O K4 português habituou-se a vencer e a colocar Portugal entre as maiores potências mundiais da canoagem de velocidade, mas a sucessão de medalhas não alterou a forma de estar da equipa. Pelo contrário. Aumentou a exigência, reforçou a responsabilidade e consolidou a convicção de que o sucesso só se mantém através do trabalho diário. É essa a mensagem deixada por João Ribeiro e Messias Batista, dois dos quatro elementos da embarcação campeã do mundo, que olham para a defesa do título mundial e para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 sem qualquer excesso de confiança. Depois de várias épocas de afirmação internacional, o K4 português sabe que as expectativas são hoje mais elevadas. João Ribeiro admite que a pressão existe, mas encara-a como uma consequência natural do percurso realizado."Essa pressão é boa. Estar sempre no pódio ou a lutar por ele é a pressão que exigimos de nós próprios e que queremos muito", afirma o olímpico português, sublinhando que a equipa continua "a viver um sonho", mas sem perder a noção da realidade. "Há ainda muito trabalho até Los Angeles e é aí que queremos estar na nossa melhor versão", acrescenta. Apesar de os Jogos Olímpicos constituírem o grande objetivo do ciclo, o foco imediato está bem definido. A dupla recorda que o atual sistema de qualificação olímpica assenta num ranking internacional mais exigente, obrigando a marcar presença constante entre os melhores."Estamos a começar muito bem e estamos nos primeiros lugares do ranking. No curto prazo queremos somar o máximo de pontos possível", explica João Ribeiro, apontando desde já para o próximo grande desafio da temporada: "Temos o Campeonato do Mundo dentro de poucas semanas e queremos revalidar o título mundial." Ao longo dos últimos anos, a embarcação portuguesa consolidou-se como uma referência internacional. Para João Ribeiro, a evolução individual acompanha o crescimento coletivo e deve muito ao ambiente vivido dentro da Seleção Nacional."Tenho evoluído muito também com a ajuda dos mais novos, que me têm puxado cada vez mais. Somos uma equipa e conseguimos trabalhar como tal. Os resultados são fruto desse espírito de equipa", salienta. Messias Batista confirma essa leitura e considera que uma das grandes forças do K4 português reside pr ecisamente na capacidade de juntar diferentes gerações dentro da mesma embarcação. "A nossa equipa é uma mistura da experiência do João com a juventude. Eu já me sinto um bocadinho mais no meio, mais experiente do que jovem, mas essa mistura funciona muito bem", afirma, destacando a importância da convivência diária entre atletas com percursos distintos. Ainda jovem, Messias Batista reconhece que a motivação continua a ser a mesma que o levou a iniciar a carreira: concretizar um sonho que começou ao ver outros atletas portugueses triunfarem nas maiores competições internacionais.."A palavra certa é sonho. Fazemos isto porque gostamos e porque chegar aos Jogos Olímpicos é o maior objetivo de qualquer atleta", explica. "Quando somos mais novos e vemos atletas como o João competir nos Jogos Olímpicos e conquistar medalhas internacionais, também queremos lá chegar. Depois começamos a partilhar a mesma equipa, a receber conselhos desses atletas, e as coisas começam a ganhar forma." João Ribeiro prepara-se para tentar garantir a presença nos terceiros Jogos Olímpicos da carreira, mas faz questão de afastar qualquer pensamento excessivamente otimista. Na sua perspetiva, o percurso olímpico constrói-se sem atalhos."Tem de ser passo a passo. Não podemos sonhar com uma final olímpica ou com uma medalha se primeiro não estivermos lá. Sempre foi assim connosco. Fomos campeões do mundo no ano passado, mas isso não garante que estejamos sequer numa final este ano. Temos de continuar a lutar", afirma. O internacional português lembra ainda que a canoagem de velocidade vive hoje num nível competitivo em que qualquer detalhe faz a diferença."Perdemos medalhas por milésimos, ganhamos medalhas por milésimos e tudo conta. É por isso que este foco no passo a passo é tão importante", reforça. Com um calendário internacional particularmente exigente e a qualificação olímpica já em marcha, o K4 português mantém intacta a ambição de continuar entre os melhores do mundo. A receita continua a ser a mesma: trabalho, união e a capacidade de transformar a experiência dos mais velhos e a irreverência dos mais novos numa embarcação que continua a colocar Portugal na luta pelas medalhas..Canoagem. Portugal conquista o título mundial de K4 500 metros