É raro, mas às vezes acontece. A I Liga portuguesa até nem costuma estar entre as oito mais representadas em Campeonatos do Mundo - foi a 11.ª em 2022, a par de Países Baixos e Turquia, com 19 jogadores -, mas o patamar imediatamente abaixo, a II Liga, já deu e vai agora voltar a dar futebolistas a um Mundial. O pioneiro foi o médio ofensivo camaronês Emmanuel Maboang, que jogava no Rio Ave quando foi chamado a representar os Leões Indomáveis no Mundial 1994, nos Estados Unidos, tendo atuado em duas partidas, ambas da fase de grupos. Curiosamente, até nem vinha de uma época muito positiva ao serviço dos vila-condenses, uma vez que apenas tinha atuado em seis jogos oficiais, sendo que somente dois no campeonato. Acabou por beneficiar do histórico que tinha na seleção dos Camarões, uma vez que já havia sido convocado para o Mundial 1990 e para as edições de 1990 e 1992 da Taça das Nações Africanas. Na temporada seguinte, continuou a ir poucas vezes a jogo no Estádio dos Arcos. . Quinteto angolano em 2006Entretanto, foi necessário esperar até 2006 para ver a II Liga portuguesa representada num Campeonato do Mundo, e logo por cinco jogadores, todos da seleção de Angola, que nessa edição, disputada na Alemanha, participou pela primeira e única vez no torneio. Marco Abreu (Portimonense), Mendonça e Figueiredo (ambos do Varzim) e Marco Airosa e Kali (ambos do Barreirense) foram os felizes contemplados, com a particularidade de os dois últimos terem chegado ao Mundial após não conseguirem impedir a despromoção da equipa do Barreiro à II Divisão B.Kali e Mendonça foram mesmo totalistas, cumprindo os 270 minutos dos Palancas Negras no certame, enquanto Figueiredo atuou nos três jogos mas ficou-se pelos 225 minutos. Já Marco Abreu e Marco Airosa não chegaram a sair do banco. Após o torneio, Figueiredo mudou-se para os suecos do Östers IF, Kali saltou para os suíços do Sion e Marco Airosa para a União de Leiria (então na I Liga), enquanto Marco Abreu e Mendonça permaneceram nos clubes que já representavam. Da Covilhã para a históriaOito anos depois, a II Liga voltou a estar representada num Mundial. O protagonista foi o guarda-redes iraniano Alireza Haghighi, que durante o primeiro semestre de 2014 esteve emprestado pelos russos do Rubin Kazan ao Sp. Covilhã. Não ganhou nenhum dos 12 jogos em que defendeu a baliza dos serranos, tendo sofrido 19 golos, mas Carlos Queiroz não só o convocou para o Campeonato do Mundo disputado no Brasil como lhe atribuiu a titularidade.No primeiro jogo, diante da Nigéria (0-0), tornou-se no primeiro guarda-redes iraniano a alcançar uma clean sheet (jogo sem sofrer golos) num Mundial. No encontro seguinte, apresentou-se a muito bom nível na partida frente à Argentina, tendo defendido remates de jogadores como Lionel Messi, Gonzalo Higuaín ou Sergio Agüero, mas não conseguiu evitar o golo de Messi ao minuto 90+1, que ditou o triunfo da albiceleste. Após o Campeonato do Mundo foi cedido pelo Rubin Kazan ao Penafiel, estreando-se assim na I Liga portuguesa.. Venham mais cincoTal como Angola em 2006, a estreante seleção de Cabo Verde também vai levar jogadores do segundo escalão nacional ao Mundial. São eles o veterano guarda-redes Vozinha (Desp. Chaves), que comemorou anteontem o 40.º aniversário; o também muito experiente Stopira (38 anos), defesa que há cerca de duas semanas marcou o golo da vitória do Torreense na final da Taça de Portugal; e o médio Yannick Semedo, que ainda no último sábado ajudou o Farense a evitar a despromoção à Liga 3. Mas há mais. O Haiti, que vai voltar aos Mundiais após 52 anos de ausência, vai levar o médio defensivo Leverton Pierre e o atacante Yassin Fortuné, ambos do Vizela, aumentando assim para 12 o número de mundialistas oriundos da II Liga portuguesa.