Cannavaro com o troféu do Mundial de 2006.
Cannavaro com o troféu do Mundial de 2006. Foto: Pascal Pavani/DR FIFA

História dos Mundiais. Em 2006, a Itália conquistou o tetra e Zidane despediu-se com uma fatídica cabeçada

Num Mundial que devolveu Portugal às meias-finais 40 anos depois, a despedida do craque francês acabou por roubar parte do protagonismo ao quarto título mundial da Itália.
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O Mundial de 2006, disputado na Alemanha, reuniu praticamente tudo aquilo que torna uma grande competição: jogos dramáticos, novos protagonistas que marcariam uma era, consagrações improváveis e uma das cenas mais icónicas da história do futebol. No final, a Itália conquistou o quarto título mundial da sua história, mas a imagem que ficou mais marcada foi outra: a fatídica cabeçada de Zinédine Zidane em Marco Materazzi na final de Berlim e em seu último ato da carreira.

A competição começou com o Brasil apontado como principal favorito. Campeã em 2002, a seleção reunia estrelas como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano, chamado de "Quadrado Mágico" e outros craques como Roberto Carlos, Zé Roberto, Juninho Pernambucano e Robinho.

A Argentina, que manteve nomes de 2002, e outros como o novato Lionel Messi, além de Tevez e Riquelme, também impressionava, enquanto a anfitriã Alemanha crescia ao embalo dos adeptos. Mas, à medida que o torneio avançava, foram Itália e França que encontraram o melhor futebol nos momentos decisivos.

A caminhada italiana foi marcada pela solidez defensiva e pelo espírito competitivo que tantas vezes definiu a Azzurra ao longo da história dos Mundiais. Com Gianluigi Buffon na baliza, Fabio Cannavaro a liderar a defesa e Andrea Pirlo a comandar o meio-campo, a equipa eliminou Austrália, Ucrânia e Alemanha até chegar à final.

A meia-final contra os alemães, aliás, decidida na prorrogação com golos de Fabio Grosso e Alessandro Del Piero, continua a ser recordada como um dos melhores jogos da história da Itália nos Mundiais.

Fábio Grosso foi um dos heróis italianos nas meias-finais e na grande decisão.
Fábio Grosso foi um dos heróis italianos nas meias-finais e na grande decisão. Foto: Martin Rose/DR FIFA

Do outro lado estava a França de Zidane. Aos 34 anos, o capitão francês tinha anunciado que se retiraria após o torneio e parecia determinado a encerrar a carreira em grande estilo. Depois de uma fase de grupos discreta, os franceses eliminaram Espanha, Brasil e Portugal, muito graças à genialidade do seu número 10. Contra os brasileiros, Zidane ofereceu uma das exibições mais brilhantes da carreira e ajudou a derrubar os campeões em título.

Para Portugal, aquele Mundial representou o melhor desempenho desde o histórico terceiro lugar conquistado por Eusébio em 1966. Sob comando de Luiz Felipe Scolari, campeão pelo Brasil no Mundial anterior, a seleção venceu o grupo com três triunfos em três jogos, eliminou os Países Baixos no explosivo "Jogo da Batalha de Nuremberga", recordista de cartões na história dos Mundiais, e afastou a Inglaterra nos penáltis.

Nas meias-finais, porém, surgiu a França. Um penálti convertido por Zidane decidiu a partida e impediu Portugal de alcançar a primeira final mundial da sua história. Ainda assim, o quarto lugar confirmou o talento da geração liderada por Luís Figo, Deco, Ricardo Carvalho, Maniche e um jovem Cristiano Ronaldo, então com apenas 21 anos e disputando seu primeiro torneio.

A final, disputada a 9 de julho em Berlim, parecia destinada a tornar-se a despedida perfeita de Zidane. O francês abriu o marcador com uma ousada "Panenka" de penálti. Materazzi empatou pouco depois e o jogo seguiu equilibrado até à prorrogação. Foi então que aconteceu o impensável: após uma troca de ofensas com o defesa italiano, Zidane virou-se e acertou uma cabeçada no peito de Materazzi. O árbitro mostrou o cartão vermelho e o génio francês abandonou o relvado pela última vez, com seu último suspiro sendo à agressão ao italiano.

O último ato da carreira de 'Zizou' ficou para a eternidade como um dos principais momentos da história de todos os Mundiais.
O último ato da carreira de 'Zizou' ficou para a eternidade como um dos principais momentos da história de todos os Mundiais. Foto: DR/FIFA

Sem o seu líder, a França perdeu o desempate por penáltis. Fabio Grosso converteu o remate decisivo e a Itália conquistou o tetracampeonato mundial. Zidane recebeu a Bola de Ouro do torneio, mas a sua despedida acabaria eternizada não por um golo ou uma assistência, mas por um momento de fúria que continua a ser debatido duas décadas depois.

Mais do que o tetra italiano, que depois disso não conseguiram mais obter este protagonismo no torneio, o Mundial de 2006 ficou marcado pelo fim de uma era. Foi a última Copa de Zidane, Figo, Ronaldo, Ronaldinho, Cannavaro, Totti e tantos outros protagonistas da viragem do século e foi também o primeiro Mundial de dois jovens que dominariam o futebol durante os 15 anos seguintes: Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, que agora vão para seu sexto torneio. Faltam 5 dias para o arranque do Mundial de 2026.

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