Europeus de Atletismo: Isaac Nader acelera para a final dos 1.500 metros
Isaac Nader, campeão do mundo dos 1.500 metros, foi hoje o único português a qualificar-se para a final da distância nos Campeonatos da Europa de atletismo Birmingham2026, com o segundo lugar na primeira série, em 03.35,67 minutos.
José Carlos Pinto e Nuno Pereira ficaram arredados da corrida decisiva, marcada para sábado, às 21:07, com o sétimo e 13.º lugares na segunda série, em 03.42,11 e 03.43,74, respetivamente – ambos fora das seis posições de apuramento.
“A primeira volta foi mais rápida do que eu pensava, mas, depois, parou um bocadinho e acho que foi um ritmo fácil. Consegui resguardar-me do vento, que, estranhamente, senti na pista toda e, apesar de fechado, nos últimos 200 metros abri um bocadinho e acelerei. Fui segundo, mas também não valia a pena forçar mais”, explicou Isaac Nader.
O recordista nacional dos 1.500, e também dos 800 metros, controlou o acesso à final, terminando apenas atrás do inglês Jake Wightman, que venceu a sua série em 03.41,57, já a pensar na final.
“O que importa é amanhã [no sábado]. Hoje era para desgastar o menos possível e controlar. Eu prometo sempre que vou dar o meu melhor, que é o que posso controlar. Se não ganhar, é o desporto. Tenho conseguido, nos treinos, fazer coisas interessantes, mas correr é correr”, reconheceu.
Aos 26 anos, o atleta algarvio assegurou sentir-se no “pico de forma”, depois de ter conseguido 03.30,43 este ano, ligeiramente abaixo do seu recorde nacional (03.29,37).
“Acho que, neste momento, estou a valer o recorde nacional. Sinto-me na minha melhor forma de sempre, mas não sei se serve para ganhar ou não, porque aqui são os campeonatos, há vários fatores e vamos ser 12 a querer uma medalha. Eu não sou diferente e vou lutar ao máximo por isso”, garantiu o já este ano vice-campeão do mundo em pista curta.
José Carlos Pinto, que era o sétimo no ranking antes dos Europeus, com 03.31,47, terminou nessa mesma posição, mas na segunda série, depois da desistência nos 5.000 metros.
“Não queria que me acontecesse o mesmo que aconteceu no 5.000, em que estava no meio da confusão e acabei por despender muita energia. Nesta prova, quis ficar fora da confusão, estar atrás e correr rápido no fim. Ainda consegui colocar-me em quarto nos últimos 200 metros, mas já estava por fora, não consegui encostar e, nos últimos cinco metros, o francês Romain Mornet passou por mim e eu já não consegui mudar de ritmo”, descreveu o atleta do Sporting, de 29 anos.
O também atleta ‘leonino’ Nuno Pereira, de 25, terminou um pouco atrás do seu companheiro de clube, um pouco mais conformado com o desfecho.
“Estando aqui, almejamos sempre passar à próxima fase, mas eu sabia que era difícil, porque o nível está muito alto e eu estou longe da minha melhor forma, tive uma época muito inconsistente, com muitos problemas físicos. Acabei por dar o meu melhor, sem deixar nada por dar na pista”, reconheceu o campeão europeu de sub-20 em 2019.
O melhor resultado português nos 1.500 metros pertence a Rui Silva, que conquistou a medalha de prata em Budapeste1998.
Birmingham2026 vai ter o primeiro pódio dos 1.500 metros sem nenhum dos irmãos Ingebrigtsen desde 2010 – Jakob é tricampeão, Filip venceu em 2016, Henrik foi 'vice' em 2014, depois de conquistar a medalha de ouro em 2012.

