Aos 50 anos, João Vieira continua a afirmar-se como uma das principais figuras da marcha atlética portuguesa e prepara-se para liderar a seleção nacional no Campeonato do Mundo de Equipas, marcado para este domingo, 12 de abril, em Brasília, assumindo novamente o papel de referência de uma equipa que combina experiência e juventude. O atleta do Sporting integra a comitiva convocada pela Federação Portuguesa de Atletismo, juntamente com Eduardo Camarate, Joana Pontes, Vitória Oliveira e Isabel Luís, numa participação que surge numa fase particularmente positiva da sua carreira, após a conquista do título nacional da meia-maratona em marcha e de um novo recorde de Portugal na distância, com 1:29.54, alcançado em Dudince. Mais do que um líder pelos resultados, João Vieira assume-se como um elemento agregador dentro da seleção nacional, destacando o papel que pretende desempenhar junto dos atletas mais jovens. “No meu caso, que já sou de uma geração bastante mais avançada, é transmitir toda a minha experiência aos atletas mais novos que estão inseridos nesta seleção e trazermos os bons resultados desta competição que vamos ter no Brasil”, afirmou o marchador, sublinhando a importância do espírito coletivo numa prova tradicionalmente exigente. A deslocação ao Brasil representa também um desafio adicional, sobretudo pelas condições climatéricas distintas das habituais em Portugal. “Vai ser uma situação que nós não estamos habituados, porque estamos habituados ao frio de Portugal e agora vamos para o calor do Brasil. As coisas são completamente diferentes”, explicou, acrescentando ainda assim que a ambição permanece intacta: “Nós vamos lá para fazer o nosso melhor.” .A longevidade competitiva do atleta continua a surpreender no panorama internacional, mas, para o próprio, a explicação é simples e está profundamente ligada à paixão pela modalidade. “Eu cresci a viver atletismo toda a minha vida e a minha carreira nasceu de um sonho”, referiu. Essa ligação emocional mantém-se tão forte como no início da carreira. “Continuo a desfrutar do atletismo e da marcha atlética como ainda fosse um jovem e por isso é que atingi os resultados que tenho atingido até hoje e continuo a ir à seleção com o mesmo gosto como se fosse há 20 anos”, acrescentou o atleta, que continua a apresentar níveis competitivos de elite numa fase da carreira em que muitos já abandonaram a alta competição. A recente conquista do título nacional confirma precisamente essa consistência. João Vieira atribui o sucesso à disciplina e ao compromisso com o treino diário: “É a dedicação que eu transmito ao meu treino, o prazer de praticar atletismo todos os dias e a vontade de ser campeão nacional.” A participação no Mundial de Equipas surge também num momento de transição na própria marcha atlética, que atravessa alterações importantes nas distâncias competitivas. “Este ano estamos a praticar novas distâncias. Antigamente nós tínhamos os 20 km, os 50 km e mais tarde os 35, mas neste momento estamos num ponto de viragem da disciplina”, explicou, destacando a introdução da meia maratona e da maratona como novos referenciais competitivos. Nesse contexto, o atleta português tem orientado a preparação com um objetivo claro: marcar presença nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. “Este ano decidi apostar em fazer a meia maratona porque ainda quero ir aos Jogos Olímpicos em Los Angeles em 2028. Estou a trabalhar para reconquistar marcas de nível para poder depois ir aos Jogos Olímpicos”, afirmou. A preparação para continuar competitivo aos mais altos níveis exige hoje uma abordagem cada vez mais abrangente, que ultrapassa a componente física. “Não é preparar só bem a forma física, é preparar mentalmente, porque cada competição é uma batalha mentalmente para mim neste momento”, referiu, destacando o papel da equipa técnica que o acompanha diariamente. “Tenho a minha treinadora, uma psicóloga, a nutrição, todas essas pessoas estão a trabalhar para mim para eu ultrapassar as dificuldades que tenho encontrado no dia a dia.” Quanto às expectativas para a prova em Brasília, João Vieira mantém uma postura realista, mas ambiciosa. “Neste momento a lista de partida tem 91 atletas. Se eu chegar na primeira metade da competição seria bastante bom, dado que não é a minha distância neste momento”, afirmou, sem esconder o desejo de repetir prestações recentes de elevado nível. “Se conseguir aproximar-me do meu recorde nacional que bati há poucas semanas, era um espetáculo.”