Nos últimos 25 anos, o Campeonato Português teve uma alternância de três formatos para as descidas de divisão, ora prevendo duas ou três descidas diretas, ora avançando para um modelo de um play-off com o terceiro da II Liga para definir a última vaga no principal escalão. Contas feitas, são 61 descidas de divisão consumadas desde 2001 e incluindo já o AFS, que conheceu o seu destino na I Liga 2025/26 no passado fim de semana.Desde o arranque de século, 36 clubes diferentes caíram para a II Liga, o que denota a luta competitiva pelas vagas no principal escalão. Há rotatividade, clara, entre os aflitos. Dessas formações, 13 nunca mais conseguiram voltar a pisar a divisão maior do futebol português. A percentagem de 36,1% dos clubes que não mais voltaram à I Liga revela a dificuldade de se carimbar o regresso ao topo e também, em vários casos, o fim de projetos desportivos com alguma relevância histórica ou até fusões e divisões que fizeram com que estes mesmos clubes viessem a mergulhar em situações prejudiciais à sua sobrevivência. O DN faz uma viagem a essa realidade.Entre as 18 equipas que só desceram uma vez desde o início do século, V. Guimarães, Tondela, Arouca e Gil Vicente encontram-se atualmente na principal divisão. Das remanescentes (13), há que assinalar que Leixões, Marítimo e Vizela, todos na II Liga, têm mantido na mira uma ascensão ao campeonato principal. Os insulares estão mesmo bem encaminhados para regressar à prova de onde saíram em 2022/23. Mais traumáticos são outros casos de históricos. O Campomaiorense disputou e perdeu a final da Taça de Portugal em 1999 e dois anos depois desceu de divisão. Chegou pela primeira vez à I Liga em 1995/96, descendo logo a seguir. Em 2002, o presidente João Manuel Nabeiro excluiu o futebol profissional, rejeitou a vaga na II Liga depois de ter ficado em 10.º lugar e a equipa que representava o Alentejo passou para os distritais. A família Nabeiro não queria possíveis incumprimentos, numa altura em que se percebia que o futebol movimentava cada vez mais milhões. Hoje, não há futebol sénior no clube.O Salgueiros, com 24 presenças na I Divisão e uma ida à Taça UEFA, desceu em 2002 e três anos depois vivia problemas financeiros, que impediram a participação na III Divisão. Criado depois, o Salgueiros 08 avançou até à III Divisão, mas em 2016/17, depois de negociado com o administrador de insolvência, o nome inicial do Salgueiros foi recuperado e, desde aí, a luta tem passado por chegar à Liga 3, embora se tenha estabilizado no Campeonato de Portugal. Ainda espera o aval da autarquia do Porto para ter um novo estádio que se assemelhe ao mítico Vidal Pinheiro.De 2013 a 2016, a criada SAD do Olhanense, clube com 19 presenças na I Liga, acumulou prejuízos de tal ordem que fez com que se avançasse para a insolvência dos algarvios, ressuscitados com o nome Olhanense 1912. Manuel Cajuda, presidente do clube e ex-treinador, recuperou depois o nome original do emblema e milita nos Distritais. A Naval 1.º de Maio, com um vasto rol de modalidades e nascida em 1893, esteve na I Liga seis anos, mas suspendeu as atividade de formação e da equipa sénior de futebol em 2017. O novo clube, de nome Associação Naval 1893, foi criado em agosto desse ano. Está no Campeonato de Portugal neste momento. O União da Madeira teve também seis presenças na I Liga, de onde caiu em 2016 e foi declarado insolvente em 2019, com uma dívida superior a sete milhões de euros. No ano seguinte, foi criado o CF União da Madeira 1913, em 2021 foi aprovada a dissolução do União. Ainda assim, a nova associação durou menos de três anos, por haver uma deliberação dos sócios a aprovar o arranque do União da Bola FC, a competir na AF Madeira.Caso conhecido foi a criação da SAD no Belenenses, que abriu um litígio entre o consórcio e o clube que levou a que os azuis se separassem de Rui Pedro Soares e começassem o seu caminho nos distritais, a partir de 2018. O clube não tem agora dívidas e está separado da B SAD, que desceu de divisão em 2022. A sociedade anónima de Soares fundiu-se com o Desportivo Portalegrense em 2024. Em 2022, a Académica apresentou um plano de insolvência e recuperação por dívidas acima dos 5,6 milhões de euros. O Trofense comunicou ter dívidas acima dos 3 milhões de euros e preparou a venda de 80% da SAD a um grupo norte-americano representado por Henrique Sereno. O Varzim também teve bens penhorados e enfrenta um Processo Especial de Revitalização para amortizar a dívida e evitar insolvência. Estes quatro últimos clubes estão na Liga 3 e entre Académica e Belenenses pelo menos um deverá subir à II Liga. A descida do Boavista aos distritais mancha, mais uma vez, os clubes históricos, que tal como o Belenenses chegou a ser campeão nacional. No elástico, com três descidas, têm andado Paços de Ferreira, Estrela da Amadora, Farense, Moreirense, Nacional e Portimonense. O Beira-Mar esteve em circunstâncias semelhantes e agora está no Campeonato de Portugal depois de em 2017 ter visto os credores perdoarem cinco milhões de euros. O Desp. Aves contabiliza neste século três descidas e cedeu recentemente o seu estádio ao AFS, que era a SAD do Vilafranquense na II Liga até 2023, altura em que se mudou para a Vila das Aves, tendo visto consumada a despromoção após duas épocas na I Liga..Já há uma equipa despromovida para a II Liga: vitória do Nacional sobre o Alverca ‘empurra’ AVS.Um ano depois de ter subido, Belenenses desce de divisão.FIFA ordena retirada de 12 pontos à Naval 1.º de Maio.FCP, Boavista e Salgueiros: futebol bem à moda do Porto