De Bielsa a Nagelsmann. Oito selecionadores já deixaram o cargo durante o Mundial2026
GREG COOPER

De Bielsa a Nagelsmann. Oito selecionadores já deixaram o cargo durante o Mundial2026

O tunisino Sabri Lamouchi foi o primeiro a cair, demitido de forma inédita logo após o primeiro jogo da fase de grupos, em que perdeu com a Suécia (5-1). Recorde de precocidade ainda é de Lopetegui.
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Julian Nagelsmann demitiu-se do cargo de selecionador da Alemanha, depois da surpreendente eliminação frente ao Paraguai nos 16-avos-de-final e fez subir para oito o números de selecionadores que já deixaram oficialmente os respetivos cargos durante o Mundial2026.

O alemão não resistiu a mais uma eliminação precoce da mannschaft, que prolonga assim, pelo menos mais quatro anos, a ressaca do título mundial conquistado em 2014 no Brasil. A geração de Manuel Neuer (anunciou uma pausa na seleção) continua sem encontrar a estabilidade desportiva necessária para voltar a ser temida em campo. Neste campeonato do mundo, depois de uma fase de grupos em que ganhou à Costa do Marfim (2-1), goleou Curaçao (7-1) e perdeu com o Equador (2-1), a seleção germânica perdeu logo no primeiro jogo a eliminar, com o Paraguai.

Julian Nagelsmann (38 anos) chegou a negar a saída, mas mudou de ideias depois de ouvir Bernd Neuendorf, presidente da Federação Alemã de Futebol, dizer publicamente que era preciso repensar o projeto e a continuidade do técnico.

Também Ronald Koeman (63 anos) renunciou ao cargo depois dos Países Baixos terem caído nos 16-avos-de-final perante Marrocos, o carrasco de Portugal no Mundial2022. O antigo treinador do Benfica já tinha orientado a seleção neerlandesa de 2018 a 2019 e foi de novo contratado em 2023, numa tentativa de resgatar a aura perdida da laranja mecânica, mas, no Mundial2026, não resistiu a mais um desempate por grandes penalidades.

Koeman mostrou-se desiludido com a eliminação, dizendo que teria de refletir sobre a continuidade como selecionador, tendo decidido sair dias depois: "Decidi que este é o momento certo para passar mais tempo com a minha mulher, os meus filhos e os meus netos. Neste momento, parece-me a decisão certa e mais natural."

Sebastián Beccacece (45 anos) orientava o Equador desde agosto de 2024 e apareceu no Campeonato do Mundo a prometer o melhor desempenho de sempre para aquele país. Depois de fase de grupos que foi de menos a mais - perdeu com a Costa do Marfim (1-0), empatou frente ao estreante Curaçau (0-0) e venceu a Alemanha (2-1) ,- marcou encontro com o México, sendo afastado por uma das seleções anfitriãs. Afastou-se do comando técnico na sequência da derrota com os mexicanos (2-0).

"Não conseguimos alcançar o que prometi, que era fazer o melhor resultado de sempre. O meu contrato terminava quando o Mundial acabasse para o Equador. Ao não cumprir o que prometi, informei a Federação Equatoriana de Futebol que não continuarei", disse o técnico logo após a eliminação, no Estádio Azteca, na Cidade do México.

Cabo Verde ajuda Bielsa a deixar Uruguai

O mesmo fim teve a aventura de Marcelo Bielsa no Uruguai. O técnico não resistiu ao cargo depois de um Mundial em que não passou da fase de grupos. A seleção campeã do Mundo em 1930 em em 1950 calhou no grupo da Espanha (derrota, por 1-0), Arábia Saudita (1-1) e Cabo Verde (2-2) e nem conseguiu pontos suficientes para ser resgatado como um dos melhores terceiros lugares.

Marcelo Bielsa (70 anos) liderava a seleção uruguaia desde 2023 e saiu sem deixar saudades, a avaliar pelo assumir de culpas que fez em conferência de Imprensa: "Relativamente à minha responsabilidade no que aconteceu, creio que é muito clara: não posso justificar a posição que alcançámos. A gestão que fiz com os recursos que contava não foi suficiente. Claro que demos o nosso máximo, tanto eu como os meus colegas de trabalho e os jogadores, mas claramente não chegou." O falhanço, segundo ele, não foi culpa do mau relacionamento com a equipa: "Eu cativei os jogadores? Não. Os jogadores sentiam-se à vontade comigo? Não. Mas a relação que eu tinha com os jogadores não foi um obstáculo para a equipa alcançar o que merecia."

Mais surpreendente ainda foi a saída de Steve Clarke do comando da Escócia após sete anos. O treinador mais vitorioso pela seleção escocesa tinha assinado um contrato de longa duração, até 2030, depois de conseguir a qualificação para o Mundial2026, a primeira desde o Mundial1998, mas resignou após a eliminação na fase de grupos. A Escócia terminou o Grupo C no terceiro lugar, com três pontos, a quatro de Brasil e Marrocos, apenas com uma vitória sobre o Haiti, lanterna-vermelha sem qualquer ponto.

Também Hong Myung-Bo (57 anos) deixou o cargo após falhar o acesso aos oitavos de final, sob forte contestação pública dos adeptos e do governo da Coreia do Sul no regresso ao país. E não foi a primeira vez. Lenda na Coreia do Sul, Hong Myung-Bo brilhou no Mundial2002 como capitão e tem maior número de jogos pela seleção sul-coreana em mundiais, repetindo agora o cenário vivido em 2014, altura em que também se demitiu após um Mundial sem passar da primeira fase.

Voltou em 2024, quando a KFA procurava um substituto para o alemão Jurgen Klinsmann após a eliminação na semifinal da Copa da Ásia e decidiu recorrer a Hong de novo. No Mundial2026, a Coreia do Sul terminou em último lugar do seu grupo com uma vitória e duas derrotas.

Já Miroslav Koubek (74 anos) deixou se der selecionador da Chéquia após o término da participação no campeonato do Mundo. Renunciou acusando a Imprensa de publicar "meias-verdades" e "notícias fabricadas" contra o seu bom nome, ajudando à sua saída do cargo: "Com esta atmosfera, a minha continuidade deixa de fazer qualquer sentido."

Chamado a assumir o comando após uma surpreendente derrota da seleção checa na fase de qualificação frente às Ilhas Faroé, conseguiu o apuramento, algo que não acontecia há 20 anos (desde 2006). Inserida no Grupo A, juntamente com México (com quem perdeu 3-0), África do Sul (1-1) e Coreia do Sul (com quem perdeu 2-1), no Mundial2026, a República Checa não conseguiu dar continuidade ao bom trabalho e somou apenas um ponto.

Despedimento mais precoce de todos ainda é o de Julen Lopetegui

O tunisino Sabri Lamouchi (54 anos) foi o primeiro a cair, demitido de forma inédita logo após o primeiro jogo da fase de grupos, em que perdeu com a Suécia (5-1). Tinha entrado em funções durante o mês de Janeiro. O presidente da federação tunisina, Moez Nassari, anunciou a saída imediata de Lamouchi e a chegada do técnico francês Hervé Renard, que perdeu na estreia com os Países Baixos (3-1) e depois com o Japão (4-0).

Sabri Lamouchi foi o quarto treinador a ser despedido durante um Mundial, após um trio aem 1998: o polaco Henryk Kasperczak, que orientava a Tunísia, o sul-coreano Cha Bum-kun ao serviço da seleção asiática e o brasileiro Carlos Alberto Parreira no comando da Arábia Saudita. No entanto, o despedimento mais precoce de todos ainda é o do espanhol Julen Lopetegui, que foi despedido dois dias antes do arranque do Mundial2018, depois de ser revelado que se tinha comprometido com o Real Madrid.

De Bielsa a Nagelsmann. Oito selecionadores já deixaram o cargo durante o Mundial2026
Tunísia demite selecionador após goleada com a Suécia. É a quarta vez que um treinador é despedido num Mundial
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