No maior mundial de sempre, jogado a 48 seleções, e em que tem imperado a lei do mais forte, a final do Mundial 2026 não será exceção, pois coloca frente a frente dois campeão em título: domingo, no estádio MetLife, em Nova Jérsia, a atual campeã do Mundo, Argentina, enfrenta a atual campeã da Europa, a Espanha, numa final inédita. Se desde o Itália1990, há 36 anos portanto, que as quatro seleções mais fortes não se encontravam entre as semifinalistas do Campeonato do Mundo, nunca as duas seleções detentoras dos dois mais importantes troféus intercontinentais - a albiceleste venceu também a Copa América em 2024 - se encontraram num duelo final de um Campeonato do Mundo. Acontece agora, mas poderia ter tido acontecido no início do ano. A Finalíssima - encontro entre o campeão europeu e o campeão da Copa América - estava prevista ser jogada no dia 27 de março, no Qatar, mas foi adiada devido ao conflito armado entre o Irão e os EUA na região do Médio Oriente e depois cancelada pela UEFA, dado o desacordo de datas. Mas o futebol tem vida própria e decidiu-se pelo tira-teimas no maior palco que existe, o Mundial. Quem vencer será o campeão dos campeões.Ao todo, Espanha e Argentina defrontaram-se por 14 vezes, com seis vitórias para cada lado e dois empates. Em Campeonatos do Mundo, o duelo entre La Roja e a Albiceleste aconteceu apenas uma vez: foi na fase de grupos, em 1966, quando a Argentina venceu (2-1). O último embate foi um jogo particular, em 2018, e a Espanha goleou (6-1).Lionel Messi vs. Lamine YamalOs argentinos liderados por Lionel Messi procuram o segundo título seguido e o quarto da história e os espanhóis anseiam por repetir a conquista do Mundial 2010, agora mais vincados pela geração Lamine Yamal.Aos 39 anos, o argentino que joga na MLS, no Inter Miami, entrou em campo no Mundial 2026 para bater um recorde. Só ele e Cristiano Ronaldo marcaram presença em seis Campeonatos do Mundo, mas só Messi chegou à final e pela terceira vez na carreira, algo que só Cafu, Pelé, Ronaldo, Matthäus e Littbarski conseguiram na história. Depois de perder a final do Mundial 2014 para a Alemanha, o camisola 10 da Argentina sagrou-se campeão em 2022, no Qatar, podendo agora chegar ao bicampeonato.Além de ter se tornado o maior marcador da história dos mundiais com 21 golos até agora - marcou oito golos e lidera a lista de melhores marcadores, juntamente com Kylian Mbappé, que, tal como o argentino, ainda poderá ampliar a conta pessoal no jogo do 3.º/4.º lugar com a Inglaterra, que tem dois jogadores com seis golos cada. E pode dar-se o caso de jogando a final e não marcando, Messi perder esse troféu menor..Lionel Messi vai encontrar na final o ‘bebé’ Lamine Yamal, a quem deu banho, quando ele tinha seis meses de idade (ver fotografia). Em 2007, os pais do espanhol concorreram a um sorteio para que o filho participasse numa sessão fotográfica com jogadores do Barcelona para um calendário de beneficência, uma ideia do jornal Sport, em parceria com a Fundação do Barcelona e a UNICEF. Quis o destino que fosse o argentino, em vez de Ronaldinho ou Iniesta, estrelas maiores do Barça da altura, a pousar com o bebé Yamal, o rei da nova geração espanhola e do Comp Nou. A fotografia foi tirada por Joan Monfort.O espanhol fez 19 anos há dias e pode superar Kylian Mbappé como o terceiro mais jovem a jogar uma final e a ser campeão. Se jogar, o jovem terá 19 anos e seis dias e ultrapassará o francês, que em 2018 enfrentou a Croácia com 19 anos e 207 dias, tendo marcou um dos golos do título francês em Moscovo. Apenas Pelé (tinha 17 anos em 1958) e Giuseppe Bergomi (tinha 18 anos em 1982) entraram em campo, numa final, com menos idade do que Yamal, que está longe do brilho mostrado no Euro 2024, quando se tornou o jogador mais jovem a jogar e a marcar num Europeu, mas ainda assim continua a ser uma das principais armas espanholas para atacar o título. O jogador do Barcelona sofreu uma lesão no final da época, em abril, e chegou a temer-se que não pudesse jogar o Campeonato do Mundo, mas recuperou e integrou a lista final de De la Fuente. Começou como suplente diante Cabo Verde e totaliza 496 minutos em sete jogos, mas não foi decisivo em nenhum deles, apesar de ter sido eleito o melhor em campo. Argentino mais influente e candidato a melhor jogador do MundialOlhando para a estatística da FIFA, e para a forma de jogar da seleção espanhola, Yamal recebe menos vezes a bola e isso tem-se refletido nos poucos remates (dez), dribles (14) e ocasiões de golo criadas (5). No jogo com a França foi determinante ao sofrer um penálti convertido por Oyarzabal, que assim inaugurou o marcador e abriu caminho para uma presença na final, com um triunfo, por 2-0.É inegável que há muito mais de Messi na Argentina do que há Yamal, ou seja quem for, na Espanha. E por isso o camisola 10 é o grande candidato a melhor jogador do Mundial - só Mbappé ou Bellingham o poderiam importunar no seu reinado se chegassem à final -, tendo decidido cinco em sete partidas e oferecido os dois golos com que a seleção albiceleste eliminou a Inglaterra (2-1) nas meias finais. Messi esteve presente em 12 dos 19 golos da Argentina e não há dúvidas que voltará a ser nomeado para a Bola de Ouro e o The Best, onde o benjamim Yamal também estará certamente após a boa época no Barcelona e a final do Campeonato do Mundo, que certamente jogará. Como argentina impediu 'la pulga' de jogar pela EspanhaLionel Messi tem uma ligação profunda a Espanha, onde chegou com 13 anos para jogar no Barcelona (cidade onde ainda tem casa), e poderia ter representado a seleção espanhola, não fosse um estratagema da Federação Argentina. Em quatro anos, tornou-se a joia da academia La Masia, ganhou a alcunha de 'la pulga' de tão irrequieto dentro das quatro linhas e chamou a atenção da seleção espanhola, que planeava convocá-lo para o Europeu sub-17.Pelas regras da FIFA da época, se Messi se estreasse pela Espanha, mesmo em sub-17, ficaria impedido de representar a Argentina no futuro. Sabendo disso, um empresário gravou jogos do médio e enviou para um adjunto de Bielsa, que treinava a albiceleste. Ninguém tinha dúvidas que era preciso manter Messi como argentino. Então a federação contatou o pai e organizou um jogo particular da seleção sub-20 com um único objetivo: estrear Lionel Messi. E assim foi. Ele marcou um golo e a Argentina goleou o Paraguai (8-0). O resto é história.O aluno que já superou o professor. Scaloni encontra De la Fuente Lionel Scaloni jogou e casou em Maiorca, onde vive quando não está a treinar a Argentina. Os filhos nasceram em Espanha e foi em Madrid, em 2016, que o agora selecionador argentino tirou o curso de treinador. De la Fuente foi um dos professores. Em agosto de 2018 assumiu a albiceleste e agora, dez anos depois, o caminho dele volta a cruzar-se com o do professor, desta vez em campo, e já com um título mundial no currículo. Se vencer a final, Scaloni será apenas o segundo treinador a conquistar duas vezes o troféu, repetindo o feito de Vittorio Pozzo, que liderou a Itália no bicampeonato de 1934 e 1938. E será o mais jovem a conseguir tal feito uma vez que tem 48 anos e Pozzo tinha 52 anos.Desde que, em 2022, Luis de la Fuente assumiu o comando da seleção espanhola, o treinador conquistou a Liga das Nações 2023 e o Euro 2024, tendo ainda chegado à final da Liga das Nações 2025, que perdeu para Portugal - vingou-se neste Mundial 2026 eliminando a seleção portuguesa nos oitavos de final.Agora ampliou o bem-sucedido ciclo no comando da La Roja ao chegar à final do Mundial 2026. Tal como Scaloni (treinou os sub-20 argentinos) não tinha grande experiência em clubes (iniciou a carreira em 1997, no Portugalete, do País basco), antes de assumir a seleção, tendo treinado os sub-19 e os sub-21 espanhóis até ser chamado para substituir Luís Enrique. Uma decisão acertada tomada em pela crise federativa.FIFA irá oferecer anel aos campeões ao estilo da NBA Além do icónico troféu Jules Rimet e das tradicionais medalhas de ouro, a FIFA decidiu entregar um anel aos vencedores. Pela primeira vez na história, os campeões também receberão anéis comemorativos exclusivos, incorporando no futebol mundial uma das mais reconhecidas tradições do desporto dos Estados Unidos, ao estilo da NBA e da NFL.Serão 2026 peças numeradas individualmente, em homenagem ao torneio. Desses, 30 serão destinados à seleção campeã, enquanto os restantes estarão disponíveis para venda.isaura.almeida@dn.pt