A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou esta sexta-feira o pagamento imediato da dívida à Segurança Social relativa aos contratos com a Femacosa, do antigo selecionador Fernando Santos.Em comunicado, a FPF confirma a notícia desta sexta-feira do jornal desportivo Record, dando conta da notificação por parte da Segurança Social, de um valor a rondar os 2,6 milhões de euros (ME), assim como da decisão do organismo liderado pelo antigo árbitro Pedro Proença liquidar imediatamente a dívida, tomada na terça-feira, em reunião de emergência da direção.Em dívida estão as contribuições à Segurança Social, entre dezembro de 2021 e dezembro de 2022, referentes ao contrato com a empresa Femacosa, constituída em 2014, para o pagamento do antigo selecionador e restante equipa técnica, atendendo que os valores anteriores prescreveram.Fernando Santos, que levou Portugal à conquista do título europeu em 2016 e da Liga das Nações em 2019, através da referida empresa, pagava IRC, numa taxa inferior ao escalão de IRS que seria exigido pelo seu vencimento.A FPF confirma “o pedido de liquidação de um montante de, pelo menos, 2.603.838 euros, relativa a contribuições consideradas em falta no período compreendido entre dezembro de 2021 e dezembro de 2022, a que se juntarão juros de mora e coimas, os quais não se encontram ainda contabilizados”.Daí que o elenco liderado por Proença alerte para o “impacto altamente gravoso e significativo na situação financeira e no equilíbrio orçamental da FPF para a presente época, a qual previa um resultado positivo de 3,1 ME”.“A Segurança Social imputa desconformidade legal à arquitetura laboral concebida no período em questão, assente na interposição de diversas sociedades comerciais em detrimento da celebração de um contrato de natureza desportiva com a equipa técnica - ao contrário do que era até então procedimento comum e que é, de resto, praticado com o atual selecionador nacional [Roberto Martínez, também contratado pelo antigo presidente Fernando Gomes]”, descreve a FPF.Assegurando “o absoluto compromisso com as boas práticas de gestão, bem como a total transparência e intransigente defesa do bom nome e da reputação da instituição”, a FPF permitiu o acesso aos documentos sobre este negócio à comunicação social, acrescentando ter compreendido, através de pareceres jurídicos independentes, da inutilidade da manutenção do diferendo.“Atendendo às reduzidas probabilidades de êxito de uma eventual contestação e aos elevados custos associados, designadamente encargos judiciais, acréscimo de juros de mora e agravamento de coimas, a direção da FPF deliberou, por unanimidade, proceder à liquidação imediata dos montantes em dívida”, sublinha o organismo.O comunicado remata com a promessa de dar conhecimento do processo aos órgãos sociais e sócios ordinários, em Assembleia Geral, atendendo ao facto de “o presente processo ter sido herdado da anterior administração e tendo em conta a gravidade dos factos em apreço”.