A queniana Ruth Chepngetich ficou na posse da melhor marca mundial da maratona (2:09:56).
A queniana Ruth Chepngetich ficou na posse da melhor marca mundial da maratona (2:09:56).D.R.

Maratona deixa de ser prova de Mundial de atletismo e passa a ter competição própria

Organismo que rege o atletismo comunicou decisão de, a partir de 2030, haver organização autónoma. Domingos Castro, líder da Federação, vê "oportunidade" para os cidadãos e atletas de elite.
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A World Athletics informou esta terça-feira (7 de abril) que a maratona deixará de marcar presença nos Mundiais de atletismo a partir de 2030, alargando essa mesma decisão às corridas de estrada. Pressupõe-se que os eventos de marcha também estejam inseridos neste novo formato. "A maratona manter-se-á nos Mundiais de atletismo em 2027 e 2029, mas a partir de 2030 passará a ter o seu próprio campeonato independente – ou qualquer outra prova de corrida de estrada – e deixará de fazer parte dos Mundiais de atletismo", informou o organismo regulador, em comunicado.

Como se sabe, a maratona dos mundiais de atletismo aparecia a cada dois anos. O formato manter-se-á assim a partir de 2030, mas de forma intercalada, por género: anos pares para a corrida masculina, anos ímpares, a começar em 2031, para a feminina.

Ainda assim, a decisão surpreende, até tendo em conta que a maratona está incluída no programa do atletismo nos Jogos Olímpicos, embora se saiba que a extensão da prova afasta algum entusiasmo das próprias transmissões televisivas, em comparação com outras provas.

De acordo com o presidente da World Athletics, Sebastian Coe, a mudança visa beneficiar a própria especialidade. “Esta é uma oportunidade para criar uma celebração global dedicada à maratona, realizada num local que honra o seu legado, ao mesmo tempo que molda um campeonato moderno que reflete a dimensão e o espírito da comunidade global do atletismo”, disse em comunicado, avançando, sem precisar detalhadamente, que há "um roteiro estratégico histórico para o futuro das corridas de longa distância.”

Ficou confirmado que já existem "conversações exploratórias" com a Federação Grega de Atletismo para que Atenas, mais concretamente a região de Ática, acolha em 2030 a prova, na primeira edição do novo formato, justamente em homenagem à criação da especialidade na Grécia Antiga.

Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo.
Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo.D.R.

Domingos Castro vê "oportunidade"

O DN contactou Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, que se inteirou, mal soube da notícia, do que podem ser os objetivos para a modalidade. Ao DN, deixou a garantia de que os "primeiros três ou quatro anos serão em Atenas", sendo que levantou a possibilidade de a partir de 2031 as outras provas, como a marcha, serem disputadas noutra cidade. "Do meu ponto de vista, isto é uma estratégia de abertura à população, de repente o cidadão comum pode passar a estar num Campeonato do Mundo", vinca, lembrando que num Mundial de Atletismo é impossível abrir inscrições a atletas amadores.

"A Maratona de Nova Iorque chega às 65 mil pessoas, estamos a falar aqui de inscrições, de exposição, que não é comparável com o formato do Mundial até aqui utilizado", explana o presidente eleito em 2024, considerando que é uma "oportunidade" tanto para os amadores como para os profissionais. "Vai ser dado mais destaque ao evento, haverá oportunidades para atletas que, habitualmente, privilegiam outras maratonas que não a do Mundial", diz, reconhecendo que poderá existir "pagamento aos atletas para atrair grandes nomes."

Domingos Castro considera até que pode ser positiva a transferência para o "mês de março", ao invés de decorrer em setembro ou agosto. "Se for nesse mês, é mais propício aos nossos atletas, que assim prepararão as provas enfrentando menos calor", valoriza o ex-atleta, participante em quase duas dezenas de mundiais de corta-mato, quatro Jogos Olímpicos e medalhado de prata nos Mundiais de 1987, em Roma, nos 5000 metros.

A ausência de grandes figuras da maratona do Mundial de atletismo deve-se, como se sabe, a prémios chorudos para alinhar em eventos como Boston, Los Angeles, Chicago, Paris, Roterdão, Roma ou Pequim, além de existir uma competição própria, a World Marathon Majors, que aglomera os vários resultados do ano, em que a prova do Mundial é só mais uma de pelo menos sete por ano.

O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo salienta que hoje se faz "grande aposta no meio-fundo e fundo", vincando que em Portugal há "muitos apoios para que não faltem condições e infraestruturas" aos atletas.

Olhando especificamente à tradição portuguesa, recorde-se que nos Jogos Olímpicos Carlos Lopes e Rosa Mota conseguiram ouro na maratona, em 1984 e 1988, respetivamente. Carlos Lopes, em 1976, obteve a prata. Rosa Mota, em 1984, teve bronze na maratona.

Em Campeonatos do Mundo, Rosa Mota e Manuela Machado conquistaram ouro em 1987 e 1995 na maratona - e Inês Henriques, em 2017, nos 50 km marcha. Podem somar-se ainda as pratas de Manuela Machado na maratona de 1993 e de João Vieira nos 50 km marcha de 2019. Entre as provas de estrada que integravam os mundiais de atletismo, há ainda o registo do bronze João Vieira em 2013 nos 20 km marcha; Susana Feitor teve o mesmo resultado na mesma distância, mas em 2005.

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