Portugal volta a marcar presença num Campeonato da Europa de Ciclismo de Pista de Elites, desta vez entre 1 e 5 de fevereiro, em Konya, na Turquia, com uma seleção composta por quatro atletas. A competição, que reúne 315 ciclistas de 30 países e distribui 22 títulos europeus, representa o arranque oficial da época internacional de pista e assume particular relevância no atual ciclo de qualificação para os grandes eventos internacionais.A equipa portuguesa é liderada por Iúri Leitão, campeão olímpico de Madison e medalhado de prata em omnium, que surge como principal referência competitiva do conjunto nacional. Ao seu lado estarão Daniela Campos, única representante feminina, Diogo Narciso e Miguel Salgueiro, formando um grupo equilibrado entre experiência internacional e aposta no desenvolvimento competitivo.A convocatória foi definida pelo selecionador nacional Gabriel Mendes, que enquadra esta participação numa estratégia clara de acumulação de pontos para o Ranking UCI de pista, tanto a nível individual como coletivo. Esses pontos são determinantes para a qualificação de Portugal para o próximo Campeonato do Mundo de Pista, marcado para outubro, em Xangai, prova que dará início formal ao processo de qualificação olímpica rumo a Los Angeles 2028.Gabriel Mendes explicou ao DN os critérios para a escolha dos atletas “São todos eles atletas com vários anos de representação da seleção nacional. Nós temos um conjunto alargado de atletas que podem, ou que poderiam estar aqui. É evidente que temos de gerir uma série de variáveis associadas à planificação. Estamos a falar que poderia também estar aqui o Rui, o Ivo e muitos, mas isso faz parte da própria gestão que tenho de fazer da seleção. Tendo em conta também o programa misto que eles fazem entre estrada e pista”, mas acrescentou ainda que “aquilo que fizermos vai ser importante para as nossas probabilidades de qualificação para o Campeonato do Mundo e o Campeonato do Mundo vai ser a primeira prova que vai contar para a qualificação Olímpica. Há uma série de processos que estão encadeados e que as pessoas muitas vezes não compreendem, porque estão só numa lógica de ver o imediato. Nós estamos a fazer um trabalho que não é só para esta semana, é um trabalho a médio prazo”. No setor feminino, Daniela Campos terá um programa particularmente exigente. A ciclista portuguesa alinhará em quatro provas consecutivas: scratch no domingo, eliminação na segunda-feira, omnium na terça-feira e corrida por pontos na quarta-feira. Esta participação diária reflete a necessidade de maximizar oportunidades de pontuação, num contexto em que Portugal sentiu o impacto do novo sistema de qualificação, não tendo conseguido apurar atletas femininas para o último Mundial realizado em Santiago..O selecionador nacional de pista reconhece que “para a Daniela é evidente que é exigente, como é óbvio. Mas nós estamos a procurar melhorar o nosso ranking, nomeadamente individual. A Maria Martins não pode estar cá. Mas mesmo que fosse a Maria ou fosse outro atleta, provavelmente a nossa estratégia passaria por uma concentração de provas numa atleta que tem em conta as nossas probabilidades de qualificação para o próximo campeonato do mundo na parte feminina. Eu poderia trazer uma outra atleta, é óbvio que sim, mas iria reduzir essa probabilidade porque o sistema de qualificação para o Mundial, ou é feito por meio da nação ou é feito por meio da nossa melhor atleta no ranking. E a atleta que neste momento tem as melhores condições de poder ter o ranking para conseguirmos esse objetivo é a Daniela”.Daniela Campos é uma das ciclistas portuguesas mais consistentes da sua geração, com resultados relevantes tanto no ciclismo de estrada como no ciclismo de pista. A atleta construiu um percurso competitivo sólido desde as categorias jovens. Em pista, alcançou projeção europeia ainda como júnior ao conquistar a medalha de bronze no omnium nos Campeonatos da Europa de Pista de 2020. Em masculinos, Iúri Leitão, Diogo Narciso e Miguel Salgueiro repartem as participações pelas provas de eliminação, corrida por pontos, scratch, perseguição individual, omnium e madison. A definição exata de quem alinhará em cada disciplina será feita mais próximo da competição, em função do estado físico e das necessidades estratégicas da seleção.“Neste momento o que eu posso informar é que o Yuri vai fazer as provas olímpicas e, portanto, o que me falta saber é quem é que o vai acompanhar na prova de Madison, isto num contexto em que não haja nenhuma adversidade. Mas no sábado já anunciamos quem é que vai competir em que provas”, revelou o técnico..Somando as medalhas olímpicas, Iúri Leitão também se afirmou de forma consistente no cenário europeu. É múltiplo campeão europeu, destacando-se nos títulos de scratch conquistados em várias edições do Campeonato Europeu de Pista (incluindo 2020, 2022, 2024 e 2025) e venceu a prova por pontos em 2025 com um total elevado de pontos, estabelecendo um novo recorde de pontuação no evento. Em Mundiais mais recentes, voltou ao pódio ao conquistar a medalha de bronze no scratch nos Campeonatos do Mundo de 2025, em Santiago do Chile. .Diogo Narciso destacou-se com resultados em provas de pelotão, incluindo participações em Taças das Nações,onde obteve classificações entre os primeiros lugares no omnium e na corrida por pontos, e foi quarto classificado no omnium da Taça das Nações de Pista, na Turquia. Também competiu nos Campeonatos Mundiais de Ciclismo de Pista de 2025, onde participou na prova de perseguição individual de 4 Km, ficando na 21.ª posição na qualificação. Além disso, em 2025 competiu com Iúri Leitão na prova de madison dos Mundiais, com a dupla a alcançar a 5.ª posição geral,.No que diz respeito a Miguel Salgueiro tem desenvolvido a sua carreira sobretudo nas provas de perseguição por equipas, corrida por pontos, scratch e Madison.Ao longo das últimas épocas, Miguel Salgueiro tem participado em Campeonatos Nacionais de Pista, onde conquistou títulos e pódios nas categorias sub-23 e elite, contribuindo para o domínio das equipas a que pertence nas provas coletivas. O seu desempenho nessas competições valeu-lhe a chamada regular às seleções nacionais, com participação em Campeonatos Europeus de Pista e em etapas da Taça das Nações UCI, onde Portugal tem apostado na consolidação de um bloco competitivo nas provas de fundo.Portugal chega a Konya motivado pelos resultados alcançados na última edição do Campeonato da Europa, disputada em Heusden-Zolder, na Bélgica, onde a seleção conquistou seis medalhas. Nesse Europeu, Iúri Leitão sagrou-se campeão europeu de scratch e de corrida por pontos, Rui Oliveira conquistou a prata na eliminação, Ivo Oliveira foi vice-campeão europeu na perseguição individual, enquanto os irmãos Oliveira arrecadaram o bronze no Madison e Maria Martins subiu ao pódio no scratch feminino.Gabriel Mendes não quer falar em medalhas apesar de reconhecer que os ciclistas vão dar o melhor para atingir o pódio em cada prova: “Eu confesso que nunca falo em medalhas com os atletas. Temos uma filosofia, um processo de trabalho orientado, para aquilo que nós controlamos. E procuramos entrar na pista nas melhores condições e dar a nossa melhor resposta. Depois não saberemos o que vai acontecer na competição. É sempre algo imprevisível.O nosso compromisso e a nossa abordagem, sempre, é prepararmo-nos para a competição e dar a melhor resposta. Se isso nos permitir chegar ao lugar de pódio, ótimo. É evidente que o nosso histórico de resultados gera essas expectativas. É um processo normal. Agora, nós não vamos colocar entre o grupo esses discursos porque não é a nossa forma de trabalhar”.Para além dos objetivos imediatos, a presença portuguesa em Konya insere-se num plano de preparação a médio e longo prazo da Seleção Nacional de Elites, promovendo a integração progressiva de atletas com menor experiência internacional. A aposta em ciclistas como Diogo Narciso e Miguel Salgueiro visa reforçar a profundidade competitiva da equipa nacional, preparando Portugal para responder às ausências pontuais de referências como Iúri Leitão, Maria Martins ou os gémeos Ivo e Rui Oliveira. .Iuri Leitão: "Segundo lugar nos mundiais de ciclismo é o maior feito da minha carreira".Ciclismo de pista. Iúri Leitão é campeão europeu na prova por pontos