda mais expressivo: "Estamos longe, longe, longe do que queremos, mas satisfeitos."
O próximo obstáculo é o Gil Vicente e Marco Silva não espera facilidades. "É um adversário com qualidade, mas que não vem de um bom resultado. Começou bem a época e explora muito os corredores e situações de um contra um", analisou.
Na Luz, o objetivo passa por conservar a identidade apresentada nos últimos encontros. "Teremos de manter o foco e a mesma qualidade e os mesmos princípios como equipa." E acrescentou: "A qualidade virá se mantivermos esses princípios, mas também há um adversário do outro lado que nos conhece."
O desgaste provocado pelo calendário também entrou na antevisão. O Benfica jogou na quarta-feira e volta a competir quatro dias depois, mas Marco Silva não procura desculpas: "Já sabíamos que o calendário ia ser sempre assim e tem sido assim desde 23 de julho, só tivemos duas semanas limpas. Agora teremos de dar o nosso melhor para ganhar o jogo."
Gianluca Prestianni, uma das figuras do triunfo em Moreira de Cónegos, mereceu elogios. "O Prestianni tem trabalhado muito nos treinos e isso tem permitido expressar o seu melhor futebol, tem compromisso." Sobre uma eventual convocatória para a seleção argentina, Marco Silva afastou-se da decisão: "Não vou comentar, terão de perguntar ao selecionador ou esperar pela convocatória. Está fora do meu controlo."
O treinador voltou ainda a destacar a polivalência do argentino. Prestianni tem sido utilizado nos corredores, mas pode igualmente aparecer em zonas interiores. "É um jogador que está num grande momento. Jogou mais pela direita, agora mais pela esquerda, mas eu sabia que podia jogar no meio. Teve várias permutas com o Andreas e fiquei muito satisfeito."
Também Claudio Echeverri entrou nas contas. O argentino ainda está a adaptar-se aos mecanismos da equipa, mas Marco Silva acredita que poderá dar novas soluções ao ataque. "Como outros, teve pouco tempo para treinar. No último jogo já foi ao banco, está a aprender as novas dinâmicas." E definiu-lhe uma posição preferencial: "Acredito que a posição dele é médio ofensivo e está preparado para ajudar a equipa."
João Palhinha foi outro dos protagonistas da conferência, sobretudo pela relação anterior com Marco Silva no Fulham. O treinador rejeitou, porém, que o internacional português tenha chegado à Luz por imposição sua.
"Palhinha não é uma aposta pessoal minha, é uma aposta do Benfica."
Marco Silva lembrou depois o percurso do médio. "Foi meu jogador no Fulham e depois foi para um grande clube como o Bayern e agora está num grande clube como o Benfica."
Questionado sobre se considera o Benfica a equipa que melhor joga atualmente em Portugal, não quis entrar nessa discussão: "Não entro por aí porque isso vê-se no fim. O campeonato é muito longo."
O técnico também recusou estabelecer titulares intocáveis no plantel. "Quanto a hierarquias, isso não existe. Os jogadores sabem que num momento podem estar num lado e noutro podem estar noutro."
Uma mensagem que se estende à baliza. Trubin continua a trabalhar para recuperar espaço e Marco Silva deixou a porta completamente aberta ao ucraniano: "Admito que Trubin possa jogar a qualquer momento que necessitemos e que a decisão passe por ele."
O treinador lembrou ainda que dispõe de três guarda-redes e deixou elogios ao jovem Diogo Ferreira, que tem atuado pela equipa B e que, na sua opinião, possui "um grande potencial".
Para o encontro deste domingo há, pelo menos, uma ausência confirmada. "Bah não está disponível." Marco Silva explicou, contudo, que o lateral está a evoluir favoravelmente: "Está a recuperar bem e fiquei feliz por vê-lo no campo a trabalhar individualmente."
Banjaqui é uma das possibilidades para ocupar a posição, embora o treinador não tenha revelado a escolha: "Temos várias soluções para a posição, e ele é a mais direta. Terão de esperar por amanhã."
Mais do que a discussão sobre nomes e lugares no onze, Marco Silva quis deixar uma ideia clara sobre aquilo que pretende construir no Benfica: uma equipa ofensiva, mas simultaneamente capaz de responder quando perde a bola.
"Fala-se muito do jogar bem e jogar mal, mas não há equipa que possa ganhar se não for competente em todos os momentos do jogo."
E deixou um aviso: "Se não formos capazes de reagir quando perdemos a bola, vamos ter dissabores." O técnico recordou que o Benfica já deixou pontos num encontro em que sofreu dois golos resultantes de erros que considerou evitáveis e estabeleceu uma prioridade: "Mais do que marcar muitos golos, penso que o mais importante é não sofrer."
É essa solidez que Marco Silva exige frente ao Gil Vicente. Apesar da goleada em Moreira de Cónegos e dos sinais positivos deixados pela equipa, o treinador não aceita euforias. O Benfica continua em construção e o próximo teste, avisou, está longe de estar ganho: "O Gil Vicente não será fácil, porque é uma boa equipa."
