O Comité Olímpico de Portugal (COP) e a Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) pediram ao Governo para que reveja e aumente o valor atribuído a cada medalha conquistada por atletas em Jogos Olímpicos. Por lei, os medalhados de ouro recebem 50 mil euros, enquanto a medalha de prata vale 30 mil euros e a de bronze 20 mil euros. Agora foi pedida uma alteração da portaria que atribui prémios em pódios de Jogos Olímpicos, mas também em mundiais e europeus. “Esse processo tem seguido o seu caminho, em estreita colaboração com a Comissão dos Atletas Olímpicos e com o seu Presidente, Emanuel Silva, e já fizemos chegar às entidades governativas uma proposta no sentido de melhorar e reforçar os valores que estão atribuídos. Estamos à espera que haja essa análise por parte das entidades governativas e que haja esse reconhecimento acrescido dos esforços dos atletas”, disse Fernando Gomes, à margem da cerimónia de assinatura da renovação da parceria comercial entre o comité e a empresa de energia Repsol.Quando questionado pelo DN, o presidente do COP defendeu a “valorização” daquilo que o atleta representa e do esforço que ele entrega à bandeira nacional, em especial, nos campeonatos do mundo, nos campeonatos da Europa e nos Jogos Olímpicos.Segundo a portaria 332-A de 2018, um ouro olímpico vale 50 mil euros, enquanto o primeiro lugar do pódio num mundial vale 25 mil euros, descendo para 15 mil em europeus. A prata olímpica é recompensada com 30 mil euros, descendo para 15 mil em mundiais e 7500 em europeus. Já o valor do bronze é de 20 mil euros, descendo para 7500 em mundiais e 3500 em campeonatos da Europa. Os mesmos valores são aplicados aos Paralímpicos. E se um atleta bater um recorde absoluto, seja olímpico ou mundial, recebe mais 15 mil euros livres de impostos, enquanto o recorde europeu é gratificado em 10 mil.Subir os valores os prémios pode ser o próximo passo do Governo, que atribuiu verbas recorde ao Desporto ao programa olímpico para Los Angeles 2028, tendo inclusive aumentado de 1800 para 2000 euros mensais as verbas pagas aos medalhados em Paris2024.O DN tentou falar com Emanuel Silva, presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, mas até ao fecho desta edição não foi possível. Há países que oferecem casas e reformas vitalíciasOs valores Portugal a meio da tabela europeia e mundial do reconhecimento financeiro estatal. França, por exemplo, atribui 65 mil euros ao primeiro lugar, mas o segundo e o terceiro levam 25 mil euros e 15 mil euros. Já a vizinha Espanha reconhece o triunfo dos atletas com 94 mil, 48 mil e 30 mil euros, respetivamente.O Singapura é o país onde os triunfos olímpicos são melhor reconhecidos financeiramente. Uma medalha de ouro vale 675 mil euros (!), a prata 337 mil euros e o bronze 168 mil euros. Em Taiwan valem, 656 mil euros, 229 mil euros e 164 mil euros. Mas há países como a Noruega, onde não há valor algum pago ao atleta bem sucedido. Tal como a Grã-Bretanha. Os EUA pagam entre os 15 e os 33 mil euros, concentrando o investimento na base e ao longo da carreira. Há ainda casos em que os prémios vão além do dinheiro. No Cazaquistão, os medalhados recebem uma casa - T3 para o ouro, T2 para a prata e T1 para o bronze - e um prémio monetário de 230 mil, 137 mil e 69 mil euros. E na Polónia, além dos 277 mil euros em dinheiro, os medalhados recebem um automóvel, um apartamento mobilado, um voucher de férias entre outros bens.Em Chipre o reconhecimento olímpico vai para lá do pódio. E se o ouro vale 148 mil euros, o 16.º lugar (último com diploma olímpico) pode render 10 mil euros. E na Croácia, há garantia de reforma antecipada e paga a partir dos 55 anos, idade a que os campeões olímpicos passam a receber um subsídio mensal equivalente ao salário médio nacional, enquanto na Macedónia do Norte, a medalha garante uma pensão vitalícia superior a mil euros mensais.Faltam 794 dias para Los Angeles2028.A 794 dias dos próximos Jogos Olímpicos, o Comité Olímpico de Portugal e a Repsol renovaram a energia olímpica. Desde esta terça-feira, o contador oficial dos dias que faltam para chegar a Los Angeles2028 estará na sede do COP na Travessa da Memória.“A continuidade da parceria com a Repsol é um motivo de grande satisfação para o Comité Olímpico de Portugal, uma vez que continuamos a contar com um parceiro que tem mostrado que encara o desporto como parte da sua essência e que está motivado para ajudar-nos a criar mais e melhores condições para a preparação dos nossos atletas. Até Los Angeles2028, a Equipa Portugal precisa de toda a energia e é bom sabermos que temos ao nosso lado um parceiro sólido, que acredita nos valores do Olimpismo e no impacto do desporto na sociedade”, disse o presidente Fernando Gomes, destacando que os apoios se estendem a cerca de 800 mil atletas federados.As verbas prometidas pelo Estado, que aumentou em 30%, o valor da preparação para Los Angeles2028, face ao ciclo Paris2024, já foram distribuídas: “A decisão do Conselho de Ministros foi concretizada. O dinheiro chegou ao COP e foi distribuído pelos atletas, treinadores e federações na sua preparação olímpica. Podemos até dizer que é sempre insuficiente, mas, face à realidade do nosso país e do ciclo anterior, o nível tem sido significativamente maior e não é por essa razão que deixará de haver uma melhor preparação para atingir mais resultados."“Acreditamos que a energia está no centro de todos os grandes momentos e que a experiência olímpica vai muito além da competição. É esta energia, assente na dedicação constante, disciplina e trabalho coletivo, que leva os atletas a superar limites. Esta parceria reflete o nosso compromisso com o desporto nacional e com a criação de melhores condições para o sucesso da Equipa Portugal, através de uma abordagem integrada que acompanha os atletas em todas as etapas do seu percurso”, afirmou Vera Vicente, administradora-delegada da Repsol Portugal.Atletas sentem que há mais dinheiro.A renovação do contrato entre o COP e a Repsol foi assinalada numa cerimónia que reuniu atletas, como Diogo Ribeiro (natação) e Cátia Azevedo (atletismo), que contaram histórias da participação olímpica e confessaram que é na família que renovam energias. Além de ambos terem destacado a importância dos apoios para uma boa preparação olímpica.O nadador do Benfica disse que se nota o aumento já ao nível das bolsas. “Desde que estou no programa [olímpico], acho que já subiram duas vezes. É um esforço para o qual o COP tem trabalhado e nós sentimos muito o esforço. E mesmo o Estado tem dado boas verbas para o desporto a cada ano. Há países muito à nossa frente no que toca a verbas do Estado, mas sabemos que é difícil darem-nos mais, mas sentimos muito esta ajuda”, disse Diogo Ribeiro, que já se prepara para os europeus de natação."O ano a seguir a Paris2024 foi com calma, sem querer apressar muito. Este ano é mais controlado também e no terceiro é quando vamos começar a trabalhar mais e melhor, mas também vai ser um ano com o Mundial. Eu quero ver se, desta vez, consigo acertar a forma, porque em Paris não consegui. Este ano é o Europeu e é focar no melhor resultado possível, melhorando os meus tempos sempre que nado. Se conseguir isso, é um passo maior para coisas muito melhores", apontou o nadador de 21 anos e já com duas medalhas de ouro e uma de prata em Mundiais e uma medalha de bronze em Europeus.Mais experiente e já com três participações olímpicas, Cátia Azevedo voltou esta semana aos treinos... após ter sido mãe: "Está a correr muito bem, ainda bem. Ontem [segunda-feira], após cinco semanas, comecei a treinar e a delinear tudo até Los Angeles. O Tsanko [Arnaudov, marido e atleta do lançamento do peso] também está com os olhos lá. É difícil, mas não é impossível. Vamos tentar tornar o difícil em possível e termos a nossa melhor performance. Está a ser desafiante."A recordista nacional dos 400 metros considerou que os desafios da maternidade podem ser ultrapassados, definindo prioridades. "Quero voltar a bater o recorde nacional e melhorar o 16.º lugar que tive em Jogos. É a quarta participação e temos de a fazer bem feita. Estou a fazer tudo para fazer ainda melhor", disse a atleta, que esteve em Rio2016, Tóquio2020 e Paris2024.A velocista do Sporting elogiou o equilíbrio nos apoios: “O COP está a pegar nas lacunas que havia nos apoios e está a tentar procurar-se o melhor equilíbrio entre os atletas e o COP. O pouco que seja, já é uma ajuda. Por acaso, é uma boa ajuda. Acho que temos sido muito felizes e temos de agradecer muito ao COP.”isaura.almeida@dn.pt