Caso de CR7 com a Coca-Cola. UEFA avisa que patrocinadores são "essenciais"

Português afastou garrafas do refrigerante na véspera do jogo com a Hungria, Pogba fez o mesmo com a cerveja da Heineken. O selecionador da Rússia bebeu a Coca-Cola... e Locatelli repetiu o gesto do português.

Isaura Almeida

É o chamado efeito dominó que a UEFA quer travar. Depois de Cristiano Ronaldo retirar as garrafas de Coca-Cola da mesa da sala de imprensa, Pogba fez o mesmo com a garrafa de cerveja Heineken. O selecionador russo optou por uma abordagem diferente... e bebeu a Coca-Cola. Já o italiano Manuel Locatelli imitou o português e Yarmolenko da Ucrânia exibiu as garrafas todas e fez-se ao patrocínio.

"A UEFA lembrou às equipas participantes que as parcerias são essenciais para a realização do torneio e para garantir o desenvolvimento do futebol em toda a Europa, incluindo para jovens e mulheres", explicou ao DN o organismo europeu, sem esclarecer se as marcas se queixaram ou se os jogadores ou as federações podem ser alvo de processos e/ou penalizados.

Segundo as regras da UEFA a conduta do jogador, quando lesiva das marcas e patrocinadores, pode ser alvo de sanções e penalizações financeiras ou outras. Mas, para já a UEFA, fecha os olhos...

Tudo o que Cristiano Ronaldo faz é passível de ser replicado, sejam golos ou gestos e atitudes fora dos relvados. Na segunda-feira, na véspera do jogo com a Hungria (Portugal ganhou, por 3-0), o capitão da seleção portuguesa foi à sala de Imprensa fazer a habitual antevisão do jogo, mas acabou por dar mais do que falar pelo gesto que teve.

Depois de se sentar e ver que tinha duas garrafas de Coca-Cola à frente, escondeu os refrigerantes, mostrou uma garrafa que levava com ele e disse "água". Que é como quem diz: Bebam água que é mais saudável.

A patrocinadora do Euro 2020 e a UEFA é que não terão gostado muito da recomendação saudável de CR7 e dos milhões que podem custar à marca. A animosidade do jogador com os refrigerantes é conhecida. Em dezembro de 2020 e depois de ser eleito o Jogador do Século, nos Globe Soccer Awards, confessou que não gosta e fica irritado quando o filho Cristianinho abusa dos refrigerantes.

A atitude do português correu mundo. Elogiado por muitos e responsabilizado por outros tantos, pela queda em bolsa da marca de refrigerantes, o jogador viu o gesto repetido por outros atletas. No mesmo dia, após vencer a Alemanha (1-0), o francês Paul Pogba fez o mesmo com a garrafa de cerveja da Heineken, outros dos patrocinadores da prova.

O gesto do atleta do Manchester United terá a ver com o facto de ser muçulmano e reprovar o consumo de álcool... e não terá reparado que a garrafa era de cerveja sem álcool.

No dia a seguir, o selecionador russo, Stanislav Cherchesov, fez a antevisão do jogo com a Finlândia depois de dar um golinho numa das garrafas que tinha à frente. O treinador pegou nas duas garrafas, utilizou uma como ferramenta e abriu a outra antes de beber um pouco. Uma ação caricata tendo em conta que nos tempos da União Soviética, a Coca-Cola era " água suja do imperialismo".

A paródia não parou por aqui. Cinco dias depois do gesto de Ronaldo, o italiano Manuel Locatelli foi eleito o homem do jogo no encontro com a Suíça (3-0) e quando foi à Sala de Imprensa levou uma garrafa de água e afastou ligeiramente os refrigerantes.

Já esta quinta-feira e já depois da UEFA recomendar à federações para pedirem aos jogadores para acabar com o "movimentos das garrafas", Yarmolenko, figura da seleção ucraniana que marcou um golo na vitória (2-1) frente à Macedónia do Norte optou por colocar bem próximo de si todas as garrafas e fez-se ao patrocínio.