Antonelli cruza a reta da meta e vê a bandeira axadrezada.
Antonelli cruza a reta da meta e vê a bandeira axadrezada.OLIVIER MATTHYS / EPA

Kimi Antonelli alarga liderança no Mundial de F1 com vitória emocionante em Spa

O italiano da Mercedes superou Charles Leclerc nas voltas finais após o monegasco saltar para o comando com o Virtual Safety Car. Lewis Hamilton foi punido por toque que eliminou Russell no arranque.
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O Grande Prémio da Bélgica de Fórmula 1 de 2026, no Circuito de Spa-Francorchamps (7,004 km), este domingo (19 de julho) acabou por ser uma das corridas mais estratégicas intensas do ano. Andrea Kimi Antonelli garantiu a sua sexta vitória da temporada com o tempo final de 1:24:42.479, mas o triunfo exigiu uma pilotagem exemplar e muita paciência para desfazer a armadilha tática montada pela Scuderia Ferrari.

O drama começou logo após o apagar das luzes. Max Verstappen, que partia ao lado de Antonelli, conseguiu um arranque fulgurante e assumiu brevemente a liderança no topo da mítica subida de Eau Rouge. Contudo, o jovem italiano da Mercedes reagiu de imediato na reta de Kemmel e recuperou o comando logo na primeira volta. Mais atrás, instalava-se o desastre na garagem da equipa de Brackley. George Russell sofreu uma falha no sistema de recuperação de energia da bateria logo na Curva 1 -- mais tarde, visivelmente desiludido, Russell explicou que saiu da primeira curva com menos 35% de potência e chegou ao topo de Eau Rouge com zero de energia elétrica, o que considerou "francamente perigoso. Fui engolido e nunca deveria ter estado naquela posição", desabafou o britânico. Desprotegido na reta, Russell acabou lado a lado com o seu ex-companheiro de equipa, Lewis Hamilton, na travagem para as fintas de Les Combes, Hamilton sofreu de subviragem, perdeu a aderência na frente do seu Ferrari e colidiu com a roda traseira direita de Russell, enviando o compatriota para a gravilha e forçando o seu abandono imediato.

Apesar do desfecho, Russell desvalorizou o desentendimento na pista, classificando-o como um normal "incidente de corrida" e acrescentando que, embora Hamilton carregasse maior responsabilidade, "não fez nada imprudente".

Já os comissários de pista — que este fim de semana contaram com o antigo piloto português Pedro Lamy no painel — aplicaram uma penalização de 5 segundos a Hamilton por causar a colisão.

O veterano britânico cumpriu a sanção durante a sua paragem nas boxes, terminando a prova na quarta posição com uma desvantagem final de 17.245 segundos para o vencedor.

Luta pelo primeiro lugar quase até ao fim

Pouco antes de se atingir metade das 44 voltas regulamentares, a direção da corrida acionou o segundo Virtual Safety Car (VSC) da tarde. A Ferrari leu bem a situação e chamou Charles Leclerc para uma paragem oportunista. Beneficiando do tempo reduzido sob VSC, o monegasco saltou para a liderança virtual da corrida.

No final, Leclerc reconheceu que foi beneficiado, admitindo que a equipa teve "um pouco de sorte com o VSC no momento e lugar certos".

O piloto da Ferrari revelou ainda ter enfrentado dificuldades com o eixo dianteiro durante cinco ou seis voltas com os pneus de composto duro, mas sublinhou que este segundo lugar representa "um passo em frente", embora ainda haja trabalho a fazer na gestão do monolugar.

Antonelli e Verstappen não tiveram a mesma felicidade com o timing da neutralização e viram-se obrigados a perseguir o homem da Ferrari. Com pista livre, Leclerc tentou abrir uma margem confortável, mas a resposta de Antonelli foi implacável. O italiano encetou uma recuperação feroz, pulverizando a desvantagem décima a décima.

A 10 voltas do final da corrida, aproveitando a boleia do DRS, Antonelli desferiu o ataque decisivo sobre Leclerc em plena reta de Kemmel, reassumindo a liderança definitiva da prova.

Já após a cerimónia do pódio, Antonelli admitiu que foi "fantástico estar de volta ao degrau mais alto após algumas rondas difíceis", assumindo que a corrida foi complicada. "Foi uma vitória difícil porque o Charles estava muito rápido e tivemos de nos agarrar bem a eles", destacou o vencedor, que cruzou a linha de meta com uma escassa vantagem de 1.952 segundos sobre Leclerc.

Max Verstappen fechou os lugares de honra na terceira posição, a 11.586 segundos do topo. O campeão do mundo em título explicou que deu tudo o que tinha na pista, mas que o segundo turno de pneus se revelou muito mais exigente. "O Kimi e eu fomos um bocado azarados com o VSC, por isso, dadas as circunstâncias, o pódio é um bom resultado", concluiu o neerlandês, conformado com o desfecho estratégico nas Ardenas.

A classificação oficial e pontuável do Grande Prémio da Bélgica ordenou-se de forma definitiva em texto corrido com a vitória do italiano Andrea Kimi Antonelli (Mercedes), que amealhou 25 pontos, seguido de Charles Leclerc (Ferrari) no segundo lugar a 1.952 segundos (18 pontos) e de Max Verstappen (Red Bull) na terceira posição a 11.586 segundos (15 pontos).

No quarto posto terminou Lewis Hamilton (Ferrari), cortando a meta a 17.245 segundos (12 pontos) do vencedor, imediatamente à frente de Oscar Piastri (McLaren), que garantiu o quinto lugar com uma diferença de 18.988 segundos (10 pontos).

O grande destaque das recuperações foi o francês Isack Hadjar (Red Bull), que escalou até à sexta posição terminando a 23.307 segundos (8 pontos), batendo Lando Norris (McLaren), o sétimo classificado a 24.014 segundos (6 pontos).

A fechar a zona de pontuação, o brasileiro Gabriel Bortoleto (Audi) alcançou um excelente oitavo lugar a 49.140 segundos (4 pontos), com o jovem Arvid Lindblad (Racing Bulls) a terminar no nono posto, a 50.406 segundos (2 pontos) e o argentino Franco Colapinto (Alpine) a garantir o décimo lugar e o último ponto em disputa, a 76.037 segundos do líder.

Antonelli cruza a reta da meta e vê a bandeira axadrezada.
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