Maioria defende saída de Vieira mas também de Rui Costa

São 88% os que querem demissão do presidente do Benfica. No caso do líder interino baixa para os 62%. Nesta terça-feira à noite ficou a saber-se que o clube vai a eleições até fim do ano.

A sentença popular é pesada para Luís Filipe Vieira: 88% dos portugueses acham que deve demitir-se do cargo de presidente do Benfica, de acordo com uma sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF. O mesmo caminho era apontado a Rui Costa e à restante equipa de diretores, que ainda ontem foram ao encontro do sentimento maioritário: 62% defendiam a demissão em bloco e eleições antecipadas e é isso que deverá acontecer até ao final do ano.

Vieira foi detido na passada quinta-feira e no dia seguinte anunciou a suspensão temporária do mandato. Um gesto que a grande maioria dos portugueses não considera suficiente. O trabalho de campo da sondagem da Aximage foi efetuado já depois desse anúncio (entre 10 e 12 de julho) e o consenso é generalizado, mesmo entre benfiquistas: confrontados com as suspeitas de abuso de confiança, burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais, 84% dos adeptos do clube da Luz desejam a demissão de Vieira.

No mesmo dia em que Vieira anunciou a suspensão, o "vice" Rui Costa assumiu a presidência, sem dar qualquer pista sobre se seria uma solução transitória ou se pretendia cumprir o mandato até ao fim (ou seja, até 2024). O antigo "maestro" do meio-campo foi rápido a esclarecer essa dúvida. Durante um plenário ontem dos órgãos sociais do clube, esclareceu que a Direção decidiu, por unanimidade, promover eleições antecipadas até ao final do ano.

Incerteza benfiquista

Quando se avaliou o que pensavam os portugueses, a maioria foi clara: 62% defendiam que Rui Costa e restante equipa deviam demitir-se e forçar eleições. No caso dos adeptos do Benfica, a certeza não era tão grande: 52% queriam um acerto de contas eleitoral, mas 40% defendiam que o presidente interino se mantivesse onde está.

Foi aliás nesta pergunta que se notou uma maior clivagem de opiniões, consoante a preferência clubística dos inquiridos. As diferenças são residuais quando é Vieira que está em causa, mas não quando se fala de Rui Costa: 74% dos portistas e 70% dos sportinguistas sugeria a sua demissão (mais 20 pontos do que entre o universo benfiquista).

Uma provável explicação para a maior cautela benfiquista seria o futuro desportivo próximo, com a pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões já daqui a três semanas. O comunicado do Benfica vai de encontro a essa preocupação. Uma das prioridades para esta presidência interina é a qualificação para a Liga dos Campeões.

Confiança na Champions

São 55% os que acreditam que a crise diretiva não terá impacto na pré-eliminatória do início de agosto, contra 45% que adivinham efeitos desportivos negativos. Mas, quando a pergunta foi sobre a hipótese de o Benfica superar os obstáculos e chegar à Liga dos Campeões, que vale dezenas de milhões de euros, a confiança aumentava para 60% (40% acha que as águias vão cair pelo caminho). No caso dos adeptos benfiquistas, a opinião sobre o impacto da crise é semelhante à média (59% acredita que não terá), mas a confiança na qualificação para a fase de grupos da Champions era já muito grande, mesmo antes desta decisão de Rui Costa: 84% acredita que as águias estarão entre a elite do futebol.

94%. É entre os portugueses mais velhos (65 ou mais anos) que é maior a rejeição a Vieira: 94% defendem a sua demissão do clube.

33%. É entre os mais pobres que há mais adeptos da continuidade de Rui Costa. A percentagem é igual à dos que têm 35 a 49 anos.

Lisboa teme impacto

É na Área Metropolitana de Lisboa que mais se teme os efeitos da crise diretiva na pré-eliminatória da Liga dos Campeões (50% acredita que terá impacto).

Porto prevê eliminação

Mas é na Área Metropolitana do Porto que há mais gente a acreditar que o Benfica não chegará à Liga dos Campeões (49%).

rafael@jn.pt

Ficha técnica

A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados a detenção de Luís Filipe Vieira. O trabalho de campo decorreu entre os dias 10 e 12 de julho de 2021 e foram recolhidas 763 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo, idade e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por sexo, idade, escolaridade e região. À amostra de 763 entrevistas corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 3,5%. A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direção técnica de José Almeida Ribeiro.

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