Ainda estamos na primeira quinzena de março e já há um campeão distrital. Aliás, o Vinhais só teve de esperar até 22 de fevereiro para quebrar um jejum que durava há 21 anos e assegurar matematicamente o título da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Bragança.“É um sentimento de enorme alegria, pois a última vez que o Vinhais subiu eu era jogador e agora sou presidente”, salientou Manuel Rodrigues “Pik”, ao portal da AF Bragança.A coroação refletiu uma época muito bem-sucedida para a equipa orientada por Marco Móbil, que nunca participou no Campeonato de Portugal e que a nível nacional contabiliza apenas quatro presenças na III Divisão (a última em 2005-06), mas também o quão desertificadas estão as regiões do interior do país. É que o campeonato que o conjunto raiano disputou reuniu apenas dez equipas, as únicas que têm futebol sénior no distrito, num total de 18 jornadas - faltam jogar apenas duas. Concelhos como Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta não têm qualquer representante e, por outro lado, Bragança (líder da Série A) e Mirandela estão a competir no Campeonato de Portugal.Ainda invicto, o Vinhais soma 13 vitórias e três empates e tem 13 pontos de vantagem sobre o principal perseguidor, o Rebordelo. Até final da época, restará aos jogadores campeões distritais, entre os quais um internacional A pelo Burundi (o médio Abbas Nshimirimana), cumprir o curto calendário que têm pela frente no campeonato e tentar a dobradinha, pois ainda há a Taça da AF Bragança, uma competição que começou com dois grupos de cinco equipas, sendo que as quatro primeiras de cada agrupamento se apuraram para os quartos de final. É a meio dessa etapa que a prova se encontra, tendo o Vinhais derrotado o Instituto Politécnico de Bragança por 3-0 na primeira-mão. Vitória de Setúbal salta à vistaEntre os líderes dos campeonatos distritais, há um nome que salta à vista, o do Vitória de Setúbal. Com 72 presenças na I Divisão e mais de uma dezena na provas da UEFA, assim como três Taças de Portugal e uma Taça da Liga no palmarés, o emblema sadino esteve pela última vez no primeiro escalão em 2019/20, mas duas despromoções na secretaria levaram os setubalenses a começar a época passada na II Divisão Distrital da AF Setúbal. Agora lideram a I Divisão Distrital, um campeonato que conta também com outros dois clubes que já estiveram no patamar maior do futebol português e nas provas europeias, o Barreirense e o Fabril (antiga CUF), sendo que o segundo está em apuros no fundo da tabela. Há ainda três lideres de distritais que já competiram na II Liga: Imortal (Algarve), Ovarense (Aveiro) e Real SC (Lisboa). Por esse Portugal fora é igualmente possível assistir a lutas titânicas como as que opõem Sertanense e Alcains em Castelo Branco; Sousense e Maia Lidador no Porto; Ponte da Barca, Castelense e Atlético de Arcos de Valdevez em Viana do Castelo; e Castro Daire e Lamelas (do antigo internacional português Licá) em Viseu. Já em Braga, o Pevidém descolou do Maria da Fonte no domingo após um jogo entre as duas equipas. Um pouco mais tranquilos no primeiro lugar do respetivo campeonato estão Aljustrelense (Beja), Nogueirense (Coimbra), Portel (Évora), Guarda FC (Guarda), Nazarenos (Leiria), Mação (Santarém), Montalegre (Vila Real) e Nacional B (Madeira). No distrital mais pequeno, em Portalegre (sete equipas), o Mosteirense, à procura da estreia nos nacionais, até poderá vir a ser ultrapassado pelo O Elvas B, que tem um jogo a menos, mas uma eventual subida de divisão não estará ameaçada. Nos Açores, a competição ainda está numa fase muito embrionária.O título distrital, porém, não é necessariamente sinónimo de promoção ao Campeonato de Portugal. Afinal, os campeões terão ainda de cumprir os critérios de licenciamento da Federação Portuguesa de Futebol.david.pereira@dn.pt