Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) tornou-se esta quarta-feira, 13 de maio, no terceiro ciclista português a vestir a camisola rosa na Volta a Itália, após ter sido segundo na quinta etapa da 109.ª edição vindo da fuga, replicando o feito de João Almeida seis anos depoisAos 24 anos, e naquela que é a sua segunda presença em grandes Voltas, o figueirense foi segundo na quinta etapa, dois segundos atrás do espanhol Igor Arrieta (UAE Emirates), após ter integrado a fuga do dia desde os quilómetros iniciais, e ascendeu à liderança da geral.O luso da Bahrain Victorious tem 02.51 minutos de vantagem sobre o vencedor do dia, que cumpriu a tirada em 05:07.51 horas, e 03.34 sobre o italiano Christian Scaroni (XDS Astana), que é terceiro.Seis anos depois de João Almeida liderar o Giro durante 15 dias, Eulálio imitou o melhor voltista português da atualidade e também Acácio da Silva.Em 1989, Acácio da Silva, que também comandou a Volta a França, teve a camisola vestida durante apenas um dia, perdendo-a na terceira etapa para o italiano Silvano Contini, após um contrarrelógio por equipas.Antigo campeão nacional de fundo de sub-23 (2022), o nono classificado dos últimos Mundiais confirmou hoje a sua ascensão no pelotão internacional e ‘ajustou contas’ com o Giro.“É um ajuste de contas. É ver se fecho algo que deixei aberto o ano passado”, confessou à agência Lusa antes do arranque da 109.ª edição da Volta a Itália, em Nessebar, na Bulgária.Afonso Eulálio estreou-se na ‘corsa rosa’ no ano passado e até deu nas vistas, ao coroar em solitário o Mortirolo, uma das mais icónicas e difíceis subidas da Volta a Itália, mas dois dias depois do seu feito, durante a 19.ª etapa, desistiu.Agora, o português defende a liderança na quinta-feira, na sexta etapa, que vai ligar Paestum a Napóles em 142 quilómetros essencialmente planos."Ainda não acredito. É incrível", diz EulálioAfonso Eulálio sente-se “incrível” por ser o camisola rosa na Volta a Itália, mas assume que ainda lhe falta ‘saldar’ a aposta que tem com Damiano Caruso.“Ainda não sei como me sinto, ainda não acredito. É incrível para mim vestir a camisola rosa. Todo o dia de hoje foi de loucos, temos de ver o que fazer nos próximos dias”, confessou o jovem português de 24 anos aos microfones da Eurosport.O figueirense da Bahrain Victorious, a participar apenas pela segunda vez numa grande Volta, tornou-se hoje no terceiro português a liderar o Giro, depois de Acácio da Silva (1989) e João Almeida (2020).“Na subida íngreme, a 50 quilómetros, acreditei [que podia chegar à liderança] e fui all in para isto, mas também para a etapa. Queria mesmo ganhar a etapa, porque tenho uma aposta com Damiano Caruso [seu colega] de que se vencer duas tiradas [neste Giro] me oferecem mais um ano de contrato. Não ganhei, mas há mais oportunidades”, revelou.Seis anos depois de Almeida, ausente desta Volta a Itália por não estar a 100%, Afonso Eulálio subiu ao pódio, em Potenza, envergando a ‘maglia rosa’, que conquistou ao integrar a fuga da quinta etapa.“Sem o Santiago [Buitrago], abriram-se oportunidades. Este dia também é para o Santiago, que não está aqui connosco”, declarou, referindo-se àquele que era o líder da Bahrain Victorious neste Giro, mas que desistiu por ter estado envolvido na queda grave da segunda etapa.“No final, se tivesse conseguido chegar sem a queda seria melhor, mas foi um dia super, superdifícil, com as subidas, a meteorologia. Em alguns momentos, senti que não estava no meu melhor, mas penso que todos [os fugitivos] sentiram o mesmo e, no final, senti-me bastante bem”, resumiu.“Tenho dias muito, muito bons. Tento trabalhar com a equipa para ser mais consistente, e não ter tantos altos e baixos. Trabalhamos duro para isto”, assumiu, prevendo uma “boa” festa na Figueira da Foz.Antigo campeão nacional de fundo de sub-23 (2022), o nono classificado dos últimos Mundiais prometeu que vai tentar o seu melhor nos próximos dias para defender a liderança da geral.