Mãe de adepto morto junto ao Estádio da Luz pede quase 600.000 euros

Defesa da família da vítima avançou com o Pedido de Indemnização Civil (PIC) apenas contra 11 dos 22 arguidos

A mãe do adepto italiano Marco Ficini, atropelado mortalmente junto ao Estádio da Luz, em Lisboa, em abril do ano passado, pede em tribunal quase 600.000 euros a 11 dos 22 arguidos, quatro deles adeptos do Sporting.

Segundo o Pedido de Indemnização Civil (PIC) incluído no processo, a que a agência Lusa teve acesso esta terça-feira, a mãe pede que os 11 arguidos - incluindo Luís Pina, acusado do homicídio de Marco Ficini - "sejam condenados, isolada ou solidariamente, ao pagamento" de 394.927 euros a título de danos patrimoniais e 200.000 euros por danos não patrimoniais.

A defesa da família da vítima avançou com o PIC apenas contra 11 dos 22 arguidos: Luís Pina, acusado de atropelar o adepto de futebol, e outros dez arguidos (seis adeptos do Benfica e quatro adeptos do Sporting), todos acusados de omissão de auxílio.

O início do julgamento estava agendado para novembro deste ano, mas o Tribunal Central Criminal de Lisboa adiou-o para setembro de 2019.

A primeira sessão iria realizar-se em 21 de novembro, mas o coletivo de juízes remarcou o início do julgamento para 11 de setembro de 2019, ou seja, para daqui a um ano e três meses, e "não antes por total impossibilidade" do tribunal, segundo um despacho judicial, a que a Lusa teve acesso esta terça-feira.

A primeira audiência está prevista para 11 de setembro de 2019, com continuação em 18 de setembro, "para identificação dos arguidos e eventuais declarações".

Em 16 de abril deste ano o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu levar a julgamento Luís Pina, principal arguido, pelo homicídio de Marco Ficini e por outros quatro homicídios na forma tentada, enquanto os restantes arguidos serão julgados pelos crimes de participação em rixa, de dano com violência e de omissão de auxílio.

Além de Luís Pina, a juíza de instrução criminal Isabel Sesifredo proferiu despacho de pronúncia (decidiu levar a julgamento) os restantes 21 arguidos no processo: outros nove adeptos do Benfica com ligações à claque No Name Boys e 12 adeptos do Sporting da claque Juventude Leonina, nos exatos termos da acusação do Ministério Público (MP).

Marco Ficini pertencia à claque do clube italiano Fiorentina O Club Settebello, era também adepto do Sporting e morreu após um atropelamento e fuga junto ao Estádio da Luz (do Benfica), na sequência de confrontos ocorridos na madrugada de 22 de abril do ano passado, horas antes de um jogo de futebol entre o Sporting e o Benfica, da 30.ª jornada da I Liga, da época 2016/2017, no Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Segundo a acusação do MP, nessa madrugada um grupo de adeptos do Benfica dirigiu-se às imediações do Estádio José Alvalade (do Sporting) e lançou um foguete luminoso de cor vermelha na direção do topo sul.

Adeptos sportinguistas, que se encontravam no Estádio José Alvalade a distribuir bilhetes e a preparar as coreografias da claque Juventude Leonina, dirigiram-se ao Estádio da Luz a fim de "ripostarem" pelo lançamento do foguete luminoso, levando consigo barras de metal.

Durante os confrontos e perseguições que se seguiram, Luís Pina terá atropelado mortalmente Marco Ficini, "arrastando o corpo por 15 metros" e imobilizando o carro só "depois de ter passado completamente por cima do corpo da vítima", descreve a acusação, acrescentando que o arguido abandonou o local "sem prestar qualquer auxílio".

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