A Fórmula 1 chegou a acordo para aumentar gradualmente a potência dos motores de combustão interna a partir de 2027, numa medida destinada a reduzir as preocupações associadas à gestão de energia dos monolugares híbridos e a aliviar a carga de trabalho dos pilotos. A decisão foi alcançada entre a Federação Internacional do Automóvel (FIA), as equipas, a Formula One Management (FOM) e os fabricantes de unidades de potência, prevendo alterações em duas fases que culminarão, em 2028, numa repartição de potência de 60% proveniente do motor de combustão e 40% do sistema elétrico.As mudanças, anunciadas pela FIA esta quarta-feira, 10 de junho, surgem como um refinamento dos regulamentos técnicos previstos para 2026. Várias preocupações foram levantadas por pilotos e equipas relativamente à complexidade da gestão energética em determinados circuitos e às elevadas velocidades de aproximação entre monolugares.A primeira fase das alterações entrará em vigor em 2027, quando o fluxo de combustível aumentará cerca de 5%, permitindo elevar a potência do motor de combustão de 544 cavalos para aproximadamente 571 cavalos. Em paralelo, a potência máxima do motor elétrico será reduzida dos atuais 350 kW (476 cavalos) para 300 kW (408 cavalos).Apesar dessa redução, o Overtake Mode — mecanismo utilizado para disponibilizar potência adicional em momentos de ultrapassagem — manter-se-á nos 350 kW, preservando um elemento estratégico considerado importante para o espetáculo em pista. Com estas alterações, a divisão de potência passará dos atuais 53/47 para 58/42, aproximando-se do equilíbrio energético previsto para a fase seguinte.Em 2028, a Fórmula 1 avançará para uma alteração mais profunda, através de um aumento adicional do fluxo de combustível, estimado em cerca de 13%, permitindo elevar a potência do motor de combustão para aproximadamente 612 cavalos. A partir desse momento, ficará estabelecida a divisão final de 60/40 entre combustão e eletrificação.Ao mesmo tempo, o limite máximo de recuperação de energia voltará a aumentar para 400 kW (544 cavalos), embora a potência máxima de utilização e o modo de ultrapassagem permaneçam inalterados.A FIA sublinha que estas mudanças procuram responder aos desafios operacionais identificados nos novos regulamentos, nomeadamente as dificuldades na gestão energética durante corridas e sessões de qualificação. “Os regulamentos da Fórmula 1 para 2026 foram desenvolvidos e acordados em estreita parceria entre a FIA, a FOM, as equipas, os fabricantes automóveis e os fabricantes de unidades de potência. Estas alterações refletem a continuação dessa colaboração”, refere a federação em comunicado.O entendimento alcançado representa também um compromisso entre fabricantes com posições distintas sobre a velocidade das mudanças. Enquanto algumas estruturas, como Mercedes e Red Bull Ford Powertrains, defendiam alterações mais profundas já em 2027, outras, entre as quais Audi e Ferrari, manifestavam reservas quanto aos prazos de implementação e ao impacto financeiro dos ajustamentos.A solução encontrada privilegia uma transição gradual em vez de uma reformulação abrupta, permitindo aos fabricantes adaptar os seus projetos sem comprometer os investimentos já realizados nas novas unidades de potência.A FIA anunciou ainda alterações aos regulamentos financeiros das unidades de potência, criando maior margem dentro do teto orçamental para acomodar os custos associados às modificações técnicas. As propostas serão submetidas à ratificação formal do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA a 23 de junho, em Macau..F1: Engenheiro de Max Verstappen sai da Red Bull em 2028.Sainz volta a criticar defensores das novas regras da F1 e alerta para riscos na segurança dos pilotos