Manchester United vende relva de Old Trafford no dia em que anuncia prejuízo de 43 milhões
O Manchester United colocou à venda cubos com pedaços da antiga relva de Old Trafford por 125 libras — cerca de 145 euros — numa iniciativa lançada no mesmo dia em que o clube revelou um prejuízo líquido de 43 milhões de libras no exercício de 2025/26.
O produto, comercializado na loja oficial do clube sob a designação “Old Trafford 7x7cm Pitch Cube”, contém relva retirada do anterior relvado do estádio, preservada num bloco de acrílico. O Manchester United apresenta-o como uma peça oficial de memorabilia, destinada a adeptos e colecionadores que pretendam guardar uma parte do histórico “Teatro dos Sonhos”.
A relva foi removida no último verão, quando Old Trafford foi alvo de uma reconstrução integral do piso pela primeira vez desde 2012. O relvado anterior tinha acompanhado 14 épocas da equipa principal e deu lugar a uma nova superfície híbrida, composta maioritariamente por relva natural reforçada com fibras sintéticas.
A venda coincide com a publicação das contas relativas ao ano terminado em 30 de junho de 2026. O Manchester United registou o sétimo resultado líquido negativo anual consecutivo, com perdas de 43 milhões de libras, superiores aos 33 milhões registados no exercício anterior. O aumento dos custos financeiros, a aquisição de jogadores e os encargos relacionados com a saída de Ruben Amorim — que ascenderam a 8,2 milhões de libras, incluindo a reestruturação da equipa técnica — contribuíram para o resultado.
O prejuízo foi apurado apesar de o clube ter anunciado receitas recorde de 677,6 milhões de libras. A descida dos salários e as medidas de redução de custos implementadas sob a liderança de Sir Jim Ratcliffe ajudaram a melhorar o resultado operacional, mas não impediram novo exercício negativo nas contas finais.
O Manchester United não estabeleceu uma ligação direta entre a venda dos cubos de relva e os resultados financeiros divulgados. Ainda assim, a iniciativa enquadra-se na estratégia de exploração comercial da marca e da ligação emocional dos adeptos ao estádio. Num clube com uma das maiores bases de seguidores do futebol mundial, uma parte do antigo relvado transforma-se agora num produto de coleção — e numa nova fonte de receita.

