André Clóvis (ao centro) é o abono de família do Académico de Viseu, com 20 golos na II Liga, razão por que já foi o Melhor Marcador em 2022/23.
André Clóvis (ao centro) é o abono de família do Académico de Viseu, com 20 golos na II Liga, razão por que já foi o Melhor Marcador em 2022/23.FOTO: Académico de Viseu

Estreia ou regresso? Académico de Viseu está lançado para devolver terras de Viriato ao mapa da I Liga

Viseenses estão em 2.º lugar na II Liga, em zona de subida, resultado de investimento avultado de um grupo alemão. Clube foi refundado em 2006, após insolvência do Académico original.
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A oito jornadas do fim da II Liga, o Académico de Viseu está em zona de subida ao escalão principal, no 2.º lugar, a seis pontos do líder Marítimo e com cinco de vantagem sobre o Torreense, em posição de play-off, e seis sobre o Vizela, que é 4.º classificado.

Ainda há 24 pontos em disputa, mas nas terras de Viriato já sonham em reentrar no mapa do patamar maior do futebol português, onde já estiveram representados em 1978/79, 1980/81, 1981/82 e 1988/89 pelo Clube Académico de Futebol, fundado a 7 de junho 1914. Esse era o Académico original, declarado insolvente em janeiro de 2006 após duas funcionárias da secção de Natação terem solicitado a insolvência.

Já este, que compete ininterruptamente na II Liga desde 2013/14, é o Académico de Viseu Futebol Clube. Embora seja emocionalmente o herdeiro do Clube Académico de Futebol, tem na sua génese um outro clube, o Grupo Desportivo de Farminhão, que militava na I Divisão Distrital da Associação de Futebol de Viseu e com o qual foi assinado um protocolo ainda em 2006 para assumir o atual nome e identidade.

Daí em diante, os viseenses foram subindo na hierarquia do futebol nacional até atingir as ligas profissionais, no espaço de sete anos. Uma ascensão da qual é indissociável António Albino, presidente desde 2006 até à sua morte, em maio de 2022, aos 76 anos.

Investimento não tem faltado

Desportivamente ainda não surtiu o efeito desejado, apesar da presença na final four da Taça da Liga em 2022/23, mas há cinco anos aconteceu o momento de viragem que tornou o Académico um crónico candidato à subida à I Liga.

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Académico de Viseu vence Boavista e vai à final four da Taça da Liga

A 13 de agosto de 2021, foi oficializada a venda de 51% da SAD academista à Hobra GmbH & Co. KG, uma empresa alemã especialista em investimentos desportivos. Em novembro do ano seguinte, a firma germânica passou a ser detentora de 90% do capital social da sociedade. Desde então que o investimento tem sido avultado.

Em agosto de 2022, o Académico estabeleceu a contratação mais cara de sempre da II Liga ao recrutar o central brasileiro Arthur Chaves ,ao Avaí, por 2,4 milhões de euros. Dois anos volvidos, o jogador foi transferido por seis milhões para o Hoffenheim, clube sob a alçada do mesmo grupo que gere a SAD viseense.

Já no verão de 2023 os beirões voltaram a investir forte ao acertarem a contratação definitiva do avançado André Clóvis ao Estoril por 1,25 milhões. O atacante, que na condição de emprestado ao Académico se sagrou Melhor Marcador da II Liga em 2022/23, caminha a passos largos para repetir a façanha esta época, somando já 20 golos - mais nove do que os principais perseguidores.

Por outro lado, nos últimos anos têm passado pelo banco do Fontelo alguns dos treinadores com mais provas dadas na II Liga e até outros com bons trabalhos no 1.º escalão, como Jorge Costa, Jorge Simão ou Sérgio Vieira, mas é com a prata da casa que a subida de divisão começa a aparecer no horizonte. Sérgio Fonseca, jogador emblemático do Académico nas décadas de 1990 e 2000, orientou os juniores do clube entre 2022 e 2024 e estava ao comando da equipa de sub-23 quando foi chamado para substituir Sérgio Vieira em outubro de 2025.

Logo na estreia, eliminou o Gil Vicente na Taça de Portugal e depois promoveu um salto enorme na classificação: do 15.º lugar, após as primeiras sete jornadas, à vice-liderança.

Anthony na luta com gémeo

Se Marítimo e Académico são as equipas melhor posicionadas para alcançar a subida à I Liga, há uma família em especial que está muito feliz, os Correia. Se o central Anthony Correia, 26 anos, é um habitual titular dos academistas, o irmão gémeo Romain é presença assídua no onze… maritimista.

Romain está mais perto de confirmar a subida e o título, mas Anthony pode gabar-se de ter batido recentemente o mano, não só no confronto direto entre as equipas (3-1 no Fontelo), mas também na corrida pelo Melhor Defesa da II Liga no mês de fevereiro.

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