Farioli e Marco Silva com visões diferentes sobre as "coisas estranhas" e a arbitragem do clássico
MANUEL FERNANDO ARAÚJO

Farioli e Marco Silva com visões diferentes sobre as "coisas estranhas" e a arbitragem do clássico

FC Porto venceu o Benfica, por 3-1, na 7.ª jornada da I Liga. Rui Costa atacou "dualidade de critério" do árbitro do clássico.
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O FC Porto venceu o clássico com o Benfica, por 3-1, e Francesco Farioli deixou vários elogios à exibição da sua equipa. "Foi um jogo complicado, feito de momentos, de dinâmicas e de circunstâncias. Creio que tivemos uma exibição muito boa, com um grande espírito de equipa. A fase em que acredito que talvez não tenhamos estado tão bem foi após o Benfica ter ficado com 10 jogadores, tivemos ali alguns minutos em que nos custou a reencontrar as referências, até termos feito os ajustes necessários mais tarde. No geral, acho que foi uma grande exibição contra um adversário de muita qualidade", disse o técnico portista na flash interview à Sport TV, lembrando que "continua a ser uma corrida muito longa pela frente contra duas equipas que, juntas, investiram mais de 200 milhões de euros no mercado".

O Benfica empatou no regresso do intervalo, mas a reação do FC Porto foi quase imediata e fez dois golos: "Contra tanta qualidade, se desligares durante um segundo ou se não fizeres tudo na perfeição, podes pagar a fatura. Foi isso que aconteceu, mas a reação foi bastante positiva. Eles têm qualidade individual e coletiva para serem sempre perigosos. Tivemos de reagir e restabelecer o rumo do jogo com a reação adequada."

Farioli explicou ainda que substitui Gabri Veiga ainda na primeira parte porque, nos últimos dias, o jogador sofreu alguns espasmos na perna.

Olhando para a tabela, à 7.ª jornada, o cenário é semelhante ao da época passada: com o FC Porto só com vitórias e já cinco pontos de vantagem para o segundo classificado, o Benfica: "O passado é o passado. Esta é uma nova era, uma nova época. Estamos satisfeitos com a forma como arrancámos, mas, como referi, a caminhada vai ser muito longa. Temos ainda muitos aspetos a aprimorar internamente com a equipa para reequilibrar o plantel. A profundidade do plantel é determinante. Precisamos de recuperar toda a gente o mais rapidamente possível para continuarmos a responder de forma consistente jogo após jogo."

Já quanto ao trabalho do árbitro Miguel Nogueira, o treinador portista considerou que "não aconteceram coisas estranhas esta noite. Por isso, correu tudo bem".

Marco Silva: "Fomos nós que perdemos o jogo"

Após a derrota com o FC Porto, Marco Silva considerou que o Benfica devia ter tido "mais maturidade" no Estádio do Dragão. Questionado sobre as palavras de Francesco Farioli, que afirmou que "não aconteceram coisas estranhas" esta noite, o técnico benfiquista evitou responder diretamente ao homólogo portista e disse apenas, que "se Farioli disse que não há coisas estranhas, há que acreditar..."

"A nossa entrada foi de muito bom nível, claramente dentro do plano que tínhamos traçado e com a identidade e com a coragem que têm sido a marca da nossa equipa desde o começo do campeonato ou do começo da época. Creio que nos primeiros 20/25 minutos fomos a equipa que tomou conta do jogo. Depois, naturalmente sofremos... Eu tenho que dizer que nós perdemos o jogo e fomos nós que o perdemos. Não querendo desrespeitar ninguém, nós é que perdemos o jogo esta noite, e é nisso que nós temos de trabalhar e é nisso que nós nos temos que focar. Temos de ter equilíbrio emocional e por isso eu digo: nós perdemos três pontos e nós perdemos o jogo", disse o treinador.

Para Marco Silva é importante mudar a cultura de pressão sobre a arbitragem no futebol português: "Em relação à expulsão [de Lenglet], eu não vou fazer qualquer comentário. Acho que é importante, se o clube tiver de dizer alguma coisa em relação ao jogo, acho que o clube deve dizê-lo. (...) Aqui, infelizmente, consegue-se condicionar árbitros antes dos jogos, depois dos jogos, durante a semana, de toda a forma e mais alguma, e por vezes dá resultado. Eu não vou entrar por aí..."

E voltou a referir que quer é que os jogadores "sejam mais maduros" e mantenham "o equilíbrio emocional" com ou sem provocações. "Vai ser fundamental para não acabarmos jogos com... 10. Nós sabíamos que era fundamental para nós hoje acabar o jogo com 11 para 11. Nós tínhamos falado disso, tinha dito aos jogadores que seria fundamental e o resultado nos iria sorrir de certeza. Infelizmente não aconteceu e temos de olhar para nós mesmos", admitiu o treinador do Benfica.

Rui Costa: "Não vou estar a discutir a expulsão do Lenglet, apesar de..."

Como 'pedido' por Marco Silva, o clube reagiu e na voz superior do presidente. Rui Costa apontou o dedo à "dualidade de critérios" na arbitragem da equipa chefiada por Miguel Nogueira na derrota (1-3). No entender do presidente, a expulsão de Lenglet acabou por condicionar a exibição da equipa, que fez uma "primeira meia hora muito boa".

"O Benfica entrou muito bem neste jogo. Entrou a mandar no jogo como estrategicamente o Marco Silva tinha pedido aos jogadores. Fizemos uma primeira meia hora muito boa, apesar de, no único deslize que tivemos, acabar por sofrer um golo. Ainda assim, mantivemo-nos no jogo até podermos estar no jogo. Claro que jogar aqui com 10 elementos não é a mesma coisa que jogar 11 para 11, e acredito que, se assim fosse, o resultado tinha sido diferente, ou o jogo tinha sido diferente, por aquilo que nós estávamos a fazer", disse Rui Costa aos jornalistas na zona mista do Estádio do Dragão.

O líder do emblema da Luz questionou ainda a intensidade do toque do francês na cara do avançado dos dragões: "Não vou estar a discutir a expulsão do Lenglet, apesar de, se vocês analisarem, o André Silva queixar-se da cara quando é uma pequena, uma ligeira pancada na nuca - nem sequer é na cara. Mas não vou estar a discutir o lance, porque sobretudo, depois de ter um amarelo, o nosso jogador não pode arriscar uma ação daquelas. Mas em relação à dualidade de critérios, sobretudo no fator disciplinar, acho que há uma dualidade tremenda. Há uma dualidade tremenda e o Benfica foi extremamente punido nisso, porque a quantidade de faltas que o FC Porto faz, para além da falta normal e que não é punida com amarelo, vai dando força a uma equipa e vai tirando a outra".

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