Durante quase duas décadas, Lionel Messi acumulou títulos, recordes, Bolas de Ouro e momentos de génio. Mas falta-lhe algo para completar a carreira. No Catar, aos 35 anos, o capitão argentino chegou àquela que parecia ser a sua última oportunidade de vencer um Mundial, e finalmente chegar ao topo com sua seleção, um fantasma com o qual sempre conviveu. Fo naquele ano, embalado pelo grito do povo argentino, que o destino reservava-lhe uma das histórias mais bonitas da história do futebol.A edição de 2022 foi a primeira realizada no Oriente Médio e também a primeira disputada entre novembro e dezembro, uma mudança motivada pelas temperaturas extremas do verão catari. Num país pequeno, onde todos os estádios estavam separados por poucas dezenas de quilómetros, o Mundial decorreu num ambiente diferente de qualquer outro visto até então e sob muita pressão externa pela escolha da FIFA num país conhecido por violações de direitos humanos.O torneio começou da pior forma para a Argentina. A derrota por 2-1 frente à Arábia Saudita, logo na estreia, entrou para a lista das maiores surpresas da história dos Mundiais e pareceu colocar em causa o sonho do tri. A reação, porém, foi imediata. Liderada por Messi e pelo selecionador Lionel Scaloni, que promoveu mudanças fundamentais na equipa, como a entrada de Enzo Fernández, a Argentina venceu México e Polónia, ultrapassou Austrália e Países Baixos nas eliminatórias e eliminou a Croácia por 3-0 para regressar a uma final mundial 36 anos depois do título conquistado por Diego Maradona em 1986.E do outro lado, se a Argentina carregava o peso do jejum, a França procurava algo igualmente raro: defender o título conquistado em 2018. Mesmo privada de várias figuras importantes por lesão, a equipa de Didier Deschamps voltou a demonstrar enorme qualidade e encontrou em Kylian Mbappé a principal figura de uma nova geração francesa.Pelo caminho, o Mundial produziu outras histórias memoráveis: Marrocos tornou-se a primeira seleção africana a atingir uma meia-final, eliminando Espanha e Portugal numa campanha histórica que mobilizou todo o mundo árabe. O Japão venceu os grupos da morte ao derrotar Alemanha e Espanha, enquanto os alemães voltaram a cair ainda na fase de grupos pela segunda edição consecutiva.Portugal viveu uma campanha que deixou "gostinho de quero mais". Cristiano Ronaldo tornou-se o primeiro jogador a marcar em cinco Mundiais diferentes, mas a seleção acabou eliminada nos quartos de final por Marrocos. Pelo meio, Gonçalo Ramos, que substituiu Ronaldo, assinou um hat-trick na goleada por 6-1 frente à Suíça, naquela que foi uma das melhores exibições portuguesas de sempre em fases finais. A eliminação marcou também o fim da era Fernando Santos, campeão europeu, no comando da seleção nacional.Já final entre Argentina e França entrou logo na lista dos maiores jogos da história do futebol e, provavelmente, a maior final de Mundiais de todos os tempos. A equipa sul-americana chegou a liderar por 2-0 e parecia encaminhada para o título, mas Mbappé marcou dois golos em apenas dois minutos e levou o encontro para prolongamento. Messi voltou a colocar os argentinos em vantagem, Mbappé respondeu novamente e completou um hat-trick histórico. Após um empate por 3-3, a decisão seguiu para os penáltis..Nas grandes penalidades, Emiliano Martínez, uma das maiores figuras daquele torneio, e que já havia salvado remate de Kolo Muani no minuto final, voltou a ser decisivo e a Argentina conquistou o seu terceiro título mundial. Messi marcou dois golos na final, recebeu a Bola de Ouro do torneio e completou finalmente a coleção de troféus que perseguira durante toda a carreira. Para muitos argentinos, foi o momento em que o capitão encontrou definitivamente ‘Dios’.Mais do que a consagração de uma seleção, o Catar ficará para sempre associado à imagem de Messi erguendo a taça dourada em Lusail, como o dia que um dos maiores jogadores da história encontrou finalmente o único título que lhe faltava e encerrou uma das mais longas e fascinantes buscas do futebol mundial. Indo agora para seu último torneio, temos a certeza de que Messi e os 'hermanos' farão de tudo para conquistar mais um título. A ansiedade está alta, afinal, falta apenas um dia para o arranque do Mundial de 2026..Argentina quer defender a coroa mundial: Otamendi lidera ligação portuguesa de uma campeã sob pressão.História dos Mundiais. Em 1978, o Mundial da ditadura terminou com o primeiro título da Argentina