O Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho continua sem condições de utilização depois das cheias provocadas pelo mau tempo das últimas semanas, obrigando as federações portuguesas de canoagem e remo a alterar planos de treino, cancelar provas e deslocar atletas para outros locais de estágio numa fase decisiva da preparação internacional.A pista ficou submersa, zonas técnicas inundadas e parte do material danificado. Na canoagem, a interrupção foi imediata. “Há mais de dez dias que não conseguimos treinar no Centro de Alto Rendimento. Nestas semanas tínhamos previstos estágios da equipa sénior e também da equipa júnior, de preparação da época internacional”, explicou o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Ricardo Machado..A federação reorganizou rapidamente o trabalho. “Logo no dia seguinte fizemos alterações nos locais de estágio e tentámos encontrar locais que tivessem mínimas condições de proteção do vento e do plano de água.” Os atletas foram distribuídos por diferentes barragens. “A equipa sénior e alguns atletas sub-23 treinaram na barragem da Caniçada e também em Avis, onde habitualmente já fazemos alguns estágios.”As condições, contudo, ficaram longe do habitual. “Muito vento, muita chuva, portanto não tiveram as condições ideais, mas foi possível trabalhar, adaptando o treino às condições meteorológicas de cada dia.” O dirigente sublinha que a prioridade foi proteger a preparação olímpica. “Os atletas integrados no projeto olímpico tiveram salvaguardada a preparação e não houve interrupção do treino das equipas principais.”Parte do material foi retirada antes da inundação, mas nem tudo escapou. “Conseguimos tirar muitas embarcações com ajuda de técnicos e atletas, mas algumas maiores ficaram num nível que pensávamos que a água nunca chegaria e chegou.” A maior preocupação está agora no interior do centro. “O impacto maior será ao nível do ginásio. Passadeiras e máquinas pesadas ficaram lá e temos de perceber se é possível recuperar ou se será necessário substituir.”O regresso à normalidade ainda não tem data definida. “Espero que no final desta semana seja possível começar a limpar e fazer o levantamento de estragos, mas pelo menos duas ou três semanas estaremos limitados.” Os escalões mais jovens foram os mais prejudicados. “Não temos capacidade financeira para colocar todos os atletas em unidades hoteleiras como fizemos com a equipa principal.”.Apesar da situação, mantém-se o Campeonato da Europa previsto para junho em Montemor-o-Velho. “Não existe plano B. Temos três meses e meio e acreditamos que vamos conseguir realizar a prova.”Também o remo enfrenta dificuldades significativas. A Federação Portuguesa de Remo não conseguiu retirar toda a frota antes da subida das águas. “Tirámos parte da frota de competição, mas os barcos de remo de mar ficaram no centro. Alguns estão debaixo de água”, disse o presidente, Luís Faria.A altura da cheia ultrapassou o previsto. “Colocámos os barcos num nível que considerávamos seguro, mas a água chegou lá.” O problema continuará mesmo depois da descida das águas. “Estas águas trazem muito barro e detritos e para a pista e para as instalações vai ser muito complicado.”As infraestruturas também sofreram danos. “O ginásio ficou submerso e a torre de chegada teve vidros rebentados pelo vento e depois inundados.” Sem condições para competir, a federação cancelou provas nacionais. “Até maio cancelámos todas as provas em Montemor-o-Velho porque claramente não vai estar em condições.”Tal como a canoagem, o remo teve de deslocar a preparação. “Estamos a fazer estágios em Coimbra e noutros locais, saltando de um lado para o outro para manter a preparação.” A logística tornou-se mais complexa. “Os atletas vivem em Coimbra e treinavam ali diariamente. Tivemos de retirar material e reorganizar tudo.”Apesar do impacto desportivo, os responsáveis sublinham a dimensão social da situação. “Percebemos perfeitamente que o nosso problema, face à realidade das populações, é secundário”, afirmou Luís Faria. Ainda assim, a prioridade mantém-se: garantir condições mínimas de treino. “Temos de garantir alternativas para que os atletas continuem a preparar-se.”O Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho é a principal infraestrutura nacional para canoagem e remo e recebe regularmente competições internacionais. A recuperação dependerá agora da descida total da água, limpeza da pista e avaliação dos danos materiais. Até lá, as seleções nacionais continuam em regime descentralizado, aguardando poder regressar ao local habitual de preparação..Centros de alto rendimento vão sofrer obras, mas Jamor não entra nas contas .Mau Tempo: Militares do Exército ajudam na limpeza em Montemor-o-Velho