Confederação pede mais apoio do Estado e revela abandono superior a 80% em desportistas até aos 18 anos
O presidente da Confederação do Desporto de Portugal (CDP), Daniel Monteiro, pediu ao Governo para apoiar mais a base do desporto nacional e alertou para o crescente número abandonos.
“Quando pensamos no fenómeno desportivo e nos milhões que estão a ser investidos no desporto, é preciso saber para onde é que estamos a canalizar esse investimento: se estamos a canalizar o investimento apenas para o topo, para onde os atletas estão inseridos nos programas de alto rendimento, no projeto olímpico e paralímpico, ou se estamos, de facto, a falhar no investimento, nas fases anteriores, para que esses atletas cheguem ao topo. E, no meu entender, estamos a falhar nessa canalização e nessa priorização do investimento público no desporto”, referiu Daniel Monteiro durante a Portugal Football Summit, que decorre na Cidade do Futebol, em Oeiras.
Segundo o responsável é preciso olhar para a base e não investir apenas no topo: “Temos investido ao longo de muitas décadas apenas no projeto olímpico e paralímpico. Há 20 anos, o financiamento do projeto olímpico, comparado com hoje, mais do que duplicou. Mas a realidade das federações desportivas é uma realidade em que perderam o poder de compra face há 20 anos”.
Daniel Monteiro disse ainda que a Confederação entregou ao Governo, propostas com algumas soluções para o financiamento das federações, como a criação de um fundo de desenvolvimento desportivo, com base nas receitas provenientes dos jogos e das apostas online. “Com a afetação de 7,5% do imposto sobre as apostas online, criaríamos um fundo que daria mais de 12 milhões de euros ao desporto nacional, para que as federações desportivas pudessem aceder a esse fundo e ter condições de investimento estrutural no desenvolvimento das modalidades”, referiu, salientando que esse apoio teria “base em métricas de avaliação a definir com o Instituto Português de Desporto e Juventude”.
E assim as federações que não têm recebido verbas por não terem desportos com apostas também receberiam alguma verba.
Os abandonos superam os 80% até aos 18 anos
O presidente da Confederação do Desporto de Portugal mostrou-se muito preocupado com a taxa de abandono entre os jovens desportistas. "O desporto tem tido uma capacidade até de recrutar. O problema é que estamos com dificuldade em fixar os atletas no sistema. Os números de 2024 são muitíssimo preocupantes. Neste momento, temos uma taxa de abandono desportivo até aos 18 anos superior a 80%. Significa que, em 10 crianças ou jovens, mais de oito experimenta, fica, e depois abandona a prática desportiva até aos 18 anos”, lamentou Daniel Monteiro.
Para melhorar estes números é necessário também mudar os quadros competitivos: “Temos de ter competições regionais, competições locais. Irmos ao interior do país, detetar talento, fixá-lo nas modalidades, porque há ali muito talento, também deve ter essa oportunidade. E o Estado, ao longo dos anos, tem descurado esta vertente a nível de investimento e das políticas públicas para o desporto”.
Daniel Monteiro lembrou que o aumento do custo de vida pode retirar também atletas, porque “o desporto é caro” e, muitas vezes, acabam por serem os pais a financiarem inclusive deslocações a campeonatos internacionais.


