Na época 2026/27, que se inicia na sexta-feira, dia 7 de agosto, com o Estoril-Famalicão (20h15, Sport TV1), entram em vigor as alterações aos regulamentos disciplinares, que prevêem um agravamento em 25% do valor das multas associadas a comportamentos incorretos de todos os agentes do universo desportivo. Por ano, o organismo arrecada mais de meio milhão de euros por essa via da aplicação de castigos monetários.A título de exemplo, uma multa acessória simples aplicada a um cartão vermelho por acumulação de dois cartões amarelos era de 153 euros e vai passar a ser de 192 euros. E assim será com todas as sanções, sendo que cada jogo de FC Porto, Benfica e Sporting gera, em média, multas de 20 mil euros. O clássico de março, no Estádio da Luz, rendeu 57.516 euros.O agravamento aplica-se a casos de lesão da honra e reputação, injúrias e protestos dirigidos à equipa de arbitragem, agressões físicas e verbais, falta de colaboração com a justiça desportiva e atrasos no início ou no reinício dos jogos. Adicionalmente, tanto a Liga Portugal (I Liga e II Liga) como a Federação Portuguesa de Futebol (Liga 3 e Campeonato de Portugal) avançaram com um pacote de “tolerância zero” que prevê aumentos significativos e molduras penais mais pesadas para comportamentos graves, reincidências e declarações ou atitudes contra a verdade desportiva e a arbitragem.O aumento do valor das multas constam do Plano META 2028 da Liga Portugal a que o DN teve acesso e onde o organismo liderado por Reinaldo Teixeira estabelece métricas para as competições profissionais, como a implementação de medidas para aumentar o tempo útil de jogo, e prioridades estruturais. Avançar com o novo fair-play financeiro, o leilão dos direitos televisivos e um projeto piloto para a venda de bebidas alcoólicas nos estádios são algumas das propostas aprovadas pelos clubes. “Com o foco na primeira época da centralização dos direitos televisivos (2028/29), temos de começar já a trabalhar os mecanismos de controlo económico, fair-play financeiro e compliance que estabilizem e garantam continuamente a credibilidade e integridade do futebol profissional. Esta época será o ano zero de novos modelos, que serão testados, de modo a serem implementados futuramente”, considera Paulo Costa, Diretor Executivo da Liga Portugal.Tempo útil de jogo abaixo da média europeiaSob o lema “Mais jogo, melhor futebol”, o organismo traçou orientações estratégicas com o objetivo solidificar a sexta posição de Portugal no ranking da UEFA, partindo do aumento do tempo útil de jogo, que na época 2025/26 foi de 53.38 minutos. “Sem dormir à sombra de uma posição que permite ter agora seis equipas nas competições europeias, devemos colocar todo o foco na consolidação dessa posição[6.º lugar no ranking UEFA], e por isso mantivemos a proteção regulamentar às equipas com esse estatuto europeu, e só assim podemos um dia sonhar com a entrada no top-5”, defende o diretor das competições.O tempo útil de jogo na I Liga de futebol diminuiu até dois minutos após a introdução do videoárbitro (VAR), fixando-se em 46 minutos e 19 segundos nas épocas 2017/18 e 2018/19 e manteve-se inalterado nas épocas seguintes, segundo um estudo da NOVA IMS. Conclusão compatível com os dados do organismo, que garantem que as últimas quatro temporadas da I Liga foram as melhores ao nível de tempo útil de jogo (sempre acima dos 50%), apesar de o campeonato português ainda estar longe da média das principais ligas europeias (56 minutos). Em 2025/26, registou-se o segundo menor número de faltas por jogo desde 2021/22, com 27,53 faltas por jogo, mas Portugal continua a ser o país onde mais faltas se assinalam dentro do top-8 europeu. Mas, com a introdução das alterações às Leis do Jogo, a Liga Portugal garante que o tempo útil de jogo melhorará “consideravelmente”. .Jogador fica 1 minuto fora de campo se for assistidoE para minimizar os efeitos das paragens, os árbitros terão indicação para aplicar a regra dos 5 segundos nas reposições de bola (pontapés de baliza e lançamentos laterais) e a regra do máximo de 10 segundos para um jogador deixar o campo, além da obrigatoriedade de permanência de 1 minuto fora do terreno de jogo em caso de assistência médica dentro das quatro linhas (com exceção das faltas sancionadas com cartão vermelho).O alargamento da intervenção do VAR - em pontapés de canto e casos de troca de identidade, como a FIFA implementou no Mundial 2026 - é outra das novidades para 2026/27, assim como o aumento do número de suplentes no banco, que passa de 9 para 12. Com muitas alterações focadas na modernização, incluindo fichas digitais, apenas a jornada 34 de ambas as competições ( I Liga e II Liga) será disputadas à mesma hora. O alargamento do período de cedências de jogadores sub-23 até ao dia 8 de setembro é uma das grandes novidades, sendo que o encerramento do mercado de transferências será no dia 4 de setembro.isaura.almeida@dn.pt.FC Porto recebe Alverca, Sporting visita Reboleira e Benfica apadrinha Académico na 1.ª jornada da I Liga