O desporto português quer assumir um papel central no processo de recuperação e transformação do país. A Confederação do Desporto de Portugal (CDP) apresentou ao Governo um conjunto de propostas para integrar o setor no âmbito do PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, defendendo que o reforço das estruturas desportivas, das federações e das infraestruturas deve ser considerado uma prioridade estratégica.A iniciativa surge num contexto particularmente exigente para o sistema desportivo nacional. As tempestades e fenómenos meteorológicos extremos registados entre o final de janeiro e meados de fevereiro provocaram danos em várias infraestruturas desportivas municipais e associativas, comprometendo a prática regular de diversas modalidades e afetando o funcionamento de clubes e competições em diferentes regiões do país.Perante este cenário, a Confederação considera que a recuperação destas estruturas deve ser encarada como parte integrante da resposta nacional às consequências das alterações climáticas e aos desafios futuros que o país enfrenta. A organização apresentou seis medidas que pretende ver integradas no PTRR, procurando reforçar a capacidade de resposta do sistema desportivo e criar condições para o seu desenvolvimento sustentável.O presidente da CDP, Daniel Monteiro, defende que o momento atual exige uma visão estratégica mais ampla sobre o papel do desporto na sociedade portuguesa. “Se o objetivo do PTRR é reforçar a capacidade de recuperação e a resiliência do país, então o desporto tem de estar dentro dessa estratégia”, afirmou.Segundo o dirigente, o desporto representa muito mais do que a dimensão competitiva ou o alto rendimento. Trata-se de uma atividade com impacto direto na saúde pública, na formação das novas gerações e na coesão das comunidades. “Quando falamos de resiliência, de transformação e de preparação para desafios futuros, não podemos ignorar o papel do desporto”, sublinhou.Uma das propostas apresentadas pela Confederação passa pela criação de um programa extraordinário de recuperação e reabilitação de infraestruturas desportivas afetadas pelas recentes tempestades. O levantamento preliminar realizado pela CDP junto de vários municípios revelou danos em equipamentos utilizados por clubes, associações e escolas, o que poderá comprometer o normal funcionamento da atividade desportiva em diversas regiões.Para Daniel Monteiro, estas intervenções devem ser consideradas prioritárias. “Não estamos apenas a falar de infraestruturas físicas. Estamos a falar de espaços que são fundamentais para a vida das comunidades, onde milhares de jovens praticam desporto e onde os clubes desenvolvem diariamente o seu trabalho.”A Confederação defende que a recuperação destes equipamentos deve ser concretizada num horizonte de 12 a 24 meses, garantindo que as populações afetadas recuperam rapidamente as condições necessárias para a prática desportiva.Outra das medidas apresentadas passa pelo reforço estrutural da capacidade de intervenção das federações desportivas. A CDP considera que estas entidades desempenham um papel central na organização das modalidades e no apoio aos clubes e associações territoriais, sendo por isso essencial garantir-lhes maior estabilidade financeira e institucional.“O sistema desportivo federado, assente nas federações, associações territoriais e clubes, constitui uma das redes associativas mais relevantes do país”, afirmou Daniel Monteiro. “O reforço da sua capacidade institucional e financeira é determinante para desenvolver as modalidades e apoiar a prática desportiva em todo o território.”O dirigente alerta ainda que o sistema desportivo tem enfrentado dificuldades ao longo das últimas décadas, em parte devido à perda progressiva de capacidade financeira de muitas federações e clubes. Essa realidade limita o investimento no desenvolvimento das modalidades e no alargamento da base de praticantes.“A preparação da elite desportiva é importante, mas não podemos esquecer as etapas fundamentais do desenvolvimento desportivo. O desporto começa nos clubes locais, nas associações regionais e nas escolas. É aí que se constrói o futuro das modalidades”, afirmou.Entre as propostas apresentadas pela Confederação está também a revisão da distribuição das receitas provenientes das apostas desportivas online. A CDP propõe que uma parte dessas receitas seja canalizada para um Fundo de Desenvolvimento Desportivo, permitindo reforçar o financiamento das federações em cerca de 15 milhões de euros por ano..Para Daniel Monteiro, esta medida permitiria dar maior estabilidade financeira às organizações que sustentam a prática desportiva em Portugal. “Estamos a falar de receitas geradas diretamente pelo fenómeno desportivo. Faz todo o sentido que uma parte desse valor seja reinvestido no próprio desporto.”O presidente da Confederação considera que esse reforço financeiro permitiria melhorar o apoio aos clubes, reforçar os quadros competitivos e investir na formação de treinadores, árbitros e dirigentes.Outra das propostas apresentadas pela CDP passa pela revisão do enquadramento fiscal aplicável ao setor. A Confederação defende a criação de um pacote fiscal de apoio ao desporto, que inclua benefícios fiscais para entidades desportivas, deduções no IRS relacionadas com a prática desportiva e um estatuto específico para dirigentes associativos voluntários.Segundo Daniel Monteiro, o atual enquadramento fiscal não reflete plenamente o impacto social e económico do desporto. “O desporto contribui para a saúde pública, para a inclusão social e para a formação das novas gerações. É importante que as políticas públicas reconheçam esse papel.”A modernização do parque nacional de infraestruturas desportivas constitui igualmente um dos eixos centrais das propostas da Confederação. Muitas instalações utilizadas por escolas, municípios e clubes apresentam sinais de degradação ou não dispõem das condições técnicas necessárias para responder às exigências atuais.“Temos instalações que precisam de ser renovadas e territórios onde ainda existem carências evidentes de equipamentos desportivos”, afirmou Daniel Monteiro. “Investir na modernização das infraestruturas significa investir no acesso ao desporto e na igualdade de oportunidades.”A última das propostas apresentadas passa pela criação de um programa de transição digital para o sistema desportivo federado. O objetivo é modernizar os processos de gestão das federações, associações e clubes, reforçando a eficiência administrativa e a capacidade de desenvolvimento das modalidades.Para o presidente da CDP, esta transformação é indispensável para preparar o setor para os desafios do futuro. “O desporto não pode ficar para trás na transformação digital que está a acontecer em toda a sociedade. Modernizar os processos de gestão é essencial para tornar o sistema mais eficiente e mais transparente.”A Confederação do Desporto de Portugal manifestou ainda disponibilidade para continuar a colaborar com o Governo na definição de soluções que permitam reforçar a sustentabilidade do sistema desportivo nacional e melhorar as condições de prática em todo o território.Daniel Monteiro acredita que o momento atual pode representar uma oportunidade para repensar o papel do desporto nas políticas públicas. “Se queremos um país mais resiliente, mais saudável e mais preparado para o futuro, então o desporto tem de fazer parte da estratégia nacional.”.Carlos Paula Cardoso e Daniel Monteiro lideram listas às eleições da CDP