Cláusulas de rescisão cada vez mais altas. Marcos Leonardo direto ao topo

Cláusulas de rescisão cada vez mais altas. Marcos Leonardo direto ao topo

 Reforço do Benfica ficou blindado por 150 milhões, o valor mais alto em Portugal. Gyökeres (Sporting) e Evanilson (FC Porto) são os únicos fora da Luz  na casa dos três dígitos.
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Marcos Leonardo entrou direto para o topo da tabela dos jogadores com as maiores cláusulas de rescisão em Portugal. O contrato que assinou com o Benfica até 2028 ficou blindado por 150 milhões de euros, o valor mais alto de sempre registado na I Liga, que só iguala o também benfiquista Orkun Kökçü. Os únicos futebolistas fora do Benfica na casa dos três dígitos são Viktor Gyökeres, do Sporting, e Evanilson, do FC Porto, ambos com cláusulas de 100 milhões.

Para os lados da Luz, há um antes e um depois de João Félix. Em junho de 2019, o mundo ficou de boca aberta quando o Atlético Madrid bateu a cláusula de um jovem até então pouco conhecido internacionalmente, 126 milhões de euros, um valor nunca visto no futebol português e que fez do futebolista, agora no Barcelona, o quarto mais valioso de sempre. 

Desde então, a SAD benfiquista começou a blindar os jogadores com cláusulas de três dígitos. Além de Marcos Leonardo e Kökçü, também Darwin Núñez e Everton Cebolinha tiveram cláusulas de 150 milhões, mas ambos saíram por valores inferiores - o uruguaio por 85 milhões para o Liverpool e brasileiro por 14 para o Flamengo. Mas Enzo Fernández saiu para o Chelsea há um ano também pelo valor da cláusula.

João Neves renovou até 2028 e ficou com uma cláusula de rescisão de 120 milhões, o mesmo valor de Florentino. Os médios benfiquistas são os portugueses mais valiosos, seguidos de perto por António Silva, o defesa-central formado no Seixal, que tem ligação ao Benfica até 2027 e uma cláusula de 100 milhões, tal como Anatoliy Trubin, o guarda-redes que chegou este verão, e David Neres, que cumpre a segunda época de águia ao peito.

Gyökeres vs. Inácio

“Gyökeres só sai em janeiro pelo valor da cláusula.” A frase tem sido repetida até à “exaustão” por Rúben Amorim, a exemplo do que fazem muitos treinadores na tentativa de prender os maiores talentos, afastando os interessados na sua contratação no mercado de inverno que está aberto e encerra no final do mês.
A frase pretende sossegar os adeptos quanto à continuidade do goleador sueco, que chegou no verão para ficar até 2028, a menos que alguém pague 100 milhões de euros para o levar sem pedir licença.

Até Gyökeres chegar a Alvalade, o teto das cláusulas era de 80 milhões. É, aliás, esse o valor que consta nos contratos de Pedro Gonçalves (Pote), Diomande, Iván Fresneda ou Morten Hjulmand e Trincão - no Barcelona tinha uma cláusula de rescisão de 500 milhões.

Fora do top-5 leonino está aquele que tem sido mais cobiçado e que ainda pode sair neste mercado de inverno: Gonçalo Inácio renovou no ano passado até 2027 e viu a cláusula subir de 45 para 60 milhões, valor igual ao que o PSG pagou para levar Ugarte no verão passado.

Dragões com valores baixos

No FC Porto, Evanilson é o jogador com a cláusula de rescisão mais elevada, 100 milhões, a mais alta de sempre de um dragão (em igualdade com Hulk). Já David Carmo está blindado por 80 milhões. A cumprir a segunda época de dragão ao peito, o defesa central que fez história quando saiu do Sp. Braga para o FC Porto, precisamente pelo valor da cláusula de rescisão de 20 milhões, tornando-se o mais caro de sempre, não se conseguiu impor, está neste momento na equipa B e com fortes possibilidades de sair. Mas nunca pelo valor da cláusula.

No verão de 2022, dois jovens dragões deixaram o clube, depois de PSG e Arsenal bateram a cláusula (acessível) dos campeões Vitinha e Fábio Vieira, respetivamente. Diogo Costa ficou no Dragão e tornou-se num dos guarda- -redes mais promissores do futebol mundial, acessível a quem tiver 75 milhões para o levar sem precisar de conversar com Pinto da Costa, que já este verão contratou Nico González, um ex-Barcelona, até 2028, e blindou-o com 60 milhões.

Cláusulas de mil milhões

As cláusulas de rescisão existem para blindar e estabilizar a relação laboral do atleta com o clube. É um mecanismo contratual que fixa um valor de saída de um jogador em caso de denúncia do vínculo de trabalho, que é vulgarmente usado para a transferência para outro clube. Passaram de ultrassecretas para serem usadas como troféus de valorização do atleta e cada vez mais altas.

Cristiano Ronaldo fez história com uma cláusula de mil milhões de euros no Real Madrid - saiu por 112 milhões para a Juventus. Os merengues blindaram ainda Benzema e Bale com o mesmo valor. Mil milhões de euros é também o valor da rescisão que consta do contrato de Pedri com o Barcelona.

isaura.almeida@dn.pt

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