O Vitória Futebol Clube chega a maio de 2026 num dos momentos mais delicados da sua história recente. Depois de anos marcados por crise financeira, perda do estatuto profissional, processos judiciais e decisões controversas sobre património, o clube procura consolidar a recuperação desportiva sem perder de vista a sobrevivência financeira.A rutura ocorreu em 2020, mas os sinais de fragilidade financeira já eram visíveis desde a década de 2000: começaram a surgir dificuldades de tesouraria, dívida fiscal e limitações financeiras. Em 2009, os terrenos do Estádio do Bonfim estiveram associados a processos de penhora por dívidas ao Fisco, um dos primeiros sinais públicos de pressão sobre o património do clube.O Vitória manteve-se competitivo, mas a coexistência entre clube e sociedade desportiva tornou-se um dos temas centrais da crise, com responsabilidades financeiras distribuídas entre ambas.O ponto de viragem chegou em 2020, quando o Vitória perdeu a licença para competir nas provas profissionais por incumprimento dos critérios exigidos pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional. O clube caiu para a 2.ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Setúbal.Em outubro de 2024 os credores aprovaram o Plano de Insolvência e Recuperação de Empresa (PIRE), permitindo evitar uma liquidação imediata. O plano previa pagamentos faseados e reestruturação de dívida, mas exigia gerar liquidez suficiente para cumprir os compromissos.Um mês depois os órgãos sociais apresentaram um projeto imobiliário para os topos norte e sul do Bonfim, prevendo desenvolvimento urbanístico em áreas específicas do recinto, mas mantendo o estádio no local atual. A decisão chegou em Assembleia Geral a 23 de dezembro de 2024, quando os sócios aprovaram a alienação de duas parcelas do Bonfim. Ao longo de 2025, a Direção insistiu na necessidade de concretizar o projeto imobiliário e identificou a Mirante Sideral, Lda. como parceira. O clube referiu ainda obrigações ligadas ao PIRE na ordem dos 9,3 milhões de euros, reforçando a dependência da recuperação financeira face ao sucesso destas operações.Paralelamente, surgiram discussões relacionadas com património anteriormente cedido ao clube, incluindo terrenos ligados ao Vale do Cobro, tema que continuou a gerar debate entre sócios e no espaço político local. O futuro do Vitória continua dependente da execução do plano de recuperação, da capacidade de cumprir compromissos financeiros e do equilíbrio entre proteger a identidade do clube e gerar receitas suficientes para assegurar a sua sobrevivência..Vitória de Setúbal decide futuro em assembleia polémica