A oito jornadas do fim da II Liga, o Académico de Viseu está em zona de subida ao escalão principal, no 2.º lugar, a seis pontos do líder Marítimo e com cinco de vantagem sobre o Torreense, em posição de play-off, e seis sobre o Vizela, que é 4.º classificado.Ainda há 24 pontos em disputa, mas nas terras de Viriato já sonham em reentrar no mapa do patamar maior do futebol português, onde já estiveram representados em 1978/79, 1980/81, 1981/82 e 1988/89 pelo Clube Académico de Futebol, fundado a 7 de junho 1914. Esse era o Académico original, declarado insolvente em janeiro de 2006 após duas funcionárias da secção de Natação terem solicitado a insolvência.Já este, que compete ininterruptamente na II Liga desde 2013/14, é o Académico de Viseu Futebol Clube. Embora seja emocionalmente o herdeiro do Clube Académico de Futebol, tem na sua génese um outro clube, o Grupo Desportivo de Farminhão, que militava na I Divisão Distrital da Associação de Futebol de Viseu e com o qual foi assinado um protocolo ainda em 2006 para assumir o atual nome e identidade.Daí em diante, os viseenses foram subindo na hierarquia do futebol nacional até atingir as ligas profissionais, no espaço de sete anos. Uma ascensão da qual é indissociável António Albino, presidente desde 2006 até à sua morte, em maio de 2022, aos 76 anos.. Investimento não tem faltadoDesportivamente ainda não surtiu o efeito desejado, apesar da presença na final four da Taça da Liga em 2022/23, mas há cinco anos aconteceu o momento de viragem que tornou o Académico um crónico candidato à subida à I Liga. .Académico de Viseu vence Boavista e vai à final four da Taça da Liga. A 13 de agosto de 2021, foi oficializada a venda de 51% da SAD academista à Hobra GmbH & Co. KG, uma empresa alemã especialista em investimentos desportivos. Em novembro do ano seguinte, a firma germânica passou a ser detentora de 90% do capital social da sociedade. Desde então que o investimento tem sido avultado.Em agosto de 2022, o Académico estabeleceu a contratação mais cara de sempre da II Liga ao recrutar o central brasileiro Arthur Chaves ,ao Avaí, por 2,4 milhões de euros. Dois anos volvidos, o jogador foi transferido por seis milhões para o Hoffenheim, clube sob a alçada do mesmo grupo que gere a SAD viseense.Já no verão de 2023 os beirões voltaram a investir forte ao acertarem a contratação definitiva do avançado André Clóvis ao Estoril por 1,25 milhões. O atacante, que na condição de emprestado ao Académico se sagrou Melhor Marcador da II Liga em 2022/23, caminha a passos largos para repetir a façanha esta época, somando já 20 golos - mais nove do que os principais perseguidores.. Por outro lado, nos últimos anos têm passado pelo banco do Fontelo alguns dos treinadores com mais provas dadas na II Liga e até outros com bons trabalhos no 1.º escalão, como Jorge Costa, Jorge Simão ou Sérgio Vieira, mas é com a prata da casa que a subida de divisão começa a aparecer no horizonte. Sérgio Fonseca, jogador emblemático do Académico nas décadas de 1990 e 2000, orientou os juniores do clube entre 2022 e 2024 e estava ao comando da equipa de sub-23 quando foi chamado para substituir Sérgio Vieira em outubro de 2025.Logo na estreia, eliminou o Gil Vicente na Taça de Portugal e depois promoveu um salto enorme na classificação: do 15.º lugar, após as primeiras sete jornadas, à vice-liderança.. Anthony na luta com gémeoSe Marítimo e Académico são as equipas melhor posicionadas para alcançar a subida à I Liga, há uma família em especial que está muito feliz, os Correia. Se o central Anthony Correia, 26 anos, é um habitual titular dos academistas, o irmão gémeo Romain é presença assídua no onze… maritimista. Romain está mais perto de confirmar a subida e o título, mas Anthony pode gabar-se de ter batido recentemente o mano, não só no confronto direto entre as equipas (3-1 no Fontelo), mas também na corrida pelo Melhor Defesa da II Liga no mês de fevereiro.