A World Athletics informou esta terça-feira (7 de abril) que a maratona deixará de marcar presença nos Mundiais de atletismo a partir de 2030, alargando essa mesma decisão às corridas de estrada. Pressupõe-se que os eventos de marcha também estejam inseridos neste novo formato. "A maratona manter-se-á nos Mundiais de atletismo em 2027 e 2029, mas a partir de 2030 passará a ter o seu próprio campeonato independente – ou qualquer outra prova de corrida de estrada – e deixará de fazer parte dos Mundiais de atletismo", informou o organismo regulador, em comunicado. Como se sabe, a maratona dos mundiais de atletismo aparecia a cada dois anos. O formato manter-se-á assim a partir de 2030, mas de forma intercalada, por género: anos pares para a corrida masculina, anos ímpares, a começar em 2031, para a feminina. Ainda assim, a decisão surpreende, até tendo em conta que a maratona está incluída no programa do atletismo nos Jogos Olímpicos, embora se saiba que a extensão da prova afasta algum entusiasmo das próprias transmissões televisivas, em comparação com outras provas. De acordo com o presidente da World Athletics, Sebastian Coe, a mudança visa beneficiar a própria especialidade. “Esta é uma oportunidade para criar uma celebração global dedicada à maratona, realizada num local que honra o seu legado, ao mesmo tempo que molda um campeonato moderno que reflete a dimensão e o espírito da comunidade global do atletismo”, disse em comunicado, avançando, sem precisar detalhadamente, que há "um roteiro estratégico histórico para o futuro das corridas de longa distância.”Ficou confirmado que já existem "conversações exploratórias" com a Federação Grega de Atletismo para que Atenas, mais concretamente a região de Ática, acolha em 2030 a prova, na primeira edição do novo formato, justamente em homenagem à criação da especialidade na Grécia Antiga. .Domingos Castro vê "oportunidade"O DN contactou Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, que se inteirou, mal soube da notícia, do que podem ser os objetivos para a modalidade. Ao DN, deixou a garantia de que os "primeiros três ou quatro anos serão em Atenas", sendo que levantou a possibilidade de a partir de 2031 as outras provas, como a marcha, serem disputadas noutra cidade. "Do meu ponto de vista, isto é uma estratégia de abertura à população, de repente o cidadão comum pode passar a estar num Campeonato do Mundo", vinca, lembrando que num Mundial de Atletismo é impossível abrir inscrições a atletas amadores."A Maratona de Nova Iorque chega às 65 mil pessoas, estamos a falar aqui de inscrições, de exposição, que não é comparável com o formato do Mundial até aqui utilizado", explana o presidente eleito em 2024, considerando que é uma "oportunidade" tanto para os amadores como para os profissionais. "Vai ser dado mais destaque ao evento, haverá oportunidades para atletas que, habitualmente, privilegiam outras maratonas que não a do Mundial", diz, reconhecendo que poderá existir "pagamento aos atletas para atrair grandes nomes."Domingos Castro considera até que pode ser positiva a transferência para o "mês de março", ao invés de decorrer em setembro ou agosto. "Se for nesse mês, é mais propício aos nossos atletas, que assim prepararão as provas enfrentando menos calor", valoriza o ex-atleta, participante em quase duas dezenas de mundiais de corta-mato, quatro Jogos Olímpicos e medalhado de prata nos Mundiais de 1987, em Roma, nos 5000 metros. A ausência de grandes figuras da maratona do Mundial de atletismo deve-se, como se sabe, a prémios chorudos para alinhar em eventos como Boston, Los Angeles, Chicago, Paris, Roterdão, Roma ou Pequim, além de existir uma competição própria, a World Marathon Majors, que aglomera os vários resultados do ano, em que a prova do Mundial é só mais uma de pelo menos sete por ano.O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo salienta que hoje se faz "grande aposta no meio-fundo e fundo", vincando que em Portugal há "muitos apoios para que não faltem condições e infraestruturas" aos atletas. Olhando especificamente à tradição portuguesa, recorde-se que nos Jogos Olímpicos Carlos Lopes e Rosa Mota conseguiram ouro na maratona, em 1984 e 1988, respetivamente. Carlos Lopes, em 1976, obteve a prata. Rosa Mota, em 1984, teve bronze na maratona. Em Campeonatos do Mundo, Rosa Mota e Manuela Machado conquistaram ouro em 1987 e 1995 na maratona - e Inês Henriques, em 2017, nos 50 km marcha. Podem somar-se ainda as pratas de Manuela Machado na maratona de 1993 e de João Vieira nos 50 km marcha de 2019. Entre as provas de estrada que integravam os mundiais de atletismo, há ainda o registo do bronze João Vieira em 2013 nos 20 km marcha; Susana Feitor teve o mesmo resultado na mesma distância, mas em 2005..Domingos Castro toma posse como presidente da Federação de Atletismo dia 16.Ugandês Abel Chelangat vence 20.ª edição da Maratona do Porto.Presidente da República condecorou medalhados dos Mundiais de atletismo de pista coberta