FC Porto-Benfica. O clássico da perseguição

A equipa de Sérgio Conceição recebe a de Jorge Jesus na 14.ª jornada da I Liga (21.00). Quem vencer continua a pressionar o líder Sporting, quem perder arrisca ficar mais longe do título...

Na tabela estão em igualdade pontual, mas a história recente faz do FC Porto favorito no clássico da 14.ª jornada da I Liga (às 21.00, Sport TV). A equipa de Sérgio Conceição ganhou os últimos quatro duelos frente ao Benfica - o último valeu um troféu, a 22.ª Supertaça Cândido Oliveira -, mas a estatística não seduz o pragmático técnico portista: "A hegemonia é o próximo jogo. Se não ganharmos, temos aqui umas pistolas e umas fisgas apontadas. Isto faz parte do que é o futebol: resultados."

O técnico portista lembrou o contexto do último jogo, na Taça de Portugal, em que se impôs ao Nacional, na Madeira, por 4-2 após prolongamento, para revelar o que difere face ao adversário, que jogou a 20 quilómetros de casa e venceu o Estrela da Amadora (4-0 nos 90 minutos). "Tivemos uma viagem, jogámos 123 minutos, chegámos de madrugada... Do onze do adversário nenhum teve muitos minutos. Estão há sete dias sem competir. É natural que haja uma diferença. Nem quero utilizar esse facto como justificação. Somos uma equipa de topo, mas não vou dizer que não queria ter uma semana limpa para preparar o jogo. O prolongamento não devia ter acontecido, devíamos ter feito quatro, cinco golos", assumiu o treinador dos dragões.

Sérgio Conceição espera uma partida "competitiva e difícil", como são habitualmente os clássicos: "São jogos muito intensos e importantes, e nós, treinadores e jogadores, percebemos essa importância. São três pontos que ganhamos e que não deixamos o adversário direto ganhar."

A estatística, segundo Conceição, não entrou na preparação do jogo: "Com que cara é que eu chego aos meus jogadores e digo: "Ó meus amigos, ganharam aquele jogo e agora quero que façam o mesmo". Isso não é futebol, isso não existe."

O trabalho dos portistas centrou-se em "perceber como é que o Benfica vai jogar" e analisar o que fizeram "de bem e menos bem na Supertaça", mas também em antecipar cenários: "Se joga com Pizzi junto do Darwin ou Waldschmidt com o Darwin..." Arranjar um onze que responda a tudo isto foi "verdadeiramente apaixonante" para o treinador do FC Porto.

Para Sérgio Conceição não é difícil adivinhar o onze do Benfica e até fazia duas equipas sem problema. Jorge Jesus concordou e avisou que o conhecimento é recíproco: "Não há muito para enganar: nem eu ao Sérgio, nem o Sérgio a mim."

Por isso é de esperar uma partida muito tática, que deverá ser decidia pela "qualidade da equipa que joga melhor quando tem a bola". E isso quem decide são os intérpretes. "Aquilo que pode fazer a diferença são algumas jogadas individuais de ambas as equipas, porque têm jogadores que podem criar espaço que, coletivamente, as equipas não conseguem. E, desse ponto de vista, espero que os jogadores do Benfica possam ser criativos para fazer essa diferença", analisou o técnico do Benfica.

Para Jesus, "as equipas estão em pé de igualdade". Além disso, "um clássico é um clássico" e "não tem muito a ver com o momento das equipas". Ou seja, a estatística desfavorável não entra em campo e "a derrota da Supertaça não tem nada a ver" com o jogo desta sexta-feira: "O importante, para mim, é que o Benfica faça um bom jogo e possa sair do Dragão com uma vitória, porque é esse o nosso pensamento. Temos a consciência do que podermos fazer."

Nos últimos jogos o treinador encarnado tem lamentado a falta de opções por causa da covid-19, mas o cenário atual já não é tão mau: "Todos os que vieram do processo de covid-19 já passaram os dez dias e por isso tenho muito mais opções para este jogo. Nesse sentido, acho que a equipa está muito melhor do que há umas semanas." Já depois da conferência de imprensa, o clube revelou mais três infetados, embora de acordo com as informações disponíveis nenhum deles é futebolista.

O risco de deixar o leão fugir

Em igualdade pontual na tabela (31 pontos), ambas as equipas querem evitar ficar para trás e deixar fugir ainda mais o líder Sporting, que tem quatro pontos de avanço, e joga às 18.30 com o Rio Ave em Alvalade. Assim, quem perder corre o risco de ficar sete pontos do primeiro lugar, se os leões vencerem a sua partida.

Jorge Jesus admitiu que "é preferível estar a dois ou três pontos do que a cinco ou seis" da liderança, mas segundo ele a questão "pode ser colocada ao contrário". Ou seja: "O Sporting perder". Além disso, a distância atual é recuperável, até porque os rivais de Lisboa ainda não se defrontaram nesta época.

O encontro de hoje no Estádio do Dragão (com arbitragem de Luís Godinho) é o 17.º entre os dois técnicos. Em Aveiro, quando ergueu a Supertaça o técnico portista somou o quinto triunfo face ao benfiquista, que leva a melhor no confronto direto (sete vitórias). Apesar de perder em termos globais, Conceição melhorou esta estatística desde que chegou ao comando do FC Porto, pois já se tinha superiorizado na época 2017-18, quando Jesus liderava o Sporting.

As únicas vitórias de Jesus na casa de Conceição aconteceram em 2013-14, quando o Benfica venceu a Académica, em Coimbra, por 3-0, e em 2012-13, época em que os encarnados triunfaram em Olhão por 2-1, na primeira ronda da terceira fase da Taça da Liga.

Contando apenas para o campeonato, Jesus venceu cinco vezes e Sérgio Conceição apenas duas, com mais três empates a zero.

Frente ao FC Porto, Jesus soma 11 vitórias, 11 empates e 25 derrotas em 47 jogos. Já Conceição contabiliza oito triunfos, dois empates e nove derrotas (19-23), em 19 duelos com o Benfica. Se vencer hoje ajudará os dragões a aumentar para dez a vantagem triunfante nos confrontos diretos entre os rivais.

Em vésperas do 246.º encontro, os portistas contabilizam 97 triunfos contra os 88 do rival da Luz, num duelo que contabiliza ainda 60 empates. Desde os anos de 1980, a supremacia azul e branca é esmagadora, com 58 triunfos, contra apenas 35 das águias. Para encontrar uma década de domínio benfiquista é preciso recuar aos anos de 1970, em que o Benfica somou mais cinco triunfos (11 contra seis, em 23 jogos), repetindo os anos de 1940 (14-6, em 22) e 1960 (12-7, em 28).

Dragões procuram inédito quinto triunfo seguido em quase 90 anos de clássicos

O FC Porto pode conseguir o quinto triunfo consecutivo frente ao Benfica, algo que nenhuma das duas equipas alcançou em quase 90 anos de história do clássico. Desde o primeiro encontro, no longínquo dia 28 de junho de 1931 (3-0 para o Benfica, na final do Campeonato de Portugal), o recorde de qualquer dos clubes é de quatro triunfos, conseguidos quatro vezes pelos dragões e um pelas águias (entre 1971-72 e 72-73).

Os comandados de Sérgio Conceição podem fazer história no embate marcado para o Estádio do Dragão, depois de três vitórias na época passada e uma já em 2020-21. Há menos de um mês, em 23 de dezembro de 2020, o FC Porto impôs-se aos encarnados (2-0) na Supertaça Cândido de Oliveira.

Na época passada os dragões também se superiorizaram nos três encontros com o Benfica, o primeiro na Luz, a 24 de agosto de 2019, para a terceira jornada da I Liga (2-0). Depois na segunda volta os encarnados tinham intenção de somar o 17.º triunfo consecutivo na prova, mas os azuis e brancos voltaram a prevalecer (3-2).

Já a 8 de fevereiro de 2020, o triunfo foi mais renhido (3-2). A terminar uma época muito longa, culpa da pandemia da covid-19, os dragões também derrotaram as águias na final da Taça de Portugal, em 1 de agosto, mesmo reduzido a 10 elementos.

Para encontrar um clássico entre Benfica e FC Porto que não tenha acabado com triunfo azul e branco é preciso recuar a 2018-19, mais precisamente a 2 de março de 2019, dia em que o onze de Bruno Lage triunfou no Dragão por 2-1.

O FC Porto já vai em quatro vitórias, igualando o registo máximo em clássicos entre as épocas 1956-57 e 57-58, 83-84 e 84-85 e 2001-02 e 2003-04.

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